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Together as One

por Andrusca ღ, em 03.04.11

Este está um pouquinho maior...

Eu queria pôr uma música que achei que ficava aqui super bem, mas como não consegui, cliquem aqui para ouvir ^^

 

Capítulo 25

Pessoas Cometem Erros

 

Ellie

 

O pior tinha chegado: não podia continuar a faltar, dois dias tinham sido demais.

Suspirei enquanto tirava o lençol e os cobertores de cima de mim, era uma das poucas vezes quem que não queria ir para a escola.

Vesti uma roupa simples, não estava com paciência nenhuma para me embonecar. O meu cabelo foi solto, caindo natural, como a maioria das vezes. Vi a pulseira que Danny me tinha dado em cima da mesa-de-cabeceira, tinha que lhe devolver, por isso levei-a. Provavelmente nem lhe ia dar hoje, quase de certeza que o ia evitar durante o maior tempo que conseguisse… talvez a desse ao Michael para que este a entregasse.

Tomei o meu pequeno-almoço descansada, os meus pais nada falaram, e o meu irmão personificou um mudo na sua perfeição. Apesar de o ambiente entre mim e Michael estar pesado, os meus pais agiam como se nada de tivesse passado.

O meu irmão levou-me para a escola, a pedido – exigência – do meu pai, porém no caminho apenas se ouvia a música. Eu já não tinha nada mais para dizer, estava cansada de falar, cansada de ouvir, cansada de tudo.

Quando ele estacionou procurei Alyssa com os olhos, porém não a encontrei, e parei com eles em Danny, ficando logo com um nó na garganta. Eu amava-o, agora sim, era uma certeza. Mas não queria, por isso não ia deixar que esse amor continuasse, iria arranjar uma maneira qualquer de acabar com ele pela raiz, para que nunca mais voltasse. Eu amava-o, mas não o ia amar mais. Apenas descobri que o amava ontem, e já se está a mostrar demasiado desgastante. Estar chateada com ele assim é demasiado desgastante. Porém, neste momento, não consigo estar com ele de outra maneira.

Apressei-me a desviar o olhar, e desta vez avistei Trent, sozinho ao pé de uma árvore. Ele acenou-me e eu apressei-me a ir ter com ele, sem dirigir uma palavra ao meu irmão.

- Olá, as raparigas disseram-me porque faltaste ontem e anteontem – disse-me, dando-me um abraço – Como estás?

- Estou… vou ficar bem Trent – ele sorriu-me.

- Ainda bem.

Começámos a falar, e ele até me conseguiu pôr a rir, o que era incrível visto que não me sentia nada bem para o fazer. Acho que nunca tínhamos sido tão próximo quanto agora, pois só agora descobri o quanto gosto da sua companhia.

Às tantas começou a contar piadas, fazendo-me soltar uma gargalhada enorme, que de certeza toda a gente aqui à volta ouviu.

Apesar de me estar a divertir, não conseguia parar de sentir o olhar de Danny a preso a mim, e havia algo dentro de mim muito forte que me dizia para olhar também, porém não obedeci. Não ia olhar para ele, não o ia deixar saber o que significava para mim, não depois do que me fez passar.

- Vamos para ao pé da sala? – Perguntou Trent.

- Vamos.

Começámos a andar, porém poucos passos depois tropecei e ele amparou-me, abraçando-me. Olhei-o nos olhos e sorri, ele fez o mesmo.

- Obrigada – disse, desviando-me dele.

O sorriso dele desvaneceu-se quando olhou para trás de mim, e só depois voltou a fitar-me e a falar.

- O amigo do teu irmão não pára de olhar para aqui – disse ele. Eu sabia que era Danny, mas mesmo assim olhei, não que precisasse de uma confirmação.

Ele não despegava o seu olhar do meu, o que me fez baixar os olhos para a relva e abanar a cabeça, ao sentir de novo as lágrimas a quererem inundar-me os olhos e saírem cá para fora. Mas não ia deixar. Não ia derramar mais uma única lágrima que fosse por ele.

Engoli em seco.

- Ele que olhe – disse, a Trent –, não tenho nada a ver com ele.

Puxei-o pelo braço e entrámos para a escola.

 

Danny

 

Michael estava a falar sobre qualquer coisa, mas sinceramente eu estava tudo menos interessado. Só sabia porque ouvia um sussurro vindo da sua boca, mas como não estava a prestar atenção até me podia estar a chamar nomes.

A minha atenção estava toda vidrada em Ellie. Estava-se ali a rir e a falar com um paspalho qualquer, como se estivesse toda feliz da vida e não se tivesse passado nada. Talvez até estivesse feliz da vida. Talvez livrar-se de mim fosse o que sempre desejou.

Cada gargalhada que ela dava era como uma faca a vir directa ao meu peito. Lamechas, eu sei, mas este é o efeito que aquela miúda provoca em mim.

Iam a andar quando se abraçaram. Que raiva, quem é que aquele gajo pensa que é para estar assim agarrada à minha miúda?! “Ela não é tua Danny”, disse-me o meu pensamento, para minha grande tristeza. É verdade, ela é tudo menos minha.

Olhou para mim, e por momentos posso jurar que vi dor também nos seus olhos, tal como se reflectia nos meus, mas então disse qualquer coisa e foi-se embora com o gajo. Que inferno!

- Meu?! – Ao dizer isto Michael deu-me uma chapada no braço que me fez dar dois passos à frente.

- O que foi?! – Reclamei.

Ele suspirou.

- Queres falar? – Perguntou, revirando os olhos.

- Sobre o quê? – Olhei para ele.

- A minha irmã. Eu não sou estúpido meu, porque é que achas que te deixei aproximar tanto dela? – Voltou a suspirar. Ai que a conversa estava a ir pelo rumo errado – Eu sei que gostas dela, mano.

- Não quero falar sobre isso – voltei a olhar para a frente. Este era definitivamente um assunto no qual não íamos entrar.

- Mano – ele puxou-me o braço, virando-me para ele –, qual é a cena?

- Gajos não falam sobre estas cenas – afirmei – Não estou a morrer, hei-de sobreviver.

Ele sorriu.

- A razão por vos ter deixado ficar tão próximos foi porque tu eras bom para ela. E ela para ti. Ambos saíram um bocado da vossa zona de conforto, e isso foi bom.

- Michael, a sério, vamos acabar a conversa por aqui.

- Estou só a dizer que ela gosta de ti, mas se não queres ouvir então…

- Ela o quê? – Ela gosta de mim? Terei ouvido mal? – Repete lá.

- Meu, porque outra razão é que ia ficar assim tão chateada? Acorda p’rá vida pá!

- Obrigada meu! – Dei-lhe um chapada no braço como que um agradecimento e corri até a conseguir alcançar. – Desculpa lá pá, mas tenho que a levar por um bocado – nem esperei pela resposta do trambolho que a acompanhava e agarrei-lhe no braço, puxando-a para fora da escola de novo.

- Danny, que raios é que estás a fazer?! – Gritou-me, durante todo o caminho – Larga-me!

- Vais-me ter que ouvir, desculpa lá, mas vais – disse-lhe, quanto a trazia.

Ela começou a fazer força para não se mover, por isso peguei-a, pondo-a por cima do meu ombro. Ela, como era de esperar, começou a espernear. “Podes espernear o quanto quiseres, vais-me ouvir até ao fim”.

Apenas a pousei quando chegámos a um sítio sem ninguém, e ela olhou-me como se me estivesse a fuzilar com os olhos. Quem sabe, talvez estivesse a tentar.

- Ellie, por favor, apenas ouve-me.

- Tens 30 segundos, e só porque já sei que se não te ouvir o Michael vai-me chatear quando chegar a casa.

 

Ellie

 

- Ok, 30 segundos chegam – disse-me.

- Cinco já passaram – afirmei.

- Ellie, as pessoas cometem erros. E eu sou uma dessas pessoas. Meti-me em coisas que não devia e saí mal desta história toda. Mas estou arrependido, juro que estou. E nunca mais me meto em nada do género. Por favor, imploro-te, perdoa-me.

- Isso é o melhor que consegues? Um discurso minúsculo e o sorriso de garanhão? Vai passear Danny.

Dei meia volta e dois passos, porém a sua voz voltou a soar, e como não gostei do que ouvi parei.

- Desculpa se nem todos podemos ser perfeitos – tinha murmurado ele.

- Desculpa?! – Voltei-me de novo para ele e voltei a aproximar-me – Eu nunca disse que tinhas que ser perfeito, mas era pedir muito que não fizesses tanta asneira?!

- Vais-me dizer o quê? Que nunca fizeste nada de mal? Poupa-me Ellie, tu não és santa nenhuma, por isso pára de me julgar quando ambos sabemos que me queres perdoar e acabar com isto tudo. Pára de tentar agir de acordo com o que achas que é certo, pára de tentar ser tão perfeita!

- Eu não sou perfeita! – Gritei. Ele sabia perfeitamente o quanto eu detestava que me chamassem isso, fosse em que circunstância fosse.

- Pois não – agora soava chateado. Perfeito, sim, porque ele é que tem os motivos todos para estar zangado –, não és. Sabes porquê?! Porque nunca fazes nada daquilo que queres! Porque apenas fazes o que achas que os outros vão gostar! Tu não és perfeita… és apenas uma boa actriz.

Fiquei sem resposta. Nada do que ele tinha dito estava errado. Tudo não podia estar mais certo. Fiquei apenas especada, feita parva, sem saber o que responder.

- Mas eu amo-te da maneira como és – afirmou, consciente do que tinha dito. Engoli em seco. Ele ama-me? Que sentia algum carinho por mim já tinha percebido, mas amar-me? Amar-me ainda não tinha percebido.

Engoli em seco de novo, sentia que o estômago me ia sair pela garganta a qualquer momento, enquanto que o meu coração trabalhava a duzentos.

Ele deu um passo em frente e agarrou-me na mão, e eu nada fiz. Porquê? Porque é que não larguei a mão dele? Porque é que não reagia?

Não tardou a beijar-me, e pela primeira vez desde que o ouvi falar, que reagi. Mas não como pensei ao início. Ao invés de o afastar e de lhe mostrar o quão chateada ainda me sentia, correspondi ao beijo. Senti-o sorrir quando se desviou de mim, porém eu não o fiz. Isto não ia voltar a acontecer, eu não conseguia, apesar de ser a única coisa que queria fazer. Eu não o conseguia perdoar. Era tudo demasiado recente. A ferida estava demasiado aberta.

- Então… estou perdoado? – Perguntou. – És a minha namorada?

- Eu amo-te… - proferi. Apesar de tudo, ele merecia saber a verdade –, mas não vou mudar. Não vou parar de ser “a filha perfeita” como todos dizem, ou uma boa aluna, e definitivamente nunca me vou tornar numa ladra. E tu também nunca vais mudar. És quem és. Por isso não… eu não sou a tua namorada… ou tua amiga – notei os seus olhos a ficarem enlagrimados por isso fui forçada a dirigir o meu olhar para baixo, para que não começasse também a chorar. Talvez estivesse a ser demasiado dura, mas tal como ele disse, eu tinha que fazer o que achava que era melhor para mim, mesmo que só desta vez – Nós nunca vamos resultar. E tu arriscas demasiado. Mas tens sorte. Mas um dia a sorte vai acabar, e eu não quero estar por perto nesse dia porque… não ia aguentar ver-te a ir para a cadeia ou algo parecido, percebes? Por isso não, não podemos ficar juntos. Porque não somos compatíveis.

Notei nos seus olhos que estava magoado, mas não podia evitar, era a verdade e tinha que ser enfrentada. Este era um daqueles momentos em que preferia desatar a chorar ou esconder-me em vez de me fazer de forte e adulta. Mas não podia, não em frente a ele.

- O sol e a lua raramente se encontram – disse-lhe, estendendo-lhe a pulseira que me tinha oferecido no meu aniversário, coisa que ele não agarrou. “Eclipses são raros”, pensei – Danny aceita.

- Foi uma prenda – disse. A sua voz deixava transparecer perfeitamente a dor que sentia, e eu tive que me esforçar ao máximo para não deixar as lágrimas correrem –, é tua.

Assenti com a cabeça e comecei a afastar-me lentamente, e não conseguindo conter mais as lágrimas, deixei-as começar a cair. Tinha quebrado a minha promessa uma vez mais, tinha voltado a chorar por ele.

 

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