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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 07.04.11

O primeiro capítulo até chegou rápido...

Espero que gostem ^^

 

Capítulo 1

Uma Nova Perspectiva

 

- Não acredito que vou ficar aqui por quatro dias inteiros! – Resmunguei, deixando as malas caírem no chão, em frente à porta aberta daquela casa velha e com cheiro a bafio.

Desde que a minha bisavó morreu, há cerca de 2 anos, que ninguém cá vinha. Pois este ano, que finalmente ia festejar a Passagem de Ano com os meus amigos, a família toda decidiu vir para cá e juntar-se.

Ai que nervos!

Será que não percebem que uma rapariga de catorze anos apenas quer paz e sossego longe dos pais? Tudo o que eu queria era ir àquele novo bar, e quando fosse a meia-noite talvez o Collin finalmente me beijasse, e aí sim, eu saberia que tinha partilhado o meu primeiro beijo com alguém que valesse a pena.

Suspirei.

Em vez disso não, estou presa nesta casa em que não punha os pés desde que tinha uns sete anos.

Olhei em volta, árvores, casa térreas, animais… “Não! Eu quero a minha cidade! A minha casa! A minha independência!”, gritei, interiormente.

- Daphne pára de fazer birra! – Ordenou a minha mãe. Claro, ela não compreendia, só sabia trabalhar, trabalhar e trabalhar.

Aliás, a culpa de estarmos aqui agora é dela. Ela é que achou justo compensar-nos, a mim e ao meu pai, de todo o tempo que não podemos passar juntos por causa do seu trabalho. Se bem que o meu pai também nunca está em casa. E eu bem tentei dizer “mas não é preciso compensarem-me, eu estou bem, não se preocupem”, mas eles ligaram-me alguma? Claro que não, para quê?!

Bufei e voltei a pegar nas malas. Assim que entrei arrepiei-me. Fogo, a casa ainda era mais gelada que a rua!

Dirigi-me ao primeiro quarto que encontrei, tinha um aspecto demasiado rural, demasiado… antiquado? Sim, definitivamente antiquado.

Mandei as malas para cima da cama, porém uma delas caiu para o chão. Azar, dali já não saía.

Deixei-me cair na cama e tirei o telemóvel do bolso. Estes iam ser os quatro dias mais longos da minha vida inteira!

O primeiro dia, hoje, foi apenas aproveitado para eles irem às compras e para limparmos um bocado o pó a esta porcaria de casa.

E claro que eu também tive que o limpar, ai que treta. Já não basta ter que o fazer na minha casa, ainda tenho que o fazer nas casas dos outros.

Ao desviar duas molduras encontrei uma carta velha, escrita com uma letra toda distorcida e já um pouco amarrotada. Sorri, era minha. Olhei para o fogo, a lareira já estava acesa há um bom bocado, o meu tio tinha tratado disso, e deixei que as memórias fluíssem. Eram vagas, porém. Lembrava-me de ter escrito esta carta da última vez que vi a minha avó, apesar de ela ainda ter vivido por mais anos. Nem me consigo lembrar bem o motivo pelo qual nos distanciámos tanto agora, pela carta eu parecia gostar bastante dela… suspirei, tudo o que eu pedia na carta era ridículo, nada daquilo se concretizou. A minha bisavó morreu, os meus pais continuam sem se entenderem, se bem que agora como passam menos tempo juntos discutem menos, e eu nunca cheguei a receber o tal Nenuco.

Era tão pequena, tão inocente, tão… sem qualquer pista da vida.

Amarrotei mais o papel com a mão e mandei-o para a lareira, deixando-o ser consumido pelo fogo.

- Querida… - a voz da minha mãe soou por trás de mim, e foi para aí que me virei –, tu costumavas amar este sítio.

- Eu não vinha aqui desde que era uma criança mãe. E não tenho rede no telemóvel!

Escusado será dizer que não dormi nada, só ouvia pássaros, e corujas, e tinha medo das enormes aranhas que se passeavam livremente sem que ninguém as matasse. Eu tenho uma família de loucos, só pode.

Depois do pequeno-almoço fui ligar a televisão, mas além de a imagem ser péssima, não consegui ouvir nada por causa da confusão que os meus primos estavam a fazer por quererem doces.

Ao almoço foi a mesma confusão. O que eu dava para poder estar bem longe desta terriola!

- Anda lá querida, vamos ver as vistas – disse o meu pai.

Eu adorava quando ele se fingia importar comigo, era simplesmente maravilhoso. Sarcasmo no seu melhor, óbvio.

Saímos todos em grupo, e mal vi que estava com um traço de rede no telemóvel parei. Eles pararam e disseram-me para me apressar, mas eu disse-lhes para continuarem. Eu não me ia perder numa aldeola que se via toda em menos de uma hora, era completamente impossível.

Eles continuaram e eu comecei a andar às voltas. Um traço… dois traços… um traço de novo… nenhum traço, ah, não!

Suspirei de novo. Hoje era o último dia do ano e eu estava presa uma aldeia no meio do nada! E em vez de ser a mim, o Collin vai beijar qualquer outra rapariga. Eu sei, é sempre assim.

Tentei encontrar o caminho de volta para aquela estúpida casa térrea amarela, mas as ruas pareciam todas iguais.

“Ai eu não acredito nisto.”

Desisti e sentei-me numa rocha enorme que estava no chão. Isto não estava a acontecer, não estava…

Ouvi passos e por isso dirigi o meu olhar do chão para um rapaz alto, lindo de morrer, de cabelos negros e olhos verde-esmeralda.

- Olá – disse ele, sorrindo.

- Oi – respondi, olhando-o com mais atenção. Ao rir-se fazia duas covinhas, era completamente adorável. Mas já a roupa que trazia… um pouco de estilo não mata ninguém, certo?

- Estás perdida?

- Estava a procurar por rede – mostrei o meu telemóvel –, mas acho que isso é impossível nesta maldita terra.

Suspirei, já estava a anoitecer e ainda nem uma mensagem de bom ano tinha conseguido enviar.

- És nova cá, certo? Sou o Logan.

- Não sou de cá – isto tinha que ficar muito bem explícito. Eu não sou de cá. – Daphne.

- Sabes… aqui não é assim tão mau – encolheu os ombros. – Onde é que estás a ficar?

- Numa casa amarela, térrea…

Ele olhou em volta. Pois, aqui as casas que não eram de pedra eram iguais às da minha falecida bisavó.

- Anda lá, está a ficar tarde, vens jantar à minha casa e eu depois venho-te ajudar a encontrar a tua, ok?

- Está bem.

Não é que quisesse muito, mas vá, ele estava a ser simpático. E claro que ser giro também ajudava. Muito.

A casa dele era de pedra, uau, que choque.

Mal entrei veio-me um cheiro a comida que me abriu o apetite.

- Mãe, trouxe visitas – gritou ele, assim que fechou a porta.

- Ainda bem, uma casa cheia é sempre bom! – Ouvi.

A casa dele era modesta, mais ou menos como a da minha bisavó, e os pais dele não podiam ter sorrido mais ao ver-me. Ele tinha também uma irmã, Jenny. Era apenas um ano mais nova que nós. Sim, ele tinha a minha idade.

- Então Daphne, o que te trouxe cá? – Perguntou o pai dele, durante o jantar.

- Estava perdida e o seu filho convidou-me… - ele riu-se. Mas o que é que eu disse de errado?!

- Não querida, ele perguntou aqui à aldeia – explicou a mãe de Logan.

- Ah! – Senti-me tão estúpida neste momento. Eu só dou é barraca, é a minha sina – Vim fazer a Passagem de Ano com a minha família.

Acabámos de comer quase às dez horas, ai os meus pais deviam-se estar a passar por eu ainda não ter chegado. Mas é bem-feita, se não me tivessem trazido para este fim de mundo eu não me tinha perdido.

Depois de ajudar a mãe de Logan e Jenny a levantar a mesa, eles ainda quiseram conversar um pouco, e eu só via o tempo a passar.

Acabámos por sair da casa dela quando faltava meia hora para a meia-noite, ou seja, onze e meia.

- Anda cá – ele puxou-me pela mão e conduziu-me até um descampado, que ficava num monte, e de onde dava para se ver uma cidade lá ao fundo. Não era a minha, essa ficava a mais de uma hora de distância.

- Onde estamos? – Perguntei.

- Olha para o teu telemóvel – obedeci e vi que tinha os traços da rede completamente preenchidos. Abri a boca, tal a minha surpresa – Logan!

- Este é o único sítio em toda a aldeia onde se consegue uma boa rede para o telemóvel. Felizmente pouca gente sabe disso.

Mas eu já nem ouvi mais nada, liguei à Amelia, a minha melhor amiga, e começámos a falar, e a falar, e a falar. Ela estava no tal bar, e contou-me com o Collin estava a beijar uma qualquer. Claro, eu não estava lá!

Desejámos bom ano uma à outra e desligámos.

- Não pareces muito feliz – observou Logan.

- Não estou – disse-lhe – Eu não queria estar aqui! Queria estar na minha cidade, no bar, com o Collin!

- Collin… namorado?

- Podia ser! Mas não, eu estou aqui e ele está lá – encostei-me à cerca que estava encostada a um monte de areia, e Logan imitou os meus movimentos.

- Sabes, se ele gostar de ti não se importa de esperar mais dois dias – e encolheu os ombros.

- Logan… sinceramente? Tu não fazes ideia de como é de onde eu venho. Nós temos que ser os melhores, senão somos completamente deixados a apodrecer no esquecimento. Temos que nos superar a cada dia que passa. Ser bonzinho não te leva a lado nenhum.

- Daph… - olhei para ele pela primeira vez, e ele sorriu – Dez… nove… oito… sete… seis… cinco… quatro… três… dois… um… Feliz Ano Novo.

Sorri-lhe também e revirei os olhos, respirando fundo. Ouvi o barulho de fogo-de-artifício e olhei em frente. Estava a ser lançado da cidade.

- Feliz Ano Novo – disse-lhe, sorrindo também.

Desde esse ano que não me importo de ir para a terriola da minha bisavó passar a passagem de ano, e até já lá aguentei uma semana inteira. Era óptimo, completamente esplêndido! O Logan era cinco estrelas, e a Jenny, apesar da falta de estilo e da pirosidade com que se vestia, também era simpática.

Este é o terceiro ano que estamos a voltar cá, e hoje, com dezasseis anos, a primeira coisa que fiz mal pousei as malas no quarto foi correr até casa de Logan. Ele recebeu-me com um abraço, tal como no ano anterior, e não tardámos a falar sobre o que tínhamos feito, encostados àquela cerca naquele descampado onde tínhamos passado de ano juntos pela primeira vez.

- Vá lá, deve ter mudado alguma coisa – insisti, observando-lhe bem a expressão.

- Foi só um ano Daph, nada de especial – encolheu os ombros – Então e tu?

- Bem… eu e o Collin acabámos – sim, tinha chegado a namorar com ele, até ao maldito dia em que o vi a curtir com a Amelia, e acabei tudo –, os meus pais continuam iguais… fui nomeada Rainha do Baile de Regresso ao Lar… hum… não me estou a lembrar de mais nada.

- Popularidade no seu melhor, não? – Ele riu-se. Achava que isto de ser popular era uma palhaçada.

Quando chegou a última noite do ano, fomos ter um com o outro ao descampado e contámos o tempo em contagem decrescente, juntos, dando um abraço apertado em seguida e vendo o fogo-de-artifício.

Olhei para ele, era fácil sorrir ao pé dele, sentia-me feliz sem ter que me esforçar para tal.

Quando a manhã chegou, corri até à sua casa para me despedir dele, o trabalho da minha mãe não podia esperar e por isso tínhamos que nos ir embora.

Despedi-me de toda a sua família e depois ele acompanhou-me até casa, onde os meus pais esperavam já despachados.

Demos um abraço apertado e quando nos desviámos ficámos a poucos centímetros de nos tocarmos nos lábios. Senti a minha pele a ferver.

- No próximo ano, independentemente do que acontecer, vou-te beijar – garantiu, expelindo o seu bafo com um aroma doce em direcção à minha cara. Corei ainda mais e dei-lhe um beijo na bochecha, seguindo em seguida para o carro. Um ano era demasiado tempo para ficar longe dele…

 

Não sei quando posto mais, já sabem...

 

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