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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 08.04.11

Capítulo 2

Desapontamento no Verão

 

Abri a janela do carro e inspirei o ar puro. Mal podia esperar para chegar finalmente à aldeia da minha bisavó para o poder ver de novo.

Estava um calor abrasador, Agosto no seu melhor.

Este ano tinha convencido os meus pais a deixarem-me vir cá passar as férias de Verão. Tudo bem, não tinha praia, nem piscina, nem saídas à noite a discotecas… mas tinha-o a ele.

Liguei o rádio e pu-lo a altos berros, enquanto cantava juntamente com ele. A melhor prenda que os meus pais alguma vez me deram foi este carro descapotável cinzento. Eu tinha posto a capota para cima, não ia aguentar o sol a dar-me em cima durante todo o caminho.

Quando cheguei vi que os meus tios me esperavam à janela. Sim, eles estão cá, eu só pude vir porque iam cá estar adultos. Mas pronto, é melhor que nada.

Estacionei o carro e agarrei nas malas, cumprimentei-os, mandei as malas para cima da cama e comecei a caminhar até casa dele. Não ia correr, estava demasiado calor para isso, e eu estava demasiado nervosa.

Ele não devia estar à minha espera antes da Passagem de Ano. Mas mesmo assim, eu queria mesmo vê-lo.

Parei antes de fazer a curva para a sua rua e respirei fundo. Estava nervosa e com uma vontade de sorrir enorme. Sentia calores e arrepios ao mesmo tempo. “No próximo ano, independentemente do que acontecer, vou-te beijar”, dissera-me ele da última vez que tínhamos estado juntos.

- Oh controla-te Daph, não sejas parva miúda – disse, em voz alta, para tentar que fizesse efeito.

Respirei fundo com a intenção de tentar que o meu coração diminuísse o ritmo, mas nada. Comecei a avançar devagar, com o coração aos pulos, e toda a tremer e a sorrir que nem uma parva.

Ai como eu estava… eu esperava um beijo, ou estava assim por esperar que ele não mo desse e não cumprisse a promessa?! Eu não podia gostar dele… era impossível apaixonar-me por um tipo que só vejo de ano a ano… certo?

Recompus-me e fiz a curva, dando três passos, e fiquei estática a olhar para aquela porta grande, de madeira. Engoli em seco, não podia ser.

“Vendido”, dizia, num papel colado na parede, ao lado da porta. Vendido? Vendido?! Se venderam a casa onde raios estão agora?!

Ia a passar uma senhora já de idade por nós e eu virei-me rapidamente para ela.

- Desculpe, sabe para onde é que foi a família que morava nesta casa?

- Os Ferrel? Claro, toda a aldeia sabe. Eles mudaram-se.

- Mudaram-se? – Não é que não tivesse ouvido, simplesmente não podia acreditar.

- Sim menina – e dito isto continuou a andar.

Eu encostei-me à parede e deixei-me descair até me sentar no chão. Neste momento nem me importava com o facto de o sol me estar a estorricar completamente.

- Eles mudaram-se? – Voltei a perguntar, agora baixo, só para mim.

Para onde? Porquê? O que é que aconteceu? Porque é que Logan nunca tinha dito nada? Apesar de pouco falarmos, sempre mantínhamos algum contacto pelo telemóvel… como é que ele pôde nunca me ter dito nada disto?

Voltei a rastejar para a casa, praticamente. Não conseguia acreditar, ia passar todas as férias na aldeia e ele não estava cá. Mas agora também não ia voltar à cidade. Posso detestar tudo aqui sem ele, mas não vou dar o prazer aos meus pais de lhes dizer que estavam correctos e que eu não devia ter vindo. Chamem-me orgulhosa e teimosa à vontade, não me podia importar menos.

Os dias foram passando, muito, muito, lentamente, e eu nunca tinha nada para fazer. Às tantas comecei a ver fotografias de quando era pequena.

Bolas, tinha saudades das festas… cada vez que penso que o pessoal pode estar na piscina ou na praia e eu estou aqui fechada dá-me uma coisa má.

Ao fim das primeiras duas semanas decidi usar o tanque enorme que tínhamos no quintal. Estendi uma toalha ao lado e pus-me a torrar ao sol. Tinha que me bronzear, se voltasse para a escola sem bronze ia ser uma catástrofe. Quando tinha calor, ia ao tanque, que funcionava como uma piscina. Não era mau de todo… “oh, quem é que estás a tentar enganar, é péssimo! Odeio isto!”, pensava, cada vez que me tentava animar um pouco.

Faltavam três dias para me vir embora e já estava a dar em louca. Que tédio, meu Deus!

Quando o dia finalmente chegou, despedi-me dos meus tios e vim-me embora. Graças a Deus.

A viagem até se fez bem, o céu estava encoberto e por isso abri o capote do carro, para levar directamente com o ventinho, que sabia melhor que bem.

O que não ia saber nada bem era amanhã levantar-me cedo para ir para a escola… enfim…

Quando finalmente avistei a minha casa, sorri. Aleluia, de volta à civilização.

Estacionei o carro à porta e entrei. A minha casa tinha um corte bastante moderno, e tons muito vivos. Era linda, ponto final. Mas eu não era rica, apenas vivia confortavelmente, sem exageros.

- Querida, voltaste! – Ouvi a minha mãe exclamar, cheia de alegria, enquanto lia uns papéis – Divertiste-te?

- Sim – respondi, secamente, ao subir as escadas para o quarto.

Arrumei a roupa de volta nas gavetas, mas não sem antes escolher o que ia vestir amanhã. Sim, porque agora que a escola ia começar outra vez, não me podia desleixar e dar oportunidade àquela falsa da Amelia de se tornar mais popular que eu. Pelo contrário, eu ia fazer de tudo para que ela fosse pelo cano abaixo. Se bem que não precisa de muita ajuda com isso, afinal, qualquer dia hão-de acabar rapazes novos, e pelo que ouvi ela não dorme com o mesmo duas vezes.

 

Por agora isto até está a ser escrito depressa *carinha pensativa*

Quando tiver outro capítulo posto ^^

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