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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 10.04.11

Capítulo 4

Glamourosas & Mesquinhas

 

Passei as aulas completamente num mundo à parte. Não conseguia acreditar no que tinha visto de manhã. Era impossível… só podia estar a sonhar, ou então estava a participar nos Apanhados e não sabia.

O rapaz que vira a beijar Amy não era aquele que me prometeu um beijo… não pode. Eles parecem-se tanto um com o outro… mas são tão diferentes ao mesmo tempo.

Esta não é definitivamente a maneira como queria começar o décimo primeiro ano.

Finalmente o toque de saída fez-se soar em toda a escola; estava na hora do almoço.

Nem acredito que ia ter que ouvir aquela falsa da Amy a falar sobre o Logan, e Lucy e Kristen todas felizes. Ai que treta.

Assim que saí da sala fui interceptada por Lucy. Fomos as duas em direcção às mesas do bar, onde íamos comer, e lá sentados pude ver o meu grupinho de populares. As raparigas, com as roupas mais que curtas e os cabelos sempre num estado fabuloso, sorriam enquanto comiam as sandes com alface, por não poderem engordar, e falavam ao mesmo tempo. Na verdade a única que conhecia de lá verdadeiramente era Amy, com as outras duas mal falava, e às vezes até me esquecia dos nomes delas.

Amy sim, saltava à vista. Ela era a rainha. Por agora…

Aproximámo-nos e Kristen juntou-se a nós, sentando-se também na mesa connosco.

- E viste a maneira como estava vestida? – Perguntou Amy, a rir-se.

- Totalmente há século passado! – Disse uma das raparigas cujo nome não me lembrava. Ela também não era importante…

- De quem é que estamos a falar? – Perguntei, ao sentar-me.

- Da Kelly Fitzburg – disse Amy, com um sorriso maquiavélico nos lábios.

Ri-me.

Kelly Fitzburg… a doce, doce Kelly… era incapaz de magoar uma mosca, e era das raparigas que cá na escola mais sofria comigo e com o meu grupo. Ela era tão coitadinha, e vestia-se tão mal, que até metia dó. Enfim, acho que já deu para perceber a ideia.

- Kelly?! – Voltei-me a rir – Há século passado é pouco, ela parece estar a usar um saco de batatas tirado do caixote do lixo!

E todas rimos.

No meio destas conversas a dizer mal de uns, e de outros, vi uma cara conhecida lá ao fundo.

Vinha com o cabelo castanho-escuro comprido todo desgrenhado, apanhado num pobre rabo-de-cavalo mal feito, e umas calças daquelas que a minha mãe usa, combinadas com uma t-shirt que eu nem morta usava. Quando pousou o olhar em mim sorriu por poucos segundos.

Sorri-lhe também e acenei-lhe.

- Vem sentar-te connosco! – Gritei-lhe. Porém ela permaneceu quieta a observar-me e ao meu grupo.

- Oh meu deus – disse Lucy – Estão a ver aquela rapariga?

- Olhem para o seu cabelo! – Exclamou Kristen, completamente chocada.

- Olhem para a sua roupa! – Exclamou Lucy, com o mesmo tom de voz desagradado.

- Olhem para a maneira como anda! – Exclamou Amy.

Riram-se todas em conjunto, enquanto eu observei Jenny abanar a cabeça e voltar para trás.

- Eu depois volto – disse, levantando-me.

- Vais ter com aquela falhada? – Ouvi Amy perguntar, com uma voz de gozo, mas não me dignei a dirigir-lhe resposta. Falsa.

Corri até Jenny, e quando finalmente a alcancei toquei-lhe no ombro. Ela voltou-se para mim e eu dirigi-lhe um dos meus melhores sorrisos.

- Não sabia que também aqui estavas! – Exclamei, abraçando-a rapidamente e desviando-me em seguida – Podias-te ter sentado connosco, eu chamei-te mas não sei se ouviste e…

- Elas não gostam de mim – Jenny sorriu timidamente.

- O quê? Não sabes isso… - Ok, eu sabia que era verdade, mas coitada, não lhe ia dizer isso.

- Elas gozaram comigo esta manhã. Arruinaram um bocado a escola logo no primeiro dia… mas vejo que são amigas – encolheu os ombros e fez um trejeito esquisito com a boca.

- Devias ter-lhes respondido – aconselhei – Elas – nós – gostam de se meter com as raparigas novas. É só para mostrar quem manda, percebes?

- E tu mandas?

Sorri-lhe.

- Sim, eu mando.

- Então devias ir ter com as tuas amigas.

- Hum… já conheces a escola?

- Pouco.

- Anda lá – entrelacei o meu braço no seu e começámos a andar –, eu vou-te fazer uma visita guiada.

- Não precisas.

Olhei para ela e suspirei. Quem a vê diz que é uma rapariga que aceita tudo o que lhe é dito, e até hoje ainda não vi nada que provasse o contrário. É daquele tipo de raparigas sem sal.

- Mas eu quero.

Caminhámos durante um pouco e pelos sítios que íamos passando eu ia dizendo o que eram, como o Laboratório de Química, a Secretaria, a Papelaria, e outros sítios.

Quando saímos do edifício para o pequeno recinto à sua volta, vimos o seu irmão lá à frente, juntamente com os rapazes do meu grupo.

- Ele está diferente, não está? – Perguntei – O Logan.

Senti que ela ficou tensa.

- Desde que cá chegámos, nas férias de Verão, e que conheceu aquele pessoal que mudou um bocado – encolheu os ombros.

- Não gostas deles – não era uma pergunta –, nem de quem o teu irmão se está a tornar.

- Não – mas mesmo assim ela confirmou –, mas a vida é dele. Mas aquela rapariga, Amy, é uma atrasada mental. Consegui ver pela primeira vez que me olhou que ia fazer a minha vida num inferno. Tenho que aceitar, as populares não gostam de mim…

- Jenny…

- Não precisas de dizer nada. Também não gostas de mim. Lembro-me da primeira vez que olhaste para mim. Agiste toda superior e… fina e…

Soltei-me pela primeira vez do seu braço e pus-me à sua frente, segurando-lhe nos ombros como forma de lhe transmitir confiança para que acreditasse nas minhas palavras.

- É verdade – disse, não lhe ia mentir – Na primeira vez que te vi não gostei de ti. Lembro-me de pensar que eras super pirosa e outras coisas… mas não te conhecia. Agora conheço – bem, mais ou menos –, e por isso agora posso claramente dizer que gosto de ti, sim. És uma boa pessoa Jenny, mas não matava…

- Um pouco de estilo – ela revirou os ombros – Sempre que te vejo dizes-me isso.

- Mas é importante que saibas que sim, que gosto de ti.

- Obrigada.

Sentámo-nos nuns bancos de pedra um bocado afastadas dos rapazes e começámos a comer, eu uma sandes sem calorias que tinha trazido de casa, e ela uma cheia de molhos e ketchup. Que inveja, ela não engorda com nada!

- Então porque é que vieram viver para cá? – Perguntei.

- O pai recebeu uma proposta de emprego muito boa. Eles providenciavam casa, carro… basicamente tudo. E ganha muito mais, também. Por isso viemos para aqui. Oh não…

Ao ouvi-la dizer esta última parte vi que os rapazes se dirigiam a nós. Pela sua expressão também já os tinha conhecido…

 

Se calhar hoje ainda consigo postar mais um ^^

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