Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Together as One

por Andrusca ღ, em 05.04.11

Eu ia postar mas cedo, mas não deu :x

O tão esperado capítulo... o penúltimo....

Hope U Like It

 

Capítulo 29

Confissões

 

Ellie

 

- Menina, acorde! – Ouvia, enquanto me sentia ser abanada. Mas estava sonolenta demais para pensar como deve de ser.

- O que foi? – Perguntei, abrindo os olhos devagar.

- A menina deixou-se de dormir outra vez! Já a tinha vindo dizer para ir tomar o pequeno-almoço e a menina tinha dito que já ia. E lá fui eu às compras a pensar que ia mesmo, e agora chego e vejo-a assim? Vá lá, levante-se que está quase na hora do almoço dos seus paizinhos.

- Jules… estou cansada – bocejei.

- Pois, pois, o que terá andado a fazer ontem à noite… - revirei os olhos. E de repente lembrei-me do mercedes. Ai mãezinha – Jules, o meu pai já saiu no carro?!

- Não, o seu pai só vai sair depois do almoço. Porquê?

- Nada, nada. Podes ir, eu vou tomar um banho e já desço para o almoço. Prometo.

- Muito bem. Não se demore, os convidados já devem estar prestes a chegar.

Quando ela saiu, arrastei-me para a casa de banho e meti-me dentro da banheira com água até ao pescoço. Sentia que ia adormecer a qualquer instante.

Lembrei-me de Danny, como estaria? Ainda hoje queria falar com ele, mas antes tinha o almoço, não podia decepcionar os meus pais, apesar de ter uma vozinha que me dizia para fazer o que queria. Mas tive que a ignorar, não podia decepcioná-los assim.

Saí do banho e vesti umas calças de ganga e uma blusa azul-turquesa de meia-manga, estava calor. Calcei uns All-Star e fiz uma trança no cabelo, para o lado.

Fui até ao quarto do meu irmão e ele estava-se a vestir.

- Vais ao almoço, certo? – Perguntei.

- Certo. Não te vou deixar lançada aos leões, vou-me redimir do pesadelo que te fiz passar – ambos nos rimos. Ainda bem que assim era.

Esperei que se vestisse e descemos os dois juntos, aproveitei para deixar as chaves do mercedes em cima do móvel do hall.

O colega do meu pai e a esposa já cá tinham chegado, estavam sentados no sofá juntamente com os meus pais à nossa espera. Ele envergava um fato cinzento e tinha uma cara de quem era bastante profissional, já ela estava com um vestido bastante fino, mas parecia mais sociável que ele.

Sentámo-nos à mesa e começámos a apreciar os deliciosos cozinhados da Jules. O meu irmão estava ao lado da minha mãe, que estava à minha frente, e o meu pai e o colega estavam cada um numa ponta da mesa, enquanto que a esposa do colega estava ao meu lado.

Nem me lembro de como a conversa começou, só sei que depressa chegou a mim e ao meu futuro.

Esta era a coisa que mais detestava em todos estes almoços com gente adulta.

- E quando acabar o curso tem logo um lugar à espera – disse o colega do meu pai.

- Sim, claro. Nós ensinamos o básico, mas ela também parece aprender rápido – concordou o colega.

- Sim, sim, é bastante inteligente. Vai dar uma excelente advogada…

- Então e namorados? – Perguntou a esposa do colega do meu pai.

- Não, ela ainda é bastante nova para isso – disse a minha mãe.

- Suponho que queira netinhos, não?

- Sim, óbvio, talvez se case aos 28, como eu – riu-se – E vai ter dois filhos, no mínimo.

A partir daqui parei de ouvir completamente o que diziam. Apenas ouvia vozinhas irritantes ecoarem no meu cérebro. Mas quem é que eles pensavam que eram para se intrometerem assim na minha vida? Só eu tenho o direito de decidir o que fazer com ela. Eu!

Suspirei, Danny tinha razão; Michael tinha razão; Kath tinha razão; todos eles estavam certos. Eu preocupava-me demasiado com os outros. Tentava sempre fazê-los ficar felizes às minhas custas. Isso ia acabar. Nunca mais iria suprimir as minhas vontades para fazer com que os outros ficassem contentes. Esta fachada acabava aqui.

Já estava a ficar farta que falassem da minha vida. Do meu futuro. Estava cansada de terem tantos planos e de nunca pedirem a minha opinião.

Levantei-me bruscamente e apoiei as mãos na mesa, enquanto todos me olhavam com os olhos arregalados.

- Já chega! Mãe… pai… eu não quero ser advogada – disse, por fim. Eles pareceram escandalizados – Eu odeio Direito, e se me conhecessem minimamente saberiam disso. Quero ser pediatra. Desde pequena que é o meu sonho! – Agora pareciam ainda pior, mas não me podia calar agora que tinha finalmente arranjado coragem para dizer tudo – E bati com o Mercedes. – Pensei que fosse dar um colapso ao meu pai, mas lá se aguentou. Provavelmente por não estarmos sozinhos – E até ao final do dia de hoje, estou a planear ter um namorado, por isso lidem com o facto de eu não ser a filha perfeita!

Michael fazia um esforço para não se desatar a rir, enquanto os meus pais estavam para morrer.

Dito isto, saí da mesa e, ignorando as chamadas da minha mãe e advertências ao meu comportamento, saí de casa e comecei a correr.

Sabia que a partir de agora a minha vida iria mudar drasticamente. Para começar iria provavelmente receber o meu primeiro castigo. E por isso tinha que falar com Danny antes que ele fosse proclamado.

Corri o mais que pude, mas a meio do caminho tive que parar. Estava esgotada, era uma distância demasiado longa.

Caminhei mais devagar por poucos minutos e dei uma grande golfada de ar, retomando a corrida. Tinha que chegar a ele o mais depressa possível. Agora era tudo o que desejava.

Finalmente comecei a avistar a casa dele, e isso ainda me deu mais força para correr ainda mais. Quando cheguei à porta estava completamente esgotada. Toquei uma vez à campainha e quem me abriu a porta foi a Alice.

- Alice… - parei para respirar – o Danny… o Danny está?

Bolas, estava mesmo sem ar e estafada.

- Sim menina, está no quarto.

- Obr.. obrigada.

- Não quer um copo de água?

- Não, obrigada.

Subi as escadas e parei estática em frente à porta do seu quarto. Eu queria-lhe dizer tanta coisa mas tanta coisa, que nem sabia por onde começar. Senti o meu coração disparar, e se ele já não quisesse saber de mim?

Não, eu não podia pensar assim.

Bati mas não obtive resposta nenhuma, por isso abri cuidadosamente a porta. Ele estava deitado na cama, com umas calças de ganga e um bocado dos boxers à mostra, e em tronco nu, deixando à mostra aqueles abdominais todos super bem definidos, e dormia como um anjinho.

Um arrepio percorreu-me o corpo. “Controla-te Ellie, que ele é lindo já tu sabias”, repreendi-me.

Engoli em seco e fechei a porta, aproximando-me dele.

- Danny – chamei.

Ele nada disse, apenas se virou um pouco. A cara já não estava tão inchada, mas um lábio ainda estava um pouco. Coitadinho…

- Danny, acorda – pedi.

Mais uma vez nada de resposta. Ai eu não acredito nisto.

Sentei-me na cama a seu lado e curvei-me, tirando-lhe uma madeixa de cabelo dos olhos. Fiquei com a mão na sua cara, eu amava-o, era a única certeza que tinha. A única que precisava.

Aproximei os meus lábios da sua bochecha e dei-lhe um beijo ao de leve. Ele mexeu-se mais uma vez e resmungou qualquer coisa que não percebi. Sorri.

- Acorda tonto, tenho que falar contigo – disse, baixinho.

O peito dele encheu-se de ar, que foi depressa despejado, e mais uma vez estremeceu.

- O que foi? – Perguntou, ensonado. Podia estar a falar, mas ainda não tinha acordado, era impossível.

- Danny, eu acabei de correr o caminho todo da minha casa até aqui, por amor de Deus, acorda – disse-lhe.

- Hum? Ellie? – E de repente abriu os olhos e deu um pulo enorme – Ellie!

Eu ri-me, não consegui evitar.

- Podemos falar? – Perguntei.

- Claro… - respondeu, bocejando – Há quanto tempo é que aqui estás?

- Não muito. Ouve Danny eu…

- Não te devias ter arriscado tanto ontem – interrompeu-me. Bah, detesto quando faz isto. Mas amo-o na mesma. “Ok rapariga, controla-te” –, foi uma situação demasiado perigosa e…

- E eu amo-te por isso não me importo – Se ele me podia interromper, eu também o podia. Não era nada se não justo.

Notei que ficou surpreendido com esta minha afirmação, e ficou calado à espera que continuasse. Haja uma vez em que não tem nada para dizer.

- Pensava que não te conseguia perdoar… pensava que não podíamos ficar juntos por sermos tão diferentes mas… eu estava errada. Eu amo-te pelas diferenças que há entre nós. E não mudava uma única coisa em ti. Porque quando ontem te vi ser levado, e ouvi o tiro, pensei mesmo que te tinha perdido para sempre e… - parei de súbito e respirei fundo. Pensar nisto fazia-me querer chorar. Mas porque é que ando tão lamechas? – O que interessa é que eu disse coisas em que não acreditava. Coisas que sei que te magoaram. E peço desculpa. Não sou perfeita, também cometo erros. Desculpa-me, eu… - fui interrompida quando os seus lábios se juntaram aos meus, mesmo sem estar à espera. Porém ele estremeceu e desviou-se logo em seguida.

- Desculpa, o meu lábio… - abanei a cabeça e sorri. – Também te amo.

Alarguei e sorriso e abracei-o. Eu amava-o e ele amava-me. E ambos nos aceitávamos tal como somos. Era o melhor que me podia acontecer.

 

Danny

 

Estava a ter um sonho com a Ellie. Ela estava aqui. Estava aqui comigo. E era tudo perfeito.

- Acorda tonto, tenho que falar contigo – Ouvi. Era um som distante, mas a voz era lindíssima. Era a voz dela. Mas de onde é que vinha?

- O que foi? – Perguntei, ainda meio a dormir. Não queria acordar, estava a sonhar com ela. Não queria acabar o sonho.

- Danny, eu acabei de correr o caminho todo da minha casa até aqui, por amor de Deus, acorda – De novo o som pareceu-me vindo de quilómetros de distância.

- Hum? Ellie? – Abri os olhos contra a minha vontade, e ela estava ela. Era mesmo ela! – Ellie!

Não consegui acreditar, ela estava mesmo aqui. E ainda por cima a rir-se.

- Podemos falar? – Perguntou-me.

- Claro… - respondi, dando um bocejo contra a minha vontade – Há quanto tempo é que aqui estás?

- Não muito. Ouve Danny eu…

- Não te devias ter arriscado tanto ontem – interrompi. Era verdade, o que ela fez foi uma estupidez, podia ter morrido, podia… e depois o que seria de mim? –, foi uma situação demasiado perigosa e…

- E eu amo-te por isso não me importo – Estagnei. Ela amava-me. Tinha-o dito de novo. Sabia tão bem ouvir aquilo. Mas da última vez que o ouvi as coisas não correram bem. O que se iria passar agora?

- Pensava que não te conseguia perdoar… pensava que não podíamos ficar juntos por sermos tão diferentes mas… eu estava errada. Eu amo-te pelas diferenças que há entre nós. E não mudava uma única coisa em ti. Porque quando ontem te vi ser levado, e ouvi o tiro, pensei mesmo que te tinha perdido para sempre e… O que interessa é que eu disse coisas em que não acreditava. Coisas que sei que te magoaram. E peço desculpa. Não sou perfeita, também cometo erros. Desculpa-me, eu…

Não precisava de ouvir nem mais uma palavra. Nem queria. Só a queria sentir junto a mim, que era minha e só minha. Num impulso depositei-lhe um beijo na boca, porém o meu lábio doeu como tudo e fui forçado a desviar-me dela. Raios, o Boogy estraga tudo mesmo quando não está presente!

- Desculpa, o meu lábio… - ela abanou a cabeça e sorriu, não estava chateada, não me odiava, ia tudo ficar bem. – Também te amo.

Alargou o seu sorriso e abraçou-me. Eu sentia-me óptimo. E sentia que tudo o que tinha feito até aqui tinha valido a pena, pois apesar de todas as asneiras e da porrada que tinha levado, foram também essas coisas que a fizeram ficar comigo por fim.

Sorri e apertei-a mais para mim. Estava no paraíso.

 

(…)

 

- Tens a certeza que queres fazer isto? – Perguntou Michael.

- Ya mano – respondi –, tem que ser.

- Sabes, a minha irmã não te vai julgar se não o fizeres…

- Puto, acorda p’rá vida, nós temos que fazer isto.

Ele suspirou. Não queria. Nem eu. Mas era uma coisa da qual ambos precisávamos. Tínhamos mesmo que a fazer, era o mais justo a ser feito.

- Bora lá então – disse ele, dando-me uma pancadinha no ombro.

Respirei fundo e lá entrámos no posto da polícia.

 

25 comentários

Comentar post

Pág. 1/3