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Together as One

por Andrusca ღ, em 31.03.11

Capítulo 19

Desconfianças

 

Ellie

 

- E agora, notícia de última hora – dirigi a minha atenção para a televisão, e sentei-me no sofá a comer o iogurte. Era das poucas ocasiões em que estava sozinha em casa, era sábado de manhã, o meu pai tinha ido trabalhar, a minha mãe sair com as amigas, a Jules às compras, e o meu irmão sabe-se lá – Estamos aqui em directo onde, ontem à noite, mais um assalto ocorreu. Os itens roubados, todos eles sem muito valor monetário porém bastante valor emocional para os donos, estão neste momento a ser identificados e dentro de momentos teremos imagens para mostrar. Pedimos a quem veja esta reportagem para que, se vir algum destes pertences com alguém, denunciar essa pessoa. E cá estão eles – no ecrã apareceram um monte de bugigangas, tal como a repórter disse, nada de muito valioso. O que mais me ficou na mente foi um colar de prata, com uma cruz enorme pendurada, também de prata. – Uma vez mais pedimos para que se vir algum destes itens com alguém, ir directamente à Polícia. Daqui Jill Harris em directo do… - Desliguei e fui pôr a embalagem do iogurte ao lixo, e a colher na máquina da loiça.

Subi para o quarto e liguei o computador portátil. Como é que as pessoas podiam sentir qualquer gozo em roubar as outras?

Estive a fazer umas pesquisas para um trabalho que tinha que fazer com Alyssa e depois vi um filme até à hora do almoço.

Almocei sozinha, o que era estranho. A minha mãe continuava com as amigas, o meu pai não devia sair do escritório tão cedo, e Michael… bem, o Michael é o Michael.

Quando acabei de comer voltei para o quarto e fiz os trabalhos de casa, ficando automaticamente sem nada para fazer. Liguei a televisão para me “fazer companhia” enquanto lia uma revista, e ouvi uma porta bater com força. Michael tinha chegado e já se tinha enfiado no quarto. A contar pelo barulho que fez com a porta, não vinha feliz.

Não liguei, provavelmente era uma daquelas paranóias quaisqueres que lhe dá de ano a ano. Continuei a ler a minha revista até que o meu computador deu sinal de que alguém tinha metido conversa. Alyssa.

 

ºAlyssaº diz: Estás aí?

^Ellie^diz: Sim, passou-se alguma coisa?

ºAlyssaº diz: Já viste as notícias?

^Ellie^diz: De manhã, porquê?

ºAlyssaº diz: Olha! Vão repetir a notícia!

 

Instantaneamente olhei para a televisão e aumentei o som. Via-se um corpo ser transportado para dentro de uma ambulância, o que se teria passado?

- Parece que o que era apenas uma forma de jovens se entreterem passou a algo muito mais sério. Os cinco adolescentes culpados de vários outros assaltos são agora procurados também por homicídio. Ao que parece o assalto a esta pousada correu mal, e quem acabou por sofrer foi o dono, que ao tentar expulsá-los acabou com um tiro mortal. Segundo o médico legista a morte foi instantânea e o senhor não sofreu. Agora está nas mãos da Polícia descobrir os autores destes crimes que cada vez se tornam mais violentos, e andam a alarmar a cidade e a criar o pânico.

Voltei a baixar o som, já tinha ouvido o suficiente. Aliás, tinha ouvido mais que suficiente.

 

^Ellie^diz: Alyssa que horror!

ºAlyssaº diz: Eu sei, e o pior é que há gente que acha que eles são lá da escola

^Ellie^diz: O quê?! Impossível!

ºAlyssaº diz: Só sei que já tenho um bocado de medo de sair à noite…

^Ellie^ diz: O pior é que isto não foi à noite Ally…

ºAlyssaº diz: Olha, tenho que ir, amanhã falamos melhor. Bjs, adoro-te.

^Ellie^diz: Adeus, também te adoro (L)

 

Eles tinham morto alguém? Gelei completamente: eram da escola. Quer dizer, podiam não ser, mas também podiam ser. Mas por outro lado, tinha quase a certeza que eram, senão como saberiam em que cacifo pôr as coisas que me roubaram?

Só conseguia imaginar rapazes todos chungas com piercings e tatuagens em tudo quanto era sítio, e cheios de músculos. Engoli em seco, não havia assim ninguém na escola – se houvesse ter-me-ia saltado à vista –, logo poderia ser qualquer um. Isto se as suspeitas estiverem certas.

Ainda há uma coisa que não percebo: se este é o mesmo grupo a que o rapaz que me assaltou no parque pertence, então porque me devolveria ele as coisas? Porque para as devolver apenas consigo pensar que ficou com remorsos ou culpa… como é que salta disso logo a matar alguém?

 Suspirei e fiquei de costas na cama, a olhar para o tecto, durante bastante tempo. E de pensar que o meu pai defende pessoas destas em tribunais… se eu por acaso me tornar advogada como eles tanto desejam, nunca vou defender assassinos, por muito que me paguem.

Olhei para o relógio: cinco horas e eu sem nada para fazer.

Levantei-me e fui até ao quarto do meu irmão, bati mas ninguém respondeu, por isso entrei para ver se estava a dormir ou assim. Mas não, ouvi água a correr, estava a tomar banho.

Ia voltar para o quarto quando vi um fio a sair por baixo da colcha da sua cama, no chão. Estranhei, se calhar era da minha mãe ou assim, talvez tivesse caído quando ela aqui esteve, e por isso fui agarrá-lo. Mal o puxei e o vi bem, deixei-o cair no chão automaticamente, e toda eu tremia. Olhei para a porta da sua casa de banho, continuava encostada. Não podia ser. Ajoelhei-me no chão e levantei a colcha da cama, permitindo-me ver um saco preto de onde caíam todo o tipo de coisas, desde anéis a relógios despertadores. E nada daquilo era de Michael, tinha a certeza. Olhei de novo o colar, o fio de prata com a cruz gigante, tal como mostraram na televisão. Não, não podia ser… não o Michael. Ouvi a água fechar e apressei-me a sair de lá, ajeitando a colcha antes de voltar para o quarto.

Fui para o meu quarto e fechei a porta, deixando-me cair no chão, encostada a ela, em seguida. Estava completamente em choque. Não sabia o que fazer, não sabia o que pensar. Não sabia nada.

Que Michael não era bom já eu sabia; que gostava de se revoltar não era novidade, e muito menos que era malcomportado. Mas um ladrão?!

Senti um aperto no coração ao perceber ainda outra coisa. “Os cinco adolescentes culpados de vários outros assaltos são agora procurados também por homicídio.”, As palavras da repórter invadiram-me o cérebro. Se Michael pertencia àquele grupo e tinha feito todos aqueles assaltos então… engoli em seco.

- O meu irmão é um assassino – murmurei, deixando a primeira lágrima escorrer.

Depois dessa vieram muitas outras, e acabei por adormecer deitada na cama.

Quando acordei sentia-me mais leve, porém doía-me a cabeça. Lembrei-me de algo que ainda não me tinha passado pela cabeça: Danny. Se o meu irmão está nestes esquemas, Danny também está de certeza. Danny é um ladrão. Michael é um ladrão. E ambos mataram um homem.

Não jantei, disse que estava doente, e não preguei olho a noite toda. Não conseguia pensar em mais nada sem ser a cara inanimada do pobre homem, a ser transportado sem vida para dentro de uma ambulância.

 

O que irá acontecer agora que ela descobriu? E o que se terá passado para matarem o homem?

Podem tentar adivinhar se quiserem c:

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