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Pétalas de Rosa

por Andrusca ღ, em 03.10.10

Cá vai o terceiro capítulo, espero que gostem ^^

Bjs

 

Capítulo 3

O Sangue

 

Finalmente sábado chegou, mas tive que desmarcar tudo com Derek para ir trabalhar. Consegui que me contratassem para servir às mesas num café aqui perto, Coffee 4 Ever. Não é mau de todo, tenho é de trabalhar lá a alguns fins-de-semana e três tardes por semana, e eles até não pagam mal. Aquilo ultimamente tem andado mais movimentado, acho que finalmente começaram a fazer publicidade ao café.

Como só tinha que ir à tarde, pude levantar-me cedo. Adoro que Derek vá ao meu quarto durante a noite, mas com ele lá é difícil deixar-me dormir, aliás, com ele lá eu não quero dormir. Não quero desperdiçar tempo. E assim acabo por nunca descansar muito.

Depois de fazer os trabalhos de casa e de ajudar Abby com os dela, ver televisão e falar com Gwen ao telemóvel, tive que ir às compras, estávamos a ficar sem comida no frigorífico.

Fui ao supermercado e verifiquei se tinha dinheiro antes de entrar. Agora, cada vez que venho às compras, confirmo. Ainda me lembro da vergonha que apanhei quando Dylan me roubou o dinheiro e o carro, e eu depois andava à procura de trocos nos bolsos para pagar as compras. Mas por outro lado foi bom, conheci Derek.

Quando cheguei a casa Dylan estava de volta do fogão, e a panela estava a deitar fumo e a mandar água para fora até dizer chega. Ele parecia aflito, e eu sorri perante aquela situação. Não devia gozar, mas era impossível não rir.

- O que é que estás a fazer? – Perguntei, ao pousar os sacos em cima da mesa.

- O almoço. A Abby estava com fome e… bolas! – E levou o dedo à boca, deve-se ter queimado – A porcaria do fogão está possuído!

- Desvia-te – disse eu, dando-lhe um pequeno empurrãozinho para desligar o fogão. Depois de as bolas de água a ferver começarem a baixar, virei-me para ele. Ainda tinha o dedo na boca – Estás bem?

- Sim, desculpa. Eu tentei fazer massa e deu nisto…

- Não faz mal. Pensa assim, assim podemos encomendar pizza. A Abby vai ficar radiante.

Ele riu-se.

- Acredita, primeiro que eu aprendesse a cozinha foi um castigo. Hás-de lá chegar – assegurei.

Eu sei que ele está a tentar. E também sei que ele se sente culpado pela nossa casa ter sido quase destruída por um vampiro e nós termos quase morrido. Mas ele sabe que não o culpo. Foi um erro, todos nós os fazemos. O melhor é que desde então que ele tem tentado com todas as forças ser um irmão melhor, e uma pessoa melhor. Custa, e continua a não fazer nada de jeito, mas pelo menos esforça-se. Eu acho mesmo que com o tempo, havemos de recuperar tudo aquilo que perdemos.

Encomendámos pizza e como eu tinha que ir para o trabalho, ele disse que arrumava a cozinha.

Fui para o café e fiquei lá até às cinco e meia. Deixaram-me sair mais cedo. Quando voltei para casa, Abby estava a lanchar sentada à mesa da cozinha.

- Já estás em casa? – Perguntou-me – Está tudo bem?

- Sim, está tudo bem. Eles disseram que havia menos movimento e eu podia vir. Assim fico com mais tempo para vocês.

- Fixe. É verdade, sabes quem é o Monstro dos Andes? – E mais um dos factos interessantes da minha irmã. Juro por tudo que não sei o que lhe dá para pesquisar estas coisas. Enfim…

- Não… é como o do lago Ness?

Ela deu uma risota. Será que disse uma coisa assim tão ridícula?

- Não. É o Pedro Alonso Lopez, um assassino colombiano.

- O quê?! – Que raios?! Mas ela anda a pesquisar assassinos?!

- Ele foi acusado de matar mais de 300 pessoas. E diz-se que foi o assassino em série mais mortal de todos.

- Ok, Abby, eu não te quero a pesquisar esse tipo de coisas, ok? Tu não precisas de pesquisar isto para nada. Nada de assassinos, promete.

- Porquê?

- Porque não é para a tua idade.

- É sim. Ele matou meninas entre os nove e os doze anos.

- Mas não te vai matar a ti, ok?

- Eu sei que não vai. Ele já nem está vivo. E se estivesse, o Derek protegia-me – e expressou um pequeno sorriso vitorioso. Para a Abby, o Derek é tipo o super-homem, mas real.

Ela tem uma admiração por ele e pelos irmãos dele espectacular. É como se fossem da mesma família. Dylan também se dá bem com eles, mas nada como Abby. Como ela sempre amou histórias de vampiros, fica entusiasmada por conhecer vampiros verdadeiros.

- Pois protegia – concordei eu. E tinha a certeza que sim. Para Derek, Abby também era como uma irmã.

- Não o queres ir ver? Eles devem estar todos em casa – disse ela, cheia de entusiasmo.

- Claro, podemos ir.

- Fixe!

Meteu a sandes toda dentro da boca e levantou-se. Correu escadas acima e depois para baixo também, já com o casaco vestido.

- Estás despachada? – Perguntou-me, cheia de pressa.

- Estou, vamos.

Meti o copo dela e o prato dentro do lava loiças, escrevi um bilhete a Dylan e metemo-nos no carro.

O caminho até a casa dos Thompson era enganador. Havia partes em que parecia estarmos mesmo no meio do nada, mas eu já o tinha feito tantas vezes que já nem ligava.

Quando chegámos ao pé daquele portão gigantesco, estacionei o carro e Abby tocou à campainha. O portão foi aberto em seguida.

Entrámos a pé, eu não gosto de ir de carro lá para dentro. Gosto de ir devagar e apreciar o jardim. Têm todos os tipos de flores, é espantoso.

À entrada da casa estava Verónica, que nos esperava. Como clima carregado de nuvens desde que eles chegaram, são poucas as pessoas que se pode dizer ficarem bonitas ao longe, mas Verónica estava definitivamente nessa lista. O seu cabelo escuro até um pouco abaixo dos ombros, cortado num corte recto, parecia que brilhava. Conforme nos aproximávamos, os seus olhos azuis esverdeados seguiam-nos. E quando chegámos ao pé dela, esboçou-nos um enorme sorriso amigável. Verónica é, sem qualquer dúvida, uma das pessoas mais lindas que já vi em toda a minha vida.

- Bem-vindas – disse-nos – Não estávamos à espera.

Desviou-se para nós entrarmos e conduziu-nos até à sala, onde Abby se deixou cair toda junta no sofá.

- Pois, eu quase que fui arrastada – disse-lhe.

- O Derek está no quarto, eu fico com a Abby.

- Ok, obrigado.

Comecei a subir as escadas e ainda antes de bater à porta do quarto dele, Derek abriu a porta.

- Pensava que trabalhavas hoje – disse-me.

- Trabalhei, mas deixaram-me sair mais cedo.

- Diz-lhes “obrigado” por mim – e puxou-me para ele.

- A Abby também veio, está na sala, e de certezinha que está prestes a subir as escadas para te vir ver – disse-lhe, desviando-me por breves segundos dos seus lábios.

- Seria uma pena que visse a irmã nestas figuras – brincou ele, puxando-me para dentro do quarto em seguida.

- Pois seria – concordei.

Sentámo-nos na cama e entre beijos e carícias vi o que estava em cima da mesa-de-cabeceira do lado da porta. Uma bolsa de sangue do hospital. Senti-me a ficar enjoada e desviei-me dos seus lábios.

Derek reparou que eu fiquei distante e que observava a bolsa, ainda metade cheia.

- Eu esqueci-me que a tinha aí, desculpa – disse-me, enquanto se levantava, agarrava na bolsa e a enfiava na gaveta.

Voltou a sentar-se ao meu lado.

- Desculpa – disse, mais uma vez.

- Não. Não faz mal – disse-lhe eu – Tu és um vampiro, e vampiros bebem sangue. Acho que eu é que ainda não me habituei bem à ideia. Mas não te preocupes, hei-de lá chegar.

- Eu sei que isto te… enjoa, eu a beber sangue e…

- Não enjoa. Quer dizer, se fosse eu a beber, não sendo vampira, enjoaria. Mas vampiros bebem sangue, é um facto. Para vocês é como um Big Mac, e eu percebo, a sério que sim.

- Mas não gostas.

- Mantêm-te vivo, e forte. Se esse é o preço, eu acho que não faz mal. Seria muito pior não te ter aqui.

- Tens a certeza?

Voltei a aproximar-me dele e beijei-o de novo.

- Tenho.

Não vou dizer que não fiquei desconfortável ao ver a bolsa de sangue em cima da mesa-de-cabeceira como se fosse um copo de água, ou de leite, mas sei que tenho que me habituar. Aliás, para vampiros é melhor que leite ou água, é a única coisa que os alimenta e lhes é possível beber.

Acho que a Gwen tem razão, ainda não aceitei completamente que Derek é um vampiro, e que tem instintos e necessidades de vampiros. Mas parte disso também é culpa dele. Ele nunca me mostra sinais nenhuns do vampiro que há nele. Nunca se alimenta ao pé de mim, nunca me tenta morder, e nunca deixa os caninos descerem. E até hoje nunca tinha percebido o quanto precisava que ele perdesse o controlo de vez em quanto. Para mim ele é sempre o Derek, o namorado cinco estrelas, e quando estou com ele sem nada que me lembre que é um vampiro, é como se ele fosse um rapaz humano com a pele fria, e nada mais. E acho que me habituei demasiado a essa ideia. Porque essa ideia é mais confortável de aceitar do que a alternativa.

É mais simples pensar num namorado humano que gosta de comer hambúrgueres, do que num namorado vampiro que bebe sangue à hora das refeições. Mas o meu namorado é vampiro, e não humano, por isso, e embora me deixe desconfortável e com um friozinho na barriga, tenho que me habituar.

- Vamos – disse ele, puxando-me para me levantar da cama – Se não descermos, a Abby sobe daqui a nada.

- Tens razão – levantei-me e caminhámos até à porta, ele abriu-a para eu passar e depois começámos a descer as escadas – Tenho que ter cuidado come essa miúda, tem uma fixação por ti incrível.

- Ciúmes? – Gozou.

- Podes crer, qualquer dia rouba-me o namorado – Brinquei.

Ele riu-se e parou de descer as escadas, agarrando-me na mão em seguida.

- Eu prometo, nunca, ninguém, me vai separar de ti – disse-me.

- Óptimo, é tudo o que eu quero.

Descemos as escadas e fomos ter com a Abby e a Verónica à sala. Gary também já lá estava. Não parecia lá muito contente.

- Então, deste uma folga à Gwen? – Perguntei-lhe.

- Teve que ser. Ela foi sair com os pais.

Eles os dois têm passado os dias completamente juntinhos. E separarem-se para as aulas parece um sacrifício tremendo.

Passámos o resto da tarde na conversa, mas quando Abby disse que tinha fome, tivemos que nos vir embora.

Quando chegámos a casa, Dylan estava a ver televisão. Fiz arroz com carne para o jantar, não me apetecia ter muito trabalho.

- Então, o que fizeste hoje? – Perguntei, a Dylan, enquanto jantávamos.

- Nada de especial. Passei a tarde com a Siara.

A Siara é a namorada do Dylan. Tenho que dizer que ele teve bom gosto. Depois do período em que andava só atrás das raparigas todas tatuadas e cheias de piercings, conseguiu escolher bem. Siara é adorável, e também uma boa influência para ele. Pelo menos até agora.

Depois de jantarmos, Abby e Dylan levantaram a mesa e eu lavei a loiça. Dylan foi para o quarto e Abby para a sala.

Quando acabei de lavar a loiça, ouvi baterem à porta, e fui abrir. Era Derek.

Fomos para a cozinha e começámos a conversar. O tempo voava completamente quando estava com ele.

Fomos interrompidos quando Dylan bateu levemente na porta.

- Chloe, o Derek vai passar a noite? – Perguntou-me.

Olhei para Derek e depois novamente para Dylan.

- Não sei, porquê?

- Bem, porque se o teu namorado passar a noite, então a minha namorada também pode, certo? Quer dizer, é justo.

Bem, as manhas que o meu irmão arranja para me pedir coisas…

- Sim, é justo.

- Fixe.

Fez um grande sorriso e aproximou-se do telefone, que estava em cima da bancada.

- O Derek não passa a noite – disse-lhe.

- Oh – ouvi, vindo de Derek e de Dylan.

- És uma desmancha-prazeres – disse Dylan, a sair da cozinha.

 

Desculpem se ouver erros :x

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