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Together as One

por Andrusca ღ, em 01.04.11

Capítulo 21

Problemas * Parte 1

 

Ellie

 

Passei o domingo todo fechada no quarto, Jules trouxe-me a comida, e a minha mãe veio cá uma vez ou duas ver o que se passava comigo. Por incrível que soe, não me tive que fingir doente ou coisa parecida. Eu estava mesmo com mau aspecto. Parecia um daqueles doentes daquelas instituições para malucos.

Suspirei e levantei-me lentamente, segunda-feira tinha chegado, não dava para fugir mais. Tomei um duche rápido e vesti umas calças de ganga com uma blusa azul-turquesa, e calcei uns ténis. Penteei-me e maquilhei-me muito levemente, apenas para me dar alguma cor à face sem qualquer pingo de vida.

A verdade é que estava furiosa. Completamente fula. Furiosa com Danny, furiosa com o meu irmão, furiosa por me fazerem passar por isto! E comigo também, por me permitir preocupar tanto com pessoas que às vezes tenho a sensação que não merecem.

Desci as escadas e tomei o pequeno-almoço em paz, com os meus pais. Michael desceu as escadas apressado, como sempre. Estava atrasado.

- Vamos maninha? – Perguntou, pegando numa maçã.

- Eu vou a pé – respondi, secamente, enquanto pegava na minha mala e me encaminhava para a porta.

- O quê? Porquê? Eu posso-te levar, anda lá – insistiu.

- Michael deixa-me em paz! – Gritei-lhe – Vai fingir que tens alguma coisa para fazer e deixa-me!

Bati com a porta e comecei a andar a um passo apressado, mas claro que ele com o carro não demorou a alcançar-me. Diminuiu a velocidade e abriu a janela, e guiava enquanto falava comigo.

- Mas o que é que te deu?! – Perguntou-me. Ai que nervos!

“O que me deu foi que descobri que tu andas a assaltar e a matar pessoas meu grande atrasado mental!”, foi o que me apeteceu responder. Mas controlei-me.

- Michael vai para a escola e deixa-me em paz, por amor de deus.

- Ellie, vá lá, fiz alguma coisa de errado? – Ele não entendia mesmo… esforcei-me para não começar a chorar, se ele tinha feito algo de errado? Ele estava a desperdiçar a vida dele, completamente, e nem dava por isso.

- Michael, por favor – pedi, com a voz calma – Eu juro que falamos mais tarde, mas agora não consigo. Por favor.

- Tão sério, hã?

- Por favor – voltei a pedir.

- Tudo bem. Mas vais chegar tarde – e arrancou com o carro.

Continuei a caminhar lentamente, a minha primeira aula ia ser de revisões, depois podia pedir os apontamentos à Alyssa, ela passava sempre bem as matérias.

Quando cheguei à escola, os seus corredores encontravam-se vazios. Era uma paz extraordinária, o silêncio… nem parecia um recinto cheio de adolescentes malcomportados.

- Ellie – gelei. Não agora, não podia ser. Já não bastava ter-me passado o domingo a telefonar, agora ainda estava aqui. Será que eu ter recusado todas as suas chamadas não foi o suficiente para perceber que não queria falar com ele?

Voltei-me lentamente, Danny fitava-me.

- Está tudo bem? – Perguntou. Que hipócrita. “Está tudo bem?! É claro que não está tudo bem!”.

Não respondi, dei meia volta e saí da escola. Estava-me a sentir sufocada, precisava de ar. Não estava pronta para esta conversa. Ouvia os seus passos atrás de mim, e parou quando eu parei. Não interessava se estava pronta ou não, ele não era Michael, ele não esperaria até mais tarde.

- Fala comigo – pediu. Aquela voz, aqueles olhos meio tristes… como é que eu ainda me deixo levar por isto?!

- Tu és um idiota – murmurei, tão baixo que mal reconheci a minha voz – Tu e o meu irmão são idiotas!

- O quê? Ouve Ellie, eu telefonei-te e não atendeste, fiquei preocupado e…

- Poupa-me Danny – agora sim, já não reconhecia a minha voz de todo. Estava enfurecida, azeda… impiedosa. Ele pareceu surpreendido com ela, tal como eu – Eu sei, ok?

- Tu sabes… sabes o quê?

 

Danny

 

Ela sabia o quê?

Ela estava estranha, irritada, diferente. A sua voz nem parecia sua. Estava distante, fria.

Não estava a perceber nada de nada, será que tinha percebido que não me é indiferente? Mas isso não lhe dá razão para ficar tão transtornada, ou dá?

- Ellie, sabes o quê?! – Insisti. Ela não falava, estava-me a deixar louco.

E então vi-a baixar o rosto, e uma lágrima escorrer. Não, ela não estava assim por ter descoberto o que sentia por ela, provavelmente nem desconfiava. Era outra coisa. Talvez qualquer coisa na sua casa, talvez na escola… mas porque é que estava assim para mim?!

Num impulso abracei-a. Queria consolá-la, dizer-lhe que ia tudo ficar bem, mas ela mal me deixou tocar-lhe.

- Larga-me! – Gritou-me assim que a abracei. Eu obedeci. Magoado, mas obedeci.

- Vais-me dizer o que se passa ou vais continuar com isto?! – Já estava a ficar farto disto!

- Eu sei sobre os assaltos! – Gritou. Gelei por completo. Ela sabia sobre os assaltos? Como é que sabia sobre os assaltos. Agora era eu quem não dizia nada. Não sabia o que dizer. Nada do que dissesse seria bom o suficiente para a fazer ouvir-me, sabia disso. Ela nunca me perdoaria por assaltar pessoas. Nunca me conseguiria ver com os mesmos olhos de antigamente enquanto sabe desta realidade. Estava tudo perdido. Tudo estragado. E de novo, de quem é a culpa? Minha. Única e exclusivamente minha.

- Ellie eu…

- Cala-te – engoli em seco. Ela odiava-me. E não como me odiava ao princípio, quando nos conhecemos. Não. Ela odiava-me mesmo, e isso fazia todo eu arder por dentro. – Eu sei sobre os assaltos, de ti e do meu irmão, e dos outros três! Sei sobre o homem que mataram… - ao dizer esta última frase mais duas lágrimas escorreram pela sua face.

Não, isto não era completamente verdade. E caraças, não podia estar a acontecer! Não agora que as coisas estavam a começar a ir bem entre nós!

- Espera, Ellie, nós não matámos ninguém – isto ela tinha que saber.

- Esperas que acredite nisso? Depois de descobrir o que me andaste a esconder Danny?!

- Apenas ouve, ok? Eu não matei ninguém. Nem o Michael, tens que acreditar nisso! Foi o Boogy, eu nem fui nesse assalto! – Agora era também eu quem se estava a perturbar com isto, ela tinha que acreditar em mim, eu não matei ninguém, ela não podia pensar em mim como um assassino!

- Danny eu… - fez uma breve pausa e olhou para trás de mim, para a estrada – Que carrinha é aquela?

Olhei para trás e vi um SUV preta, vinha a alta velocidade e parou mesmo à nossa frente. De lá saíram dois gajos com pistolas e gorros pretos. Engoli em seco. Não podia ser.

- Entrem na carrinha! – Reconheci imediatamente a voz. Shane.

- Que raios julgas que estás a fazer meu?! – Gritei-lhe, dando-lhe um empurrão.

- Se fosse a ti parava com isso – Voltei a olhar para Ellie, Boogy agarrava-a por um braço e tinha uma pistola encostada à sua cabeça.

Gelei. Ele não ia disparar. Era impossível. “Eu tenho modos de te fazer fazeres o que quero”, dissera-me ele da última vez que falámos.

- Eu faço o que quiseres, mas deixa-a ir – pedi.

- Achas que é assim? – Talvez estivesse errado. Talvez ele não me quisesse de volta – Eu disse-te que não eras insubstituível Danny… e ela sabe, não a posso simplesmente deixar ir.

Olhei de novo para Ellie e engoli em seco. Isto era tudo culpa minha.

- Entra na carrinha – mandou Shane –, antes que a tua amiguinha sofra as consequências.

Boogy começou a andar com Ellie e meteu-a na parte de trás da carrinha, para onde eu entrei também em seguida. Fecharam a porta e entraram para a frente, segundos depois a carrinha começou a andar.

Olhei para Ellie, não consegui decifrar o que os meus olhos viam. O que ela estava a sentir.

- Eu peço tantas, tantas desculpas Ellie – murmurei.

- Guarda-as para alguém que as queira – respondeu.

- Ellie…

- Danny simplesmente… - abanou a cabeça –, apenas não digas nada, está bem? Não agora, não quero ouvir mais nada.

Engoli em seco e assenti com a cabeça. Ela odiava-me, era uma certeza. Mas também, como a posso culpar? Tudo o que está a acontecer são resultados de tudo o que fiz.

Suspirei, para onde nos levariam? Se alguma coisa acontecesse a Ellie nunca me perdoaria. Nunca.

 

Hoje já não vou postar a parte dois, sorry.

Mas posso postar o sneak peak e talvez a primeira parte de uma mini história, se quiserem ^^

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