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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 11.04.11

Capítulo 7

The Latest Place

 

Ainda tentei convencer Jenny a vir comigo para casa para que nos arranjássemos para irmos ao bar, mas ela não quis mesmo. Azar, eu é que não me vou deixar de divertir só porque amanhã tenho aulas.

Quando os pais deles finalmente me deixaram vir embora, Logan saiu comigo e acompanhou-me até ao carro.

- Lindo carro – disse-me, irónico. Nunca tinha ouvido este tom de voz nele… obriguei-me a respirar fundo para que não começasse já a disparatar.

- Obrigada – disse, em vez de lhe começar a chamar nomes, fingindo não ter percebido a mudança da sua voz.

- Imaginava algo mais… reluzente… cor-de-rosa, talvez – ok, eu tentei, ninguém me diga que eu não tentei, porque tentei. Mas ele estava a abusar.

- E eu imaginava-te algo mais normal! – Gritei-lhe – Se não tens nada de interessante para dizer… cala-te! Céus Logan, faz-te um favor a ti próprio e pára de te andares a humilhar por um grupo de miúdos do Liceu!

- Ei, eles gostam de mim!

- Pois gostam! E também gostam de mim! Sabes porquê?! Porque eu sou popular, Logan!

- Eu sei, fizeste questão de deixar isso bem claro sempre que me vias!

- E agora também és – disse-lhe, baixando o tom de voz –, e é fantástico. As pessoas desviam-se quando passas… não esperas nas filas e ninguém reclama… tens todos atrás de ti que nem cadelas no cio. Deixa-me dar-te um conselho Logan… - aproximei-me dele, e aproximei os meus lábios do seu ouvido – conserva o que sentes agora, e esforça-te para que não acabe – sussurrei-lhe, ao ouvido –, porque parabéns, acabaste de te juntar do grupo dos populares.

Sorri-lhe cinicamente e entrei no descapotável.

- Espero que estejas feliz – disse-lhe, antes de arrancar com o carro.

“Ai que nervos que este tipo me faz!”, gritei, interiormente.

Não sei como houve um maldito dia em que pensei sequer que queria um beijo daquele idiota. “Não Daph, não um dia, um ano inteiro”, disse-me o meu estúpido cérebro que às vezes só me sabe deitar abaixo. Mas sim, estive a porcaria de um ano inteiro a ansiar por um beijo daquele atrasado. Fui tão estúpida… talvez tivesse desejado um beijo do Logan, mas esse rapaz tinha desaparecido. Agora apenas restava o clone de uma das pessoas que mais odeio. O clone de Collin.

Apenas dei conta que me estavam a correr lágrimas pela face quando estacionei o carro à porta de casa. “Ai não, isto não está a acontecer, eu não vou chorar por aquele falhado”, pensei, fortemente.

Limpei as lágrimas com as mãos e subi as escadas. A minha mãe nem deu por eu passar, de tão enterrada que estava no computador e no trabalho, e o meu pai o mais certo era ainda não ter chegado.

Abri a porta do meu quarto e deixei-me cair em cima da cama. Este era o único sítio onde estava completamente protegida. Estas quatro paredes onde podia ser quem bem quisesse, sem ter que me esforçar por popularidade ou para que alguém gostasse de mim.

Respirei fundo, levantei-me e pus-me em frente ao espelho que estava pendurado ao lado do roupeiro.

- Hoje vais-te divertir – repeti-me, várias vezes.

E era verdade, não o ia deixar estragar-me a noite.

Abri o roupeiro e de lá tirei um vestido roxo, cai-cai, e curto… muito curto, e calcei umas sandálias pretas de salto com umas tiras e umas pedras prateadas nelas. Fui até à casa de banho, que era apenas minha, e fiz um rabo-de-cavalo bem preso em cima, e pus um gancho preto do lado direito. Maquilhei-me e sorri no fim. Cuidado festa, cá vou eu.

Voltei a sair de casa e conduzi, no meu carro, até àquele bar de que tanto gostava.

Estacionei e comecei a caminhar na sua direcção. Visto por fora não parecia nada de especial, nem a pequena placa a dizer “The Latest Place” chamava a atenção, mas quando se entrava mudava por completo.

A atmosfera era completamente propícia a festa, e as luzes de todas as cores e sempre a piscar davam uma sensação de não se conseguir parar de fazer fosse o que fosse. A música, posta a rodar por um DJ, estava sempre no seu melhor, e por isso a pista de dança estava sempre cheia. A uns cantos havia puffs para quem quisesse descansar um pouco.

Dirigi-me ao bar e pedi uma bebida, antes de me dirigir aos puffs onde estava o resto do meu grupo. Amelia estava aos beijos com Logan… pff, tanto faz, não me importo. Collin estava ocupado a tentar engatar uma gaja qualquer, e o resto do grupo estava basicamente sentado a beber as suas bebidas. Kevin não tinha vindo, para minha grande tristeza.

- Alguém quer ir dançar? – Perguntei, aos gritos, por causa da música.

- Não! – Respondeu Lucy.

- Por favor… - nada, ninguém me ligou. Dirigi a minha atenção para Amy, que agora finalmente tinha parado de beijar Logan. Credo, pareciam duas lapas aqueles dois…

- Eu vou contigo – disse ela, encolhendo os ombros e dando-me aquele sorriso de “apenas porque mais ninguém quer ir contigo”.

- Não é preciso – respondi, sorrindo-lhe falsamente –, eu posso ir sozinha.

E dito isto virei costas e dirigi-me à pista de dança, começando a abanar-me ao ritmo da música. A verdade é que gostava de dançar, fazia-me sentir… livre.

- Olá – ouvi. Olhei para trás. Tinha olhos escuros e um cabelo meio loiro, e sorria-me – Posso-te pagar um copo?

Olhei para o meu copo, bebi o resto do conteúdo que lhe restava, e atrelei o meu braço ao do belo desconhecido que tinha acabado de se oferecer para me comprar outro.

- Só se me deres a honra de uma dança em seguida – disse-lhe, de forma sugestiva.

Ele sorriu e encaminhou-nos para o bar. Estive algum tempo com ele, mas depois foi-se embora. Vi que Logan me fitava bastante fixo, e por isso dirigi-lhe um sorriso forçado. Ele virou a cabeça. Já não era sem tempo.

Mais um rapaz me abordou; mais uma bebida que ganhei.

A noite foi-se passando assim, bebia, dançava, conhecia desconhecidos, e de novo bebia, e o ciclo recomeçava. Às tantas já ria de tudo, já mal me aguentava nos pés, já falava a todos… mas não me importava. Era uma festa! E eu estava divertida.

Comecei a dançar com um morenaço qualquer todo bom, e à medida que íamos dançando ele ia-se aproximando-me de mim e agarrava-me de forma provocante. Eu não o afastava, sabia-me bem. Ele queria-me.

Apertou-me junto a ele e as suas mãos começaram a deslizar das minhas costas para as ancas… e descendo mais, e mais, até que…

Sinceramente nem percebi bem o que se passou, o meu cérebro já devia estar um bocado afectado pelo álcool para ver e perceber tudo com a rapidez com que se passou. Só sei que vi o rapaz cair no chão, agarrado ao nariz, e Logan a arrastar-me para fora do bar.

Saímos para a rua e eu continuava a debater-me para que me largasse, até que ele finalmente decidiu obedecer-me.

- Qual é o teu problema? – Perguntei, ao tentar equilibrar-me sozinha.

- Estás bêbeda – afirmou.

- Não, estava-me a divertir! – Retorqui – Vai-te divertir com a Amy e com o Collin e deixa-me voltar lá para dentro!

Tentei contorná-lo, mas ele não deixou e agarrou-me ao colo, pegou-me na mala, e nas chaves do carro, e pôs-me lá dentro do meu carro, e entrou para o lado do condutor.

Começou a conduzir não sei para onde, e eu amuei. Bolas, agora que me estava a divertir é que ele me tirava de lá.

- Deixa-me voltar – pedi.

- Não. Já é tarde, já se foram todos embora, só sobrámos eu e tu, e não vais voltar para lá sozinha. Estás bêbeda Daph, precisas de acalmar.

- Daph é para os amigos. Para ti é Daphne – notei pela expressão que o tinha magoado, mas dei de ombros. Ele também me magoou.

Vi que estacionou em frente à minha casa, saiu do carro e voltou a agarrar-me ao colo com alguma facilidade. Encostou-me a ele como se eu fosse um bebé frágil e que qualquer coisa me pudesse magoar, e entrou em casa.

- Onde fica o teu quarto? – Perguntou.

- Oh Logan, não sejas maroto que tu tens a Amy para essas coisas – disse-lhe, mordendo o lábio. De novo vi que não tinha gostado do que lhe disse, mas pouco me importava. Encostei-me mais a ele de modo a poder sentir os seus abdominais junto a mim. “Ok, talvez esteja um pouco bêbeda”, admiti, interiormente, ao perceber o quanto ele me estava a afectar.

Ele começou a subir as escadas.

- Ficas terrível quando estás bêbeda, já deu para perceber – resmungou.

- Sou terrível de qualquer maneira – retorqui.

Abriu uma porta, que por sorte era a do meu quarto, e sorriu triunfante. Levou-me até à cama e deitou-me lá, voltando atrás para fechar e porta.

- Porque é que estás a fazer isto? – Perguntei, já sem qualquer gozo, ou outro sentimento na voz que não fosse honestidade – Porque é que te estás a preocupar?

- Não sei – notei que também estava a ser sincero –, porque és minha amiga talvez…

- Não sou tua amiga – disse, depressa –, tu não és o meu amigo. Não aquele que conheci.

Senti-o a descalçar-me, mas depois nada. Tinha adormecido profundamente.

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