Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 05.10.10

E está na hora de conhecer uma das novas personagens...

Espero que gostem

Beijinhos

 

Capítulo 5

Novas Caras

 

Tentei devolver as chaves do iate a Derek, mas ele não as aceitou, como era óbvio. Disse que era uma prenda, e que prendas não se devolviam. Mas para que é que eu quero um iate? Enfim… contra vampiros raramente se ganha uma discussão.

Estava na minha segunda aula, Espanhol, quando uma rapariga lindíssima entrou. O professor virou-se para ela, e tal como o resto da turma, estava surpreendido.

- Olá – disse-lhe –, precisas de alguma coisa?

A rapariga entrou, e um pouco tímida, entregou-lhe uns papéis. Ao sorrir para ele fez lembrar o sorriso de um anjo. Era lindíssima. Tinha o cabelo arruivado, e escadeado, pelos ombros, e quando olhou para a turma, os seus olhos pareciam pertencer à rapariga mais doce à face da terra. Todos os rapazes estavam alucinados com a sua beleza, e todas as raparigas de boca aberta.

O professor pousou os papéis e assentiu para a rapariga nova.

- Bem turma, esta é a nossa nova aluna, Charlotte. Charlotte, queres dizer alguma coisa aos teus novos colegas?

Charlotte virou-se para nós e sorriu, ainda envergonhada. Não parece nada o tipo de rapariga extrovertida. Se Gwen aqui estivesse, já estava a tagarelar e a invejar a roupa de Charlotte. Estava muito elegante, como se estivesse pronta para uma sessão fotográfica em vez de uma aula de Espanhol.

- Olá – pronunciou, baixinho, e ainda a sorrir. A sua voz era deslumbrante. Reparei que estava a olhar para mim – O meu nome é Charlotte, e sou nova na cidade. Já cá tinha estado, mas nunca morado. Estou sempre a viajar, por isso é bom vir para cá e poder assentar. Vou dar o meu melhor para me integrar.

- Muito bem – disse o professor – Podes-te sentar ali ao lado da Chloe – e apontou para mim.

Charlotte dirigiu-se à minha mesa e eu tirei a mala de cima da cadeira vazia, para ela se sentar. Ao andar fazia-me lembrar as modelos nas passerelles. Era muito graciosa e extremamente delicada. Fazia-me lembrar também Verónica.

Ela sentou-se ao meu lado e sorriu-me, timidamente.

- Bem-vinda – disse-lhe eu – Tenho a certeza que vais gostar de Great Falls.

- Sim, eu também – Garantiu.

Tinha uns olhos castanhos-clarinhos e parecia um pouco confusa enquanto me observava.

O professor continuou a dar aula normalmente e quando tocou Charlotte disse-me que ia ter Física e Química enquanto eu ia ter Educação Física.

Disse-lhe por onde ir e depois dirigi-me para a porta do balneário, o intervalo era pequeno. Gwen chegou pouco depois, e Derek também. Sentaram-se ambos ao meu lado e Derek parecia chateado com qualquer coisa.

- Eu quero que vocês tenham cuidado – disse-nos – Há uma nova vampira na escola.

- O quê? – Perguntou Gwen – Quem?

- Uma velha conhecida. Ela é perigosa, e não vos quero perto dela, ok?

- Ok – disse-lhe eu – Mas quem é ela?

- O nome dela é Charlotte, e eu depois conto-vos melhor a história dela, ok? Agora tenho que ir, vai tocar daqui a poucos segundos.

Derek beijou-me e entrou para o balneário dos rapazes. Charlotte é uma vampira? Explica a beleza e os movimentos graciosos… mas é uma vampira má? Não me pareceu. Ela estava tão acanhada e tímida. Como é que alguém assim pode ser mau?

Se no ano passado me dissessem que ia ter que defender vampiros e pensar que não eram maus, nunca acreditaria.

Eu e Gwen entrámos para o balneário e mudámos de roupa. Hoje jogámos voleibol e badmington. Derek parecia um bocado distante durante a aula. Fosse qual fosse o seu passado com Charlotte, não parecia ser nada bom.

Quando a aula acabou, mudei de roupa e quando saí do balneário Derek estava lá à minha espera. As aulas dele tinham acabado por hoje, e eu e Gwen só tínhamos mais uma.

- Queres que fique à tua espera ou depois vais ter lá a casa? – Perguntou.

- Posso ir ter lá a casa. Mas aconteceu alguma coisa em especial?

- Sim, não. Ainda não sei. Mas se não aconteceu, vai acontecer. Trás a Gwen, eu e os meus irmãos precisamos de falar com vocês.

- Ok, combinado.

É óbvio que já não prestei atenção nenhuma à minha última aula. Assim que tocou, apressei Gwen para irmos para o carro, para chegarmos à casa dos Thompson o quanto antes.

Saímos da escola e estávamos a descer as escadas quando ouvi o meu nome.

- Chloe! – Já conhecia a voz.

Virei-me para trás e vi Charlotte correr até nós. Vinha com um sorriso de orelha a orelha.

- Desculpa, só te queria agradecer por me teres indicado os caminhos na escola – e sorriu-me. – Foste muito querida, se não o tivesses feito o mais certo era ter-me perdido…

Ela parece perfeitamente normal, é incrível… e fala normalmente… será que não sabe que eu sei o que ela é?

- Enfim… estava a pensar se me podias mostrar a cidade um dia destes, é que sinceramente, foste a única pessoa que falou bem comigo hoje…

- Desculpem – interpôs-se Gwen – Quem és tu?

- Oh, tens razão – Charlotte sorriu – Chamo-me Charlotte. E tu és?

Notei que Gwen ficou desconfortável. Logo ela, que é a defensora número um dos seres com os dentes pontiagudos.

- Gwen – disse Gwen, a esforçar-se para a voz não tremer.

- Prazer em conhecer-te. Então Chloe, alinhas?

- Hum… olha – não sei se estou a fazer bem ou mal, mas até saber exactamente o que se passa em torno desta rapariga, não aceito nada – talvez noutro dia. Ok? Agora temos que ir.

Entrámos para o carro e comecei a conduzir em direcção à casa dos Thompson. Surpreendi-me imenso ao perceber que consegui manter a calma perante uma vampira. E senti-me orgulhosa ao ver que não fraquejei.

Gwen, ao meu lado, parecia um bocado assustada.

- Estás bem? – Perguntei-lhe.

- Tu já conhecias a Charlotte? – Detesto quando me respondem com outra pergunta.

- Sim, ela tem Espanhol comigo. Mas na altura não sabia que era uma vampira, juro.

- Ela pareceu-te perigosa?

- Não. Pareceu-me amigável, querida… mas nunca se sabe. Sinceramente não sei porque é que o Derek ficou assim quando falou dela.

- Talvez seja uma ex-namorada…

Credo, esta imagem ao passar-me pela cabeça ia-me fazendo ter um ataque. Charlotte e Derek juntos? E depois eu e Derek juntos? Não. Ele nunca trocaria uma deusa como ela por mim. E mesmo que já tivessem acabado há algum tempo, seria impossível ele descer tanto no patamar dos gostos.

- Não, não deve ser isso – disse eu – Quando lá chegarmos logo descobrimos.

- Pois… mas eu ia detestar que a ex do meu namorado fosse tão bonita como ela.

- Então tens sorte, se aparecer algum ex do Gary, não vai ser nada como tu.

- Engraçadinha.

Por momentos passou-me pela cabeça Gary a apresentar um ex-namorado a Gwen. Credo, coitada, acho que lhe dava um chilique.

Estacionei do lado de fora do portão e caminhámos até à casa. Os irmãos esperavam-nos à porta, e conduziram-nos até à sala. Eu e Gwen sentámo-nos no sofá, enquanto Derek se sentou no ombro do sofá ao meu lado, e Gary e Verónica ficaram em pé. Estavam os três com cara de caso, e não parecia que nenhum deles fosse adiantar conversa.

- Vocês chamaram-nos aqui – disse eu – Desembuchem.

Derek sorriu perante este meu pedido inesperado, e deitou um olhar a Gary, que começou a falar.

- A Charlotte é uma vampira mais ou menos da nossa idade. Mas não é como nós. Ela gosta de jogar joguinhos de mente, de brincar com as vítimas. Ela tortura e quando as pessoas já não podem mais, mata.

- Ela não é alguém de quem vocês queiram ficar perto – continuou Verónica – E se por azar tiverem que ficar, então precisam de ter muito cuidado. Ela é manipuladora, e descobre as fraquezas das pessoas muito facilmente.

- Por uma razão, a Charlotte acaba sempre por nos encontrar – agora todos os olhares se dirigiram para Derek – Nós mudamo-nos muito, e ela aparece de vez em quando, mas sempre que aparece estraga tudo e obriga-nos a mudar-nos de novo.

- Eu conheci-a em Espanhol – disse eu – Não parecia nada disso, parecia envergonhada, apenas uma pessoa que se queria integrar.

- Mas ela não é uma pessoa – disse Derek – É uma vampira. E sabe mentir melhor que qualquer um que eu tenha conhecido.

- Chloe, ela pode parecer boa agora, mas posso-te garantir que de todas as vezes que Charlotte apareceu nas nossas vidas, estragou tudo de bom que havia nelas – disse Verónica.

- Credo, tanto ódio – ouvi. Vinha de trás de mim, e eu já sabia quem era mesmo antes de virar a cara. Charlotte estava de pé, atrás do sofá, e começou a caminhar até Gary e Verónica – Ódio é um sentimento tão feio, e não precisamos dele, afinal, somos todos da mesma família.

Engoli em seco. Da mesma família? Seria Charlotte mais uma irmã? Porque é que Derek nunca me tinha falado dela? Será assim tão má que os irmãos só a querem esquecer?

- Tu não és família Charlotte – disse Verónica – Não sabes o que isso é.

Gwen e eu observávamos e ouvíamos tudo com a maior das atenções.

- Se vocês vão contar a minha história, deviam contá-la bem – disse Charlotte. Aqueles olhos reluzentes e o sorriso doce já eram. Agora parecia uma daquelas raparigas populares e cheias de mania – Vamos ouvir a história, podem começar.

- Ou podes-te ir embora – disse Gary.

- Está bem, já que insistem, eu começo – ela começou a andar de um lado para o outro em frente ao sofá. Notei que Derek pôs o braço à minha volta e me apertou mais que o costume. Ele estava com receio de qualquer coisa que Charlotte pudesse fazer. Gary também se sentou ao lado de Gwen.

- Nós adoptámo-la – disse Verónica – Quando ela tinha cinco anos. E ela sempre foi uma víbora.

- Essa doeu – gozou Charlotte – Tudo começou quando eu tinha dois anos e os meus pais morreram. Quando tinha cinco, fui morar com os Thompson e os seus adoráveis três filhos. Não é para terem pena de mim, mas eles nunca gostaram de mim.

- Pára de te fazer de coitadinha – disse Gary – Tu nunca fizeste nada que merecesse que gostássemos de ti.

- Sim, isso é verdade – concordou ela – Continuando, quando tinha dezassete anos fugi e acabei raptada. O raptor entrou onde eu estava presa há três dias, e tinha uma cara de fugir. Ele mordeu-me, e depois fez-me beber o sangue dele, e isto durou uma semana, até que me partiu o pescoço. Quando acordei tinha uma vida nova à minha frente – e sorriu, triunfante.

- Esqueceste-te de dizer porque é que fugiste – disse Verónica – Porque pela história que contas, pareces a coitadinha, mas disso não tens nada. Tu não foste mal amada. Foste mal agradecida.

Auch… acho que estou no meio de uma guerra familiar. Como se já não tivesse a minha cota delas. Olhei para Derek, ainda não tinha aberto a boca desde que Charlotte aparecera, e notava-se que observava cada um dos seus passos cuidadosamente.

- A Charlotte matou o nosso pai – disse Gary –, depois de ter tentado envenenar a Verónica.

Ah, agora percebo a rivalidade e ódio entre as duas. Olhei para Gwen, estava a observar Charlotte enquanto apertava a mão de Gary.

- E o meu namorado – completou Verónica.

- Sentimentalismos – disse Charlotte, revirando os olhos – Estamos muito melhor sem eles. E tu tens mesmo que esquecer isso do envenenamento, a sério, torna-se cansativo.

- Tu é que te tornas cansativa! De todas as vezes que te aproximaste que nos tramaste a vida! – Gritou Gary, levantando-se.

- Acorda lindinho, tu não estás vivo – tenho que admitir, esta Charlotte sabe como jogar – Nenhum de nós está, excepto as lindinhas com cara de enterro – e apontou para mim e para Gwen.

- Abre o jogo Charlotte, só… diz-nos o que queres – pedi Gary, mais recomposto.

- E qual seria a graça disso? – Perguntou ela, provocadora.

- Não sei como é que consegues – disse Verónica – Não sei como é que consegues ver tudo como um jogo, como um desafio.

- Não é só isso. Eu vejo as coisas como um jogo, um desafio, que eu posso ganhar. Maninha, maninhos, o jogo está prestes a começar. Querem apostar quem ganha?

- Pára com parvoíces e vai-te embora! – Eu sinto-me tão a mais neste momento. E Gwen também. Ela tem passado a discussão toda a olhar para mim, e eu para ela – Vai-te embora e deixa-nos em paz.

Charlotte ignorou-o e observou Gwen, sorrindo em seguida.

- A doce e sonhadora Gwen… - e olhou para mim – E a apaixonada e ingénua Chloe… as novas jogadoras do jogo.

Nem senti Derek largar-me, só o vi a agarrar no pescoço de Charlotte, encostada à parede à nossa frente.

- Se tu lhe fizeres alguma coisa… - ameaçou Derek, porém não teve tempo de acabar.

- Não percebes, pois não? – Charlotte desviou-se dele com uma grande facilidade e voltou a caminhar para mim – Elas são as jogadoras, não o jogo. Isso, meus irmãos, são vocês.

E assim do nada, desapareceu. Derek voltou para ao pé de mim e pôs-se de cócoras e pousou as mãos nos meus joelhos.

- Estás bem? – Perguntou-me.

Eu assenti.

- Acho que sim, mas sinto-me obrigada a dizer que tens uma família esquisita.

Ele soltou um pequeno risinho.

Levei Gwen a casa e depois dirigi-me para a minha. Dylan já estava a pôr a mesa para jantarmos, por isso encostei-me à ombreira da porta para ver quando é que reparava que eu o observava. Pôs a mesa toda, e depois dirigiu-se ao fogão, de onde tirou um frango guisado. Fiquei de olhos arregalados.

- Estou a gostar de ver – disse-lhe, enquanto batia palmas.

- Há quanto tempo é que aí estás?

- O suficiente. Tu cozinhaste isto?

- Não, foi a Sra. Jonhson. Ela deixou aqui e disse-me para tirar do forno quando fossemos comer. Abby, anda para a mesa!

- Já vou! – Ouvi Abby gritar.

- Mesmo assim, estou a gostar. Qualquer dia meto-te a limpar o pó e a aspirar.

Puxei uma cadeira e sentei-me.

- Pois, mas não abuses.

Abby chegou e sentou-se também. A comida estava deliciosa, se não fosse a Sra. Jonhson estávamos perdidos.

- Sabiam que as borboletas sentem o gosto das coisas pelos pés? – Perguntou Abby.

- Não, como é que isso é possível? – Disse Dylan.

- Não faço ideia. E sabiam que todos os ursos polares são canhotos?

- Como é que descobriram isso? Puseram-nos a fazer uma cópia?

Não consegui deixar de rir com o comentário de Dylan. Às vezes penso que estamos ligados ou qualquer coisa do género, porque era exactamente o que eu estava a pensar.

Ao olhar para Dylan e Abby a rirem e a darem-se bem um com o outro, fiquei radiante por os tempos em que Dylan andava na droga e a não dar atenção a Abby e a ser mal-educado tenham acabado.

Quem arrumou a cozinha fui eu, e depois achei boa ideia informar Dylan e Abby sobre Charlotte, afinal, ela não me parece o tipo de pessoa que tem medo de usar outras.

Sentámo-nos os três no sofá e contei-lhes quem ela era, e que os queria bem longe dela.

Depois subi para o quarto, pus os fones nos ouvidos e deixei-me cair para a cama.

Senti um toque ao de leve na perna e abri os olhos. Derek estava sentado e a olhar para mim. Tirei os fones e sentei-me com as pernas cruzadas.

- Eu bati, e chamei… para não te assustar – disse-me.

- Pois, desculpa. Desta vez foi erro meu – disse-lhe – Como é que estás?

- Estou bem, porquê?

- Charlotte.

- Sim, ela… ela sabe como me atingir.

- Mas tu gostas dela.

- O quê?

- Como uma irmã. Todos vocês gostam. É aquela relação amor-ódio. Ela magoa-vos, mas continua a ser vossa irmã.

- Nós não temos o mesmo sangue, não temos nada em comum…

- Excepto que cresceram juntos.

- Desde pequena que a Charlotte era problemática. Nós os três nunca nos demos bem com ela, mas também nunca a detestámos. Ela era nossa irmã. Quando a nossa tia nos transformou, sempre pensei que nos fossemos livrar de Charlotte, ainda não sabíamos é que ela já era vampira há um ano.

- Eu percebo. Vocês não a querem morta, mas não a querem convosco.

Pus-me de joelhos atrás dele e abracei-o.

- Acredita, eu percebo. É o que sinto sobre a minha mãe.

- Excepto que a tua mãe faz-te a vontade.

- Sim. Ela é mesmo perigosa, não é?

- Ela gosta de ter todos na palma da mão, e nunca se sente ameaçada. Ela faz o que quer, quando quer. É por isso que quero que tenhas muito, mas muito cuidado mesmo.

- Vou ter. Vamos todos.

12 comentários

Comentar post

Pág. 1/2