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Together as One

por Andrusca ღ, em 04.04.11

Deve estar alguém para morrer... ou então sou eu que não consigo dizer não quando tenho pessoas tão insistentes como a The True e a annie a insistirem para postar...

Podem agradecer-lhes a elas...

 

Capítulo 27

Vingança

 

Danny

 

“Eu amo-te…, mas não vou mudar. Não vou parar de ser “a filha perfeita” como todos dizem, ou uma boa aluna, e definitivamente nunca me vou tornar numa ladra. E tu também nunca vais mudar. És quem és. Por isso não… eu não sou a tua namorada… ou tua amiga”, as palavras dela não me saíam da cabeça, estivesse eu onde estivesse. Ouvia-as na escola, em casa, enquanto andava de mota, em todo o lado.

E o pior era que ela provavelmente estava certa. Eu tinha arruinado tudo, estragado qualquer hipótese que alguma vez pudesse ter de fazer isto resultar, e agora era tarde demais para mudar. Além de que eu nunca lhe pediria para mudar um único fio de cabelo por mim. Eu gostava dela assim como era. Tudo o que pedia era que me aceitasse também como sou.

Ela disse-me que me amava… mas qual é o interesse? De que me vale saber que me ama se as coisas continuam todas viradas do avesso?

E o pior é que assim ainda me custa mais. Custa-me saber que me ama e o quanto a magoei, do que quando pensava que simplesmente nutria ódio por mim.

Acho que nunca estamos satisfeitos com o que temos.

Suspirei e levantei-me da cadeira da secretária, tinham passado dois dias desde a última vez que tinha falado com Ellie, e como tenho andado meio em baixo o Michael disse-me para ir ter à casa dele para irmos sair. Claro que não foi uma ideia de génio: ela vai lá estar. Mas ele garantiu-me que às horas que eu lá ia ter, ela já estava a dormir. Não sabia como reagir se a visse. Não saberia o que dizer.

Já estava quase na hora, saí de casa e percebi por as luzes estarem todas apagadas, que Alice já se tinha ido deitar.

Montei-me na minha moto, a única menina que nunca me julgou e sempre esteve comigo, e conduzi em direcção à casa de Michael.

Estacionei quase ao pé da entrada, e comecei a andar com uma sensação estranha. Olhei para trás mas nada, que estranho, devo estar a ficar maluco outra vez.

Quando voltei a olhar para a frente fui atingido por um taco de baseball mesmo no estômago, o que me fez cair de joelhos, e em seguida levei com um murro na cara.

Já meio deitado no chão, olhei para cima. Se não tivesse um orgulho tão alto tinha começado a gritar por ajuda, e talvez tivesse sido melhor, mas nem isso consegui fazer. A raiva que me invadiu foi tanta que nem consegui reagir para fazer nada. Como é que ele estava aqui?! Como é que tinha escapado?!

- Boogy – murmurei, entre dentes, com a repulsa bem explicita na voz.

- Não pensavas que te escapavas assim tão facilmente, pois não? – Perguntou ele. Este gajo metia nojo, merecia morrer!

- A vingança é uma cabra – disse outra voz, ao mesmo tempo que vi um par de botas pretas chegarem ao pé das de Boogy. Shane… aquele desgraçado filho da mãe.

- Vocês não se vão safar! – Tentei levantar-me mas senti uma pancada demasiado forte na cabeça, que me fez cair de novo no chão. Ia desmaiar, conseguia senti-lo. Eles estavam mesmo perto da casa dela… e se a magoassem? E se quisessem vingar-se dela também?

Ellie…

 

Ellie

 

Depois do momento de fraqueza junto ao meu irmão, e de lhe ter dito que o perdoava, fui para o meu quarto e liguei a televisão para não estar tanto silêncio enquanto fazia os trabalhos de casa. Queria despachar-me já deles, visto que amanhã ia ser aquele almoço com o colega do meu pai.

- E agora, uma notícia de última hora. Foi agora descoberto que dois ladrões pertencentes ao gang que andou a espalhar o terror pela cidade escaparam há poucas horas da custódia da polícia.

Estagnei por completo. O quê?! Aumentei mais o som e dirigi toda a minha atenção para a televisão.

- Os rapazes de vinte anos, Shane, e um que se denomina de Boogy – apareceram as fotografias no ecrã – são perigosos, já mataram inclusive um homem. É pedido que caso aviste um destes criminosos os denuncie imediatamente.

Não podia ser. Não podiam ter fugido, e agora?  

Danny.

Senti-me a tremer da cabeça aos pés. Eles iam atrás do Danny. Iam atrás da pessoa que os tinha feito serem apanhados. Engoli em seco, não lhe podia acontecer nada, não sei o que faria a seguir, o que seria de mim. Não o podia perder, não agora que finalmente percebi o que sinto por ele.

Agarrei no meu telemóvel e telefonei-lhe, mas não atendeu. Tentei de novo, nada.

A próxima hora foi passada em desespero, e a minha voz nem soou minha quando disse “boa noite” à minha mãe, que cá tinha vindo perguntar-me se não ia dormir.

Respirei pesadamente, eu tinha que ir à casa dele, tinha que me certificar que estava bem.

Despi o meu pijama e vesti um fato de treino azul claro com uma blusa branca por baixo do casaco, e calcei os meus ténis brancos da Nike. Fiz um rabo-de-cavalo, agarrei nas chaves de casa e no telemóvel e meti-os dentro do bolso do casaco.

Fui até à minha varanda para fechar a porta, quando reparei que dois moços estavam a dar porrada num, que estava todo dobrado no chão. Apesar vi quem eram quando deram com o taco de baseball na cabeça de… Danny. Oh não, era demasiado tarde, eles já o tinham apanhado.

Corri até ao quarto do meu irmão, que estava no computador, e nem pedi licença para entrar.

- Michael, as chaves do teu carro? – Perguntei.

- Para quê?

- Onde estão as chaves do teu carro?! – Gritei-lhe, completamente em pânico. Ele viu que eu não estava para brincadeiras.

- Está no mecânico, juntamente com o carro.

- O quê?! – Até fiquei sem voz. Estúpido, estúpido, estúpido! Ele nunca leva a porcaria do carro à oficina, e tinha logo que o ir lá deixar hoje!

- Ellie, o que aconteceu?

- Não tenho tempo para explicar, anda comigo – puxei-o até à porta do quarto dos meus pais e abri a porta devagar. Eles já dormiam completamente descansados.

- O que é que vais fazer, estás louca?! – Sussurrou-me o meu irmão.

- Cala-te! – Mandei.

Caminhei em silêncio até às calças do meu pai, que estavam em cima da cadeira, e de lá de dentro tirei as chaves do seu querido e adorado mercedes.

- Anda lá! – Mais uma vez puxei o meu irmão, após voltar a fechar a porta do quarto.

- Ellie, o que é que se está a passar?! – Ele já não estava a achar piada nenhuma à coisa, sinceramente nem eu.

- O Boogy e o Shane fugiram da prisão. Eles têm o Danny e estão prestes a… - nisto ouviu-se uma carrinha a arrancar em grande velocidade, o que me fez correr ainda mais, puxando o meu irmão atrás, até à garagem – Eles vão-se vingar dele Michael, temos que fazer qualquer coisa.

Abri a garagem e entrei para o lugar do condutor, e ele para o do pendura.

- Tu sabes conduzir?! – Perguntou-me, espantado.

- Desde há um ano – garanti, ligando o carro e desatando a acelerar.

 

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