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Together as One

por Andrusca ღ, em 02.04.11

Capítulo 22

Problemas * Parte 2

 

Ellie

 

Não podia acreditar, isto não estava a acontecer, não estava, não estava.

Queria acordar segura na minha cama, a ouvir o meu despertador berrar aos meus ouvidos, nem que fosse para ir ter a mais chata das aulas.

Queria a segurança do meu quarto.

Engoli em seco, isso não ia acontecer.

Olhei para Danny de soslaio, se o olhar matasse ele estava agora aqui, estendido no chão, mais morto que um esqueleto de duzentos anos.

Nem acredito como me deixei ir na conversa dele, de como era boa pessoa, compreensível, amigo… eu fui uma cega! Uma parva! Quis acreditar num conto de fadas como aqueles que venerava quando era mais nova e acabei metida numa história de terror.

Queria chorar, queria gritar, queria sair daqui. Tinha medo, muito medo. Medo do que eles me fossem fazer. Medo do que me fosse acontecer.

E sentia raiva. Quilos e quilos de raiva. Apenas não sabia de quem mais: Michael, Danny, ou de mim. Por muito que os quisesse culpar apenas a eles, eu é que permiti que me atingissem tanto. Que chegassem tão perto. Especialmente Danny.

Senti os olhos ficarem enlagrimados. Não, eu não iria chorar. Não aqui, não com ele a ver. Disso tinha a certeza.

Podia sentir-me a desfalecer, podia sentir que o mundo estava a acabar e que nunca mais acreditaria em alguém, mas não lhe ia mostrar o sofrimento que me causou.

A carrinha parou num solavanco e ouvi as portas a abrir. Fechei os olhos com força, era agora, acontecesse o que acontecesse, iria acontecer agora.

Abri os olhos quando ouvi a porta abrir-se, e de seguida vi um rapaz mais velho que Danny, já não trazia o gorro, e tinha músculos de fugir para longe. Os braços estavam cheios de tatuagens. Olhei para Danny, tudo bem que tinha alguns músculos, mas o outro rapaz era um monstro autêntico.

- Boogy, vá lá, pára com esta palhaçada – disse Danny.

- Palhaçada? – O rapaz, Boogy, riu-se. Empunhou a pistola que tinha na mão em direcção a Danny e o meu coração disparou. Neste momento não gostava propriamente dele – aliás, a única razão por que estou a olhar para ele é porque nos fecharam juntos –, mas também não quero que leve um tiro.

- Andem lá – disse outro, que apareceu por trás de Boogy. Não tinha tantos músculos, mas também não era o tipo de rapaz com que alguém se iria meter. Só se fosse um alguém muito estúpido. Um alguém como o meu irmão, um alguém como Danny… um alguém bastante estúpido mesmo.

Saímos da carrinha e entrámos para uma casa térrea. Era velha, tinha um aspecto desgastado, e a pintura das paredes estava a começar a cair.

- Entrem para ali – mandou o outro rapaz.

- Shane, meu, porque é que estão com estas tretas?! – Insistiu Danny. Shane… Shane, Boogy, Michael e Danny. Faltava outro.

Shane agarrou num braço de Danny e empurrou-o, vi pelos seus olhos que ficou furioso, mas aparentemente ainda tinha um neurónio a funcionar e decidiu não se revoltar contra o rapaz que tinha a arma. Se ao menos esse neurónio tivesse funcionado quando se meteu nesta alhada.

- Está aí alguém que deve ficar feliz com a vossa chegada – disse Boogy.

- Ele tem-se queixado demasiado – disse o único rapaz que eu não sabia o nome.

Não disseram mais nada e praticamente que nos empurraram para dentro de uma casa de banho. Eu fiquei logo de frente para a porta, que eles fecharam, e ouvi trancar em seguida. Estávamos tão feitos…

Suspirei. “Não Ellie, tu não vais chorar”, insisti.

- Ellie? – Ouvi. Pela primeira vez virei-me e vi Michael. Michael, meu grande idiota – Ellie o que é que… - ele aproximou-se enquanto falava e eu não o deixei acabar a pergunta, preguei-lhe um estalo na cara que de certeza que ia ficar marcada. E era bem feito – Para que é que foi isso?

- Michael, eu juro por tudo, se nós sairmos daqui eu vou-me garantir de te lembrar todos os dias que foste tu que cá me puseste! – Gritei-lhe.

- Como é que vieste cá parar? – Ele estava confuso. Ups, tinha-me esquecido que a inteligência não faz parte do seu organismo.

- Nós fomos raptados por eles – explicou Danny.

- Pois fomos, não me queres explicar como é que isso foi acontecer, pois não? – Perguntei, cheia de ironia.

- Eu não… - que descaramento, o desgraçado ainda se ia atrever a mentir-me outra vez!

- Ela sabe – interrompeu Danny –, mas não sei como. Como é que sabes?

- A sério? – Perguntou – Nós estamos presos numa casa de banho de uma casa no meio de nenhures, com três rapazes perigosos lá fora com armas, que querem qualquer coisa que nenhum de nós sabe o que é, e a única coisa que te lembras de perguntar é como é que eu descobri as porcarias que vocês andavam a fazer?! Sabem que mais? Façam-me um favor, os dois, não falem. Tipo, nada!

Abri caminho entre os dois e sentei-me em cima do tampo da sanita, com a cara apoiada nas mãos, e os cotovelos nas pernas.

O silêncio reinou por um bocado, mas sentia os dois pares de olhos presos a mim de uma maneira exagerada.

“Por favor Deus, faz com que isto acabe depressa”, pensei.

- Já podemos falar? – Perguntou Danny.

- Não – respondi.

- Ellie vá lá…

- Michael é melhor que pares aí mesmo. Eu fui raptada quando não tinha culpa nenhuma da porcaria que vocês os dois decidiram fazer. Eu sou a vítima aqui, ok? É a mim que eles podem violar ou vender ou…

- Tem calma mana – interrompeu ele, levando de imediato um olhar de raiva – Eles não vão fazer isso, aposto que só nos estão a tentar assustar.

- Pois, estão a conseguir – respondi – Mas afinal o que é que vos deu para se meterem com esta gente?!

- Não sei – admitiu Danny, dando um murro na porta em seguida, fazendo-me saltar de susto. Tudo bem, isto também não parecia estar a ser fácil para eles, mas isso não era culpa minha. Eu é que tinha sido apanhada nesta história toda sem ter qualquer ponta de culpa.

- É que se vocês se queriam armar em rebeldes podiam correr nus pela rua! – Continuei – Escusavam de andar a roubar pessoas e a matar donos de pousadas!

- Ellie, eu não…

- Eu sei Michael – eu sabia que ele não era um assassino. Mas mesmo assim, ele estava lá, ele sabia, ele foi cúmplice. Todos eles foram. E agora, se eu não delatar tudo à polícia, também o vou ser. – Mas eu… - suspirei – eu estou assustada.

- Eu sei mana… - ele aproximou-se e rodeou-me com o braço – Vai correr tudo bem.

- Não, não vai… - murmurei – Eu tenho um mau pressentimento, um pressentimento muito mau mesmo.

- Tem calma Ellie, nós vamos sair daqui, prometo – disse Danny, enquanto, ainda encostado à porta, se deixou cair sentado no chão.

- Danny – ele olhou para mim. Engoli em seco –, quero que saibas que se sairmos daqui…

- Quando sairmos daqui – corrigiu.

- Se sairmos daqui, seja o que for que pensaste que éramos, acabou. E Michael, para o teu bem, é bom que eu não saia daqui magoada, porque juro que…

- Me vais lembrar sempre disto – disse o meu irmão.

- E risco-te o carro – adicionei. Ele olhou para mim perplexo e eu dei de ombros. Vi um pequeno sorriso traçar-se nos lábios de Danny, e do meu irmão a seguir também. Ok, eu não lhe ia riscar o carro, mas achei que devia aliviar um bocadinho o ambiente, não queria passar os – prováveis – últimos minutos de vida num clima tão pesado.

 

Posto a parte 3 lá para a noite ^^

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