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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 12.04.11

Capítulo 8

Baldas

 

Quando acordei senti um corpo ao meu lado e voltei-me. Logan repousava descansadamente em cima da minha cama. O Logan… repousava… na minha… cama? Que raios?!

Levantei-me repentinamente mas depressa me voltei a baixar, ao sentir que tinha uma bomba acabado de explodir na minha cabeça. Lembro-me de ter bebido ontem à noite. Lembro-me de ter bebido muito… e depois Logan trouxe-me a casa, deixou-me aqui e… nada. Apaguei por completo.

Respirei fundo e olhei para ele. O cabelo negro caía-lhe sobre os olhos e a sua expressão dava a entender que estava completamente em paz. Parecia um anjo. Mas agora que o estava a começar a conhecer, sabia que era exactamente o contrário.

Levantei-me e dirigi-me descalça à casa de banho, olhei-me ao espelho e vi que a minha maquilhagem estava toda esborratada. Pudera…

Lavei a cara, tomei um comprimido para a ressaca e quando estava a tentar ajeitar o cabelo mais ou menos a porta abriu-se. Vi Logan olhar para mim, ainda meio ensonado, com uma expressão enigmática.

- Porque é que ficaste? – Perguntei-lhe, virando-me para ele.

- Queria ter a certeza que não entravas em coma alcoólico.

- Vá lá… nem bebi assim tanto – “Ai bebeste sim”, disse-me a minha consciência.

- E agora estás bem? – Perguntou ele.

- Dói-me a cabeça mas… sim, estou bem.

- Sabes que estamos atrasados, certo? Já perdemos a primeira aula…

- Hoje não vou. Não me apetece.

Ele revirou os olhos e abriu caminho por mim, de forma a chegar ao lavatório. Abriu a água e lavou a cara. Dirigi-me ao quarto quando…

- Daphne – voltei-me para ele e fui atingida pela água que me tinha acabado de mandar. Sorri involuntariamente.

- Oh não, tu não fizeste isso – disse-lhe, ainda a sorrir. Ele ia-se arrepender tanto…

Corri até à banheira e liguei o chuveiro, apontando-o para ele.

- Pára! – Gritou-me – A água está gelada!

- É para acordares!

Veio a correr ter comigo e começou a tentar tirar-me o chuveiro das mãos. Ele molhou-me, eu molhei-o, e a minha casa de banho ficou quase inundada. Mas rimo-nos, e divertimo-nos, e por momentos jurei ter visto aquele olhar caloroso que me recebia cada vez que ia fazer a Passagem de Ano à terra da minha bisavó.

Acabámos os dois completamente encharcados, sentados no chão encostados à parede de azulejo branco, a rir como dois perdidos.

Quando o riso acabou, ficou um silêncio de morte nesta casa de banho. Era constrangedor, nem ele nem eu sabíamos o que dizer, e isto, até à data, nunca nos tinha acontecido.

Escorri a água do meu cabelo e do meu mini vestido roxo em seguida, e olhei para ele. Ele também me fitou e sorriu.

- O que foi? – Perguntou-me.

- Estava só a pensar… - a minha voz soou mais baixa que o normal, por isso elevei-a – Estava só a pensar se o rapaz que conheci ainda se encontra aí algures Logan.

- Porque é que dizes isso?

- Porque… - encolhi os ombros – eu já não te conheço. Já não és tu. És tipo… o clone do Collin… e a Amy? Credo Logan, a Amy?

Ele sorriu, mas não parecia ser um sorriso genuíno de felicidade. Baixou o olhar para o chão cheio de água e depois elevou-o de novo para mim.

- A Amy é só… - encolheu os ombros – Ela não é minha namorada, é só… ela foi a primeira pessoa que foi simpática para mim aqui, percebes? E o Collin é porreiro.

- Eu apenas não consigo perceber. Tu não gostavas de popularidade, costumavas abominar o conceito… e agora, és tudo isso.

- Também tu. As pessoas mudam Daphne, eu mudei. Tu não, mas eu sim.

Ele não tinha ideia. Não tinha ideia de como eu era, e de como me tornei no que sou hoje. De como conhecê-lo me influenciou. De como apesar de ainda ser fútil e superficial e ligar às aparências, já o fazer numa menos quantidade que fazia antigamente. Antes dele ter aparecido.

- Eu também mudei – afirmei – Dizes que não porque nunca conheceste a velha “eu”. Não verdadeiramente. Imagina a Amy… eu era dez vezes pior.

- Porque é que mudaste?

Encolhi os ombros.

- Acho… acho que percebi que ser popular não é tudo o que posso ser. E pela primeira vez tive alguém que gostava de mim quando não o era. Tu. Mas agora… agora até tu te deixaste deslumbrar por tudo aquilo.

- Mas tu gostas de ser popular.

- Eu adoro ser popular. Mas gostava da ideia de que quando parasse de o ser, ou se isso alguma vez acontecesse, ia ter alguém a gostar de mim sem ter que fingir algo ao pé dessa pessoa, percebes?

- Eu vou gostar de ti mesmo quando deixares de ser popular. Prometo.

Abanei a cabeça.

- Não. Tu és popular. É tipo uma obrigação: populares só gostam de populares. Já começou Logan. Já não és o mesmo com a tua irmã.

- A Jenny não é para aqui chamada.

- Porque não é popular?

- Porque eu não quero falar disso.

Encolhi os ombros e de novo o silêncio reinou. Eu só queria compreender a confusão que estava dentro da cabeça daquele rapaz.

- Sabes… eu é que vou ter que limpar esta bagunça toda – resmunguei.

Ele sorriu.

- Eu ajudo-te, deixa lá.

Depois de limparmos a casa de banho, e de eu me mudar de roupa e pôr o vestido para lavar, sentámo-nos na sala a ver televisão.

- Estás todo encharcado, não queres vestir uma roupa do meu pai ou assim? – Perguntei-lhe.

- Não é preciso – encolheu os ombros –, tenho que ir andando para casa também.

- Então vamos – levantei-me e ele ficou a olhar para mim – Deixaste o carro no bar, lembras-te? A não ser que queiras ir a pé até lá para o ires buscar…

- Pois – disse, passando com os dedos pelo cabelo molhado – Vamos lá então.

Metemo-nos no meu carro e eu conduzi até ao The Latest Place para que Logan pudesse ir buscar o seu.

- Então e como é que sabias onde vivia? – Perguntei-lhe.

- Segui-te depois de saíres da minha casa – olhei para ele atónica.

- Porquê? – Que raio?

- Queria saber onde moravas. E afinal deu jeito – voltou a encolher os ombros.

Estacionei o carro ao pé do dele, um carro desportivo preto. Uau, a empresa onde o pai dele trabalha agora deve-lhe pagar um balúrdio…

- Porque é que não vens também? – Perguntou-me ele – Podíamos ficar pela piscina o resto do dia…

- A tua mãe não está em casa? – Ele revirou os olhos.

- A minha mãe está sempre em casa.

- Digo-te o seguinte: vai mudar de roupa, vem ter à minha casa que o almoço é por minha conta, e depois vamos para a escola.

- Para ter uma aula?

- Sim. Eu não posso dar muitas faltas… - pura verdade, eu baldo-me demasiado por isso o Director já falou com os meus pais sobre isso. Vezes demais. Claro que eles nunca cá estão mas… mais vale prevenir que remediar.

- Está bem, combinado.

E assim fizemos. Ele foi para a sua casa e eu fui para a minha.

Comecei a fazer o almoço e pus a mesa, para que quando chegasse estivesse tudo pronto. E consegui. Quando o som da campainha se fez soar por toda a casa, já estava despachada.

Comemos entre gargalhadas e conversas que antigamente costumávamos ter. Nestes poucos minutos senti que tinha o “velho” Logan de volta.

- Não sabia que cozinhavas tão bem – disse ele, enquanto me passava os pratos para eu pôr na máquina de lavar a loiça.

- Não cozinho tão bem, Logan. Vou-me safando.

- Não, tu cozinhas mesmo bem. Posso-te fazer uma pergunta?

- Claro.

- Lembro-me de dizeres que os teus pais nunca estavam em casa, mas pensei que estivesses a exagerar. Não estavas… pois não?

- Não. – Encolhi os ombros – Acho que essa é a principal razão de saber cozinhar.

Ele riu-se, e ainda bem. Queria que esquecesse este assunto, não queria falar dele.

Quando nos despachámos seguimos para a escola, íamos apenas ter uma aula da parte da tarde, mas eu este ano tinha que ser mais responsável.

O nosso grupo estava sentado num muro, dentro do recinto da escola, e viram-nos aproximar. Fui atingida por um olhar de raiva vindo de Amy, e em troca mandei-lhe um sorriso trocista.

- Jenny – chamei, ao ver a irmã de Logan passar ao pé de nós – Não queres vir? Porque é que não estás a usar as roupas novas?

Ela olhou para mim, depois para o irmão, e em seguida para mim de novo, e abanou a cabeça.

- Não – respondeu. – São demasiado curtas… demasiado… não “eu”.

- Hum… anda lá, prometo que não deixamos que gozem contigo, certo Logan? – Disse-lhe, olhando para Logan em seguida e sorrindo.

Este olhou em volta e parou com os olhos no grupo que nos observava.

- Se ela não quer ser gozada que mude – disse, secamente, começando a dirigir-se directamente a Amy em quem pregou um beijo.

Deu uma volta com ela e enquanto a beijava olhou para mim. Senti-me a despedaçar naquele momento. Tinha sido tudo uma mentira. Uma farsa. Uma tarde total e completamente encenada.                                                                                           

As pessoas dizem que a linha entre o amor e o ódio são bastante ténues… e eu, hoje, pela primeira vez, consegui finalmente perceber o que isso significava. Só não sabia de que lado da linha me encontrava.

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