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Together as One

por Andrusca ღ, em 31.03.11

Nessa, este é teu ^^

 

Capítulo 20

Raiva

 

Danny

 

Sábado de manhã: cama.

Levantei-me já depois do meio-dia e não tomei o pequeno-almoço, Alice disse que ia começar a tratar do almoço.

Não tinha nada programado, também porque não queria. Sabia perfeitamente que Boogy andava completamente lixado comigo por não estar a dar o devido valor aos assaltos, mas nesta altura não consigo. Não desde que a assaltei a ela. Suspirei e deixei-me cair em cima da cama, ia ser uma longa tarde. Perguntei-me o que iria a malta fazer. Ou melhor, que sítio iriam assaltar. Sei que assaltaram uma casa ontem, porém Michael não participou. Acho que isso deu nas notícias da manhã.

Fui jogar um pouco computador e vi que Ellie estava online. Queria falar com ela, mal falámos desde aquela cena aqui no meu quarto, apesar de ela afirmar que está na boa com o assunto. Decidi não meter conversa, talvez ela metesse, talvez fosse um sinal qualquer marado… mas esperei e esperei e nada. Devia estar ocupada.

Comecei a ver um filme no computador até me fartar, e ainda eram só quatro horas e pouco. Liguei a televisão, e fiquei parvo a olhar para o que estava escrito nas notícias: “Assalto corre mal: Gang finalmente mata”.

Aumentei o som.

- Parece que o que era apenas uma forma de jovens se entreterem passou a algo muito mais sério. Os cinco adolescentes culpados de vários outros assaltos são agora procurados também por homicídio. Ao que parece o assalto a esta pousada correu mal, e quem acabou por sofrer foi o dono, que ao tentar expulsá-los acabou com um tiro mortal. Segundo o médico legista a morte foi instantânea e o senhor não sofreu. Agora está nas mãos da Polícia descobrir os autores destes crimes que cada vez se tornam mais violentos, e andam a alarmar a cidade e a criar o pânico.

O quê?! Como assim homicídio?! Eles mataram um homem?

Mandei o comando para o chão e comecei às voltas no quarto. Era impossível, impossível! Michael nunca mataria ninguém, nunca!

Agarrei no meu telemóvel e telefonei-lhe, chamou e chamou, mas nada. Telefonei então ao Boogy.

- “Ai agora lembras-te que existimos” – Que boa maneira de atender um telefonema.

- Mataram uma pessoa?! – Perguntei, com a voz a tremer.

- “Às vezes as coisas fogem do controlo” – Ele parecia calmo… incrível.

- Não foi isso que perguntei!

- “Sim, quando vamos nestas cenas corremos riscos. Sim, matámos”.

- Quem?!

- “Isso não te…”

- Quem Boogy?! – Gritei.

- “Eu” – por momentos senti-me aliviado, não tinha sido Michael, ao menos isso. Mas depois senti-me sujo. Sujo por ter pertencido a isto, mesmo que indirectamente. Sujo por ter andado tanto tempo com este gajo, um gajo sem uma pinga de piedade. Um monstro.

- Isto acaba agora – afirmei – Nós nunca concordámos em matar ninguém! Eram gamanços, sem vítimas!

- “Em que é que estás a pensar? Ir à polícia? E dizer o quê? Achas mesmo que acreditam que só porque lhes foste dizer, não tens nada a ver com isto?!”

Ele tinha razão, nunca acreditariam nisso. Bolas, no que é que eu me vim meter?!

- Vamos parar com os gamanços – disse-lhe, com a voz firme. Em resposta ele soltou uma gargalhada bem sonora.

- “Tu não és o chefe Danny. E que fique bem claro que nós vamos continuar! Acredita quando digo que tenho modos de te fazer concordar”

- Eu não vou ter mais nada a ver com isto. Estou farto! Acabou! Eu não matei ninguém!

- “Se eu for apanhado, não vou abaixo sozinho, garanto-te”

- Tu premiste o gatilho. Tu és o assassino.

- “Talvez, mas tu ajudaste a traçar o caminho para que lá chegasse” – estremeci. Ele tinha razão. Todos nós o tínhamos feito.

- Para mim acabou, nunca mais voltem a contar comigo para nada!

- “Danny, tu vais…” - e desliguei, mandando o telemóvel contra a parede com força, desmontando-o todo.

Sentei-me na cama e apoiei a cabeça nas mãos. Estava feito, completamente feito. Mas no que é que eu estava a pensar quando me meti nestas porcarias, no quê?! Como é que posso ter pensado que podia sair disto bem?!

Neste momento sentia raiva de tudo! De Boogy, dos assaltos, da vida, mas sobretudo de mim! Raiva e nojo!

- Menino Daniel – disse Alice, entrando no quarto – tem o menino Michael ao telefone – e passou-me o telefone de casa, que era portátil, como um telemóvel.

- Obrigada Alice, podes ir – já nem a minha voz estava normal.

Esperei que ela saísse para começar a falar com Michael.

- “Tô mano, estamos em sarilhos dos grossos” – ouvi, assim que encostei o telefone ao ouvido.

- Já sei – afirmei – Como raios é que deixaste aquilo acontecer Michael?!

- “O quê?! Agora vais-me culpar?!”

- Não é isso! Fogo meu, que raiva! Sabes que o Boogy não nos vai deixar em paz, não sabes?!

- “Sei. Mas foi ele que matou o cota, tens que acreditar em mim meu!”

- O que se passou?

- “Estávamos no armazém, tínhamos dividido as cenas do gamanço de ontem e quando cheguei a casa à noite recebi uma mensagem dele a combinar as cenas para hoje. Era bem cedo. Estava tudo a correr bem, até ao cota se armar em herói e tentar deter-nos. Ele nem pestanejou meu! Disparou sobre o homem, nem deu para sentir nada!”

Respirei pesadamente. Isto não podia estar a acontecer, não podia, não podia, não podia.

- Nós estamos lixados! – Gritei, deixando a fúria sair, dando um pontapé à cadeira da secretária, que foi deslizando até embater na parede – Eu juro-te meu, se alguém descobrir esta porcaria e nós formos acusados de homicídio eu mato aquele gajo!

- “Agora não podemos fazer nada. Ninguém sabe que somos nós. Temos que ter calma” – Pois sim, calma, até parece – “O Boogy não se vai chibar, e nós também vamos manter a boca calada e continuar com o que temos feito”.

- Desculpa?! Continuar?! Nem sonhes, eu já disse ao gajo para não contar comigo para mais artimanha nenhuma! Ele pode ir morrer longe juntamente com o Shane e o Kevin!

- “Tu o quê?! Ele já anda completamente desnorteado por não andares a participar nestes assaltos, e tu ainda lhe foste dizer isso?! Isto vai dar barraca…”

- Vai dar barraca?! Tu ainda não percebeste que isto já deu barraca?! Meu, alguém morreu por causa do que fazemos! Alguém que não tem culpa nenhuma!

- “Eu sei! Eu estava lá, não ajas como se eu não soubesse!”

Suspirei. Não conseguia continuar com isto, não agora.

- Olha meu, amanhã falamos, estou no ir. Fica bem.

- “Táss, adeus”

Desliguei e pousei o telemóvel na cama, deixando-me cair de costas ao seu lado.

Isto estava tudo mal, tudo ao contrário, do avesso. Tudo errado, tudo estragado. E era culpa minha. O problema era que não podia culpar mais ninguém. Eu tinha-me metido nisto. Eu tinha procurado Boogy, não ao contrário. Eu tinha querido entrar para o seu grupo e começar os assaltos. E agora eu tinha que esconder a identidade de um assassino de uma pessoa inocente.

A vida não presta, não presta mesmo, mas o único culpado aqui sou eu!

 

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