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Together as One

por Andrusca ღ, em 04.04.11

Capítulo 26

A Melhor Amiga

 

Ellie

 

Contemplei os portões do colégio como se fosse a primeira vez que os via. E talvez desta maneira sim, fosse. Sempre olhei para eles como algo que me prendia, que não me dava outra alternativa a não ser obedecer-lhes e ficar lá dentro, mas agora não queria sair. Queria entrar.

Ao fundo vi a Madre aproximar-se lentamente, sabia que as aulas de hoje já se tinham dado como terminadas, logo ela não arranjaria qualquer desculpa para me impedir de fazer o que cá tinha vindo fazer.

Ela aproximou-se lentamente demais das grandes e olhou-me. Eu sorri-lhe, porém ela permaneceu estática como uma estátua. Por mais que pensasse, não me conseguia lembrar de uma única vez em que esta mulher tivesse mostrado um sorriso.

- Madre – cumprimentei –, é bom voltar a vê-la.

- Eleanor Davies… - murmurou, entre dentes – O que a trás cá?

- Estava com esperança que me disponibilizasse algum do tempo da Katherine, por favor.

- E porque deveria fazer isso? Se bem me lembro a menina já não frequenta este colégio, devia deixar a menina Katherine estudar e empenhar-se.

- Eu sei Madre mas… só porque já não estudo aqui, não quer dizer que não sinta falta de algumas das coisas de cá. Por favor Madre, imploro-lhe.

- Muito bem. É uma excepção, e apenas porque me encontro de bom humor – Esta mulher de bom humor? Duvido muito. Tirou uma chave de baixo do hábito (onde a tinha guardada não sei, nem quero imaginar) e abriu o portão – Seja breve.

- Obrigada Madre.

Comecei a andar a um passo rápido em direcção aos dormitórios, e apenas quando vi que já não estava no alcance de visão da Madre é que comecei a correr. Queria estar com Kath, tinha saudades dela, precisava dela e das palavras que sempre sabia dizer para me animar.

Percorri o longo corredor de quartos a correr e quando cheguei à porta do seu, que o ano passado também me pertencera a mim, bati duas vezes.

Quem a abriu foi uma rapariga loira, a sua nova colega de quarto, supus eu. Perguntei-lhe onde Kath estava e ela disse-me que tinha ido dar um pequeno passeio ao jardim. Sorri, apesar de o jardim ser enorme, eu sabia onde a encontrar.

Desta vez fui obrigada a ir a andar, o caminho até ao jardim estava sempre cheio de freiras, e se bem me lembro, elas não costumavam ter um humor muito bom.

Fui até ao banco “dos segredos”, como eu e Kath o baptizámos, e avistei-a lá sentada. A razão para lhe termos dado um nome destes foi porque foi neste sítio que começámos realmente a confiar uma na outra, foi aqui que nos tornámos verdadeiramente melhores amigas, o sítio em que partilhámos inúmeros segredos.

Sorri, queria abraçá-la.

- Kath – chamei, enquanto me aproximava. Ela virou-se para trás devagar, e assim que pousou os olhos em mim um sorriso gigante desenhou-se nos seus lábios.

- Ellie?! Oh meu Deus! – Guinchou, enquanto se levantava e me esmagava ao abraçar-me. – Não acredito que estás aqui, tenho tantas saudades!

- Também eu! – Garanti, abraçando-a também – Oh Kath, não podemos ficar separadas tanto tempo.

Sentámo-nos as duas no banco a rir a conversar sobre coisas do colégio e da minha nova vida fora dele, e por momentos esqueci todos os problemas e uma das razões pela qual vim. Até que ela me relembrou.

- Quando vi a notícia na televisão fiquei tão preocupada Ellie – disse ela –, pensei mesmo que te tivessem magoado. Como estás?

- Eu estou… - abanei a cabeça e suspirei – se queres que te diga nem sei.

- O Danny estava envolvido, não era? Tens que me contar essa história toda direitinha.

- Aparentemente ele desistiu dos assaltos, e o Boogy vingou-se ao raptar-me, mas ele estava comigo por isso foi também. E então pensaram que o meu irmão se ia revoltar e olha, ficámos os três presos numa casa de banho. Eles pediram resgate, mas demoraram muito tempo ao telefone e a polícia localizou-nos. Mas o Danny levou um tiro.

- O quê?! Ele está bem?

- Está, foi de raspão. Mas mesmo assim, aquela bala era para mim…

- Vês? Ele foi querido, está arrependido e gosta de ti. Porque é que não lhe dás mais uma oportunidade Ellie?

- Tu não sabes como é Kath, ele mentiu-me, escondeu-me coisas, e o pior é que se eu não tivesse descoberto tudo, nada teria mudado. Ele ia continuar a mentir, ia continuar a…

- Calma lá. Tu disseste que ele se estava a afastar dos assaltos… ele disse porquê? – Senti-me a corar, e ela sorriu, tinha percebido. – Por tua causa… ele ama-te Ellie.

- Eu sei – corei ainda mais –, ele disse-me.

- O quê?! – Gritou.

- Meninas, pouco barulho! – Resmungou uma freira que passava por nós nesta altura.

- Desculpe Irmã Constantine – dissemos as duas, ao mesmo tempo.

- O que é que tu lhe disseste?! – Perguntou Kath, mais entusiasmada que sei lá o quê.

- Eu disse-lhe que… - parei por um pouco e ela ficou expectante a olhar para mim – eu disse que também o amava, mas que não podíamos ficar juntos, que não o conseguia perdoar, que…

- O quê?! – Deu-me um calduço – Mas tu és parva?! Então tu tens um gajo daqueles atrás de ti e dizes isso? Achas que ele vai esperar para sempre, é?

- Não Kath, eu só… - respirei fundo – Nós ficávamos juntos, e depois o quê?

- Oh, já percebi… - ela abanou a cabeça e suspirou, ao mesmo tempo que agarrou nas minhas mãos com as suas – Estás preocupada com as outras pessoas. Ellie, eu sou a tua melhor amiga, certo?

- Claro.

- Então posso-te dar um conselho?

- Podes, claro.

- Desde que éramos pequenas, mesmo antes de nos darmos tão bem quanto agora, que me lembro que sempre te preocupaste demasiado com o que as pessoas queriam e pensavam. Então e tu? O que é que tu queres, o que é que achas? Achas que ele pode ser bom para ti?

- Eu… eu não sei Kath, eu…

- Não penses em mais nada. Não penses nos teus pais, nem no Michael, em mais ninguém a não ser em tu e ele. Como te sentes quando estão juntos? Como te sentes ao beijá-lo ou quando o vês a aproximar-se? Ellie, pensa em ti.

- Eu sinto-me… - parei um pouco para pensar. Como é que me sentia? Sentia que podia perder as forças a qualquer momento, ou que as palavras não iam sair. Sentia-me mais ou menos como um esquentador, num momento a escaldar, e no outro, completamente gelada, cheia de arrepios. Sentia-me como se ele desaparecesse parte de mim era bem capaz de ir com ele. Quando o beijava era como se não houvesse mais nada à volta, não haviam pais com expectativas, nem irmãos que podiam não gostar, nem professores, nem estudos, nem anda. Era apenas eu e ele, e esses breves momentos eram perfeitos. E quando foi alvejado… quando levou aquela bala por mim senti-me capaz de desaparecer para um vazio do qual nunca conseguiria regressar. Se ele tivesse morrido, sinto que podia ter morrido com ele.

Como me sinto? Sinto-me apaixonada apesar de detestar muitas das suas atitudes, sinto-me na lua apesar de ele me fazer ter que descer à terra por causa das confusões que arranja, sinto-me bem apesar de muitas vezes sentir que o odeio e querer chorar.

Sinto que o amo.

- Ellie, ainda aqui estás? – Perguntou ela, abanando a mão em frente aos meus olhos.

- Sim – respondi – Eu sinto que… - pressionei os lábios, um no outro – Kath, eu sinto que o amanhã até pode ser um desastre, mas que se o tiver comigo vou ultrapassar. Sinto que não consigo estar sem ele mesmo nos momentos em que não o posso ver à frente.

- Tu ama-lo.

- Sim, amo. Mas…

- Não penses mais. Sem “mas”. Fica apenas com isso, com essa certeza. Tu ama-lo, o resto não interessa.

Sorri-lhe pela milionésima vez e lembrei-me de novo a razão por a adorar tanto.

- Adoro-te – disse, abraçando-a – Obrigada.

- Também te adoro querida.

Ficámos mais um pouco na conversa, mas ao anoitecer o meu telemóvel tocou e Jules disse que os meus pais queriam que voltasse para casa.

Caminhei rapidamente, estava a começar a ficar frio.

Quando cheguei fomos jantar, e os meus pais disseram que amanhã – sábado –, vinha cá um associado do meu pai na firma de advocacia almoçar, com a esposa. Estou mesmo a ver, vai ser dos almoços mais aborrecidos da minha santa vida.

Depois do jantar Michael foi para o seu quarto, e eu segui-o. Quando ia a fechar a porta, viu-me e ficámos os dois parados, a olhar um para o outro.

- Posso entrar? – Pedi.

- Claro.

Sentámo-nos os dois na cama e o silêncio reinou, até que de um momento para o outro me virei para ele e o abracei. Ele podia ser um idiota tremendo, um rapaz sem um único neurónio de jeito, um ladrão e um cúmplice de assassínio, mas era meu irmão e eu adorava-o. Apesar de não o dizer muitas vezes em voz alta.

Senti-o sorrir, enquanto me apertava mais.

- És um idiota Michael Davies – disse-lhe, ao ouvido – Nunca mais me faças ter que chatear contigo desta maneira outra vez, ouviste? Nunca mais faças uma asneira destas.

- Prometo mana, prometo – sussurrou, também ao meu ouvido, enquanto me apertava mais.

 

Hoje já não posto mais nenhum,

mas tenho que vos dizer que a história está quase quase a acabar.

Faltam 4 capítulos, se calhar acabo de a escrever hoje...

Mais logo posto sneak peak ^^

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