Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 15.04.11

Capítulo 14

Intimidações

 

Não sei como, visto que na minha casa a coisa que mais houve foram provocações vindas de Kevin e de Logan, mas tirámos um A no trabalho. Só sei que comecei a acreditar em milagres…

- Daph, aquele carro acabou de chegar – disse-me um colega meu, apontando para um Opel preto, estacionado à entrada da escola.

- Ok, obrigada.

A direcção da escola tinha tido a brilhante ideia de pôr os alunos a lavar carros para angariarmos dinheiro para novos computadores. É uma ideia boa, de facto, não temos aulas e ganhamos uns trocos, mas fogo, ainda ontem pintei as unhas… isto é exploração infantil.

Dirigi-me ao Opel e fiquei com as chaves e disse ao dono que daqui a uma hora estava pronto. Sim, porque ainda haviam alguns à frente do dele…

- Steven! – Chamei, mandando-lhe as chaves em seguida – Têm outro.

E em seguida fui-me sentar nos bancos de plástico, ao lado de Lucy e Kristen. Amy andava tipo barata tonta atrás do Logan enquanto este lavava o carro. Ela realmente não tem noção das figuras que faz…

- Está tanto calor – queixou-se Lucy.

- Estamos no fim de Novembro – disse eu –, não está calor

Pura verdade, não estava calor.

- Eu sei mas… eu só, eu já trabalhei tanto que sinto como se estivessem uns 40ºC – disse ela.

- Lucy… aceitaste um pagamento. Só.

- Exacto – uau, ela parecia mesmo convicta que aquilo era trabalhar muito… a sorte dela é ter empregada, se tivesse que tratar da casa como eu trato havia de ser bonito havia.

- Não aguento mais – queixou-se Collin, aproximando-se – Estou a morrer! Eu não fui feito para trabalhar!

- Então para que é que foste feito Collin? Para dar trabalho? – Perguntei, com uma vez de provocação.

- Muito engraçadinha – respondeu-me, com o mesmo tom. Eu apenas lhe sorri falsamente.

Eu realmente acho-lhes uma graça… quem se queixa são sempre aqueles que não fazem nada por aí além, e quem anda ali a trabalhar e a esforçar-se para angariar dinheiro para os computadores ainda nem um pio fez. Alguém como o Logan. Ele está a lavar os carros desde que chegou, de manhã, e só parou para almoçar e ir à casa de banho. E ainda não se queixou. Apesar de ter muitos defeitos tenho que admitir que me surpreendeu neste aspecto.

- Eu estou farta disto – queixou-se Amy, chegando-se ao pé de nós – Lucy, vamos à casa de banho.

- Mas eu…

- Lucy, vamos à casa de banho! – Interrompeu-a ela.

Credo, para que será que precisa que a Lucy vá?

- Está bem – disse Lucy, enfadada – Kristen, vamos lá!

- Mas eu não quero ir! – As outras duas mandaram-lhe um olhar e ela lá se calou e consentiu. Em seguida olharam para mim.

- É que nem sonhem, vocês não caem pela sanita se eu não for – disse logo, sem lhes dar uma hipótese sequer de falarem.

Elas viraram costas e lá foram. Collin sentou-se na cadeira que anteriormente tinha sido ocupada por Lucy e começou a olhar para mim. Chegou a um certo ponto que não aguentei mais e olhei para ele.

- Tenho alguma coisa na cara? – Reclamei.

- Estava só a pensar – ele, a pensar? É sempre mau sinal… - Estás solteira, certo?

- Sim…

- E nós somos ex-namorados…

- Sim… isso é genial, não sei como conseguiste chegar a essa conclusão – gozei.

- Tem calma babe. Que me dizes de irmos à sala de arrumações e… tu sabes, isto está aborrecido e…

- Eu não consigo acreditar no que estou a ouvir – disse, completamente pasmada – Meu, tu és nojento.

Realmente o Collin vem com cada uma… ai que raiva, eu nem tenho palavras!

Levantei-me, tirei uma garrafa de água da geleira e dirigi-me a Logan, que me sorriu e acenou.

- Oi – disse-lhe – Estás com sede?

- Na verdade sim – sorriu – Engraçado como a Amy ainda não me largou, e nunca pensou nisso.

- Lamento, ela não costuma pensar muito nos outros… Toma.

Tive cuidado ao dar-lhe a água, porque ele não podia agarrar por estar cheio de espuma de estar a lavar o carro, e eu não queria entornar aquilo tudo por cima dele. E por outro lado também não me queria sujar nem molhar. Porém falhei… e inclinei demasiado a garrafa entornando a água para a sua T-shirt.

- Oh meu deus, peço tantas desculpas – disse, ao voltar a endireitar a garrafa.

- Fizeste de propósito, não fizeste? – Perguntou, com os olhos semicerrados e uma cara que dizia “é melhor correres senão apanho-te”.

- Não! Juro, foi um acidente – disse, dando um passo atrás – Logan, seja o que for que estás a pensar fazer… não faças… ouviste? Não… - tarde demais, tinha agarrado num bocado de espuma com as mãos e mandado para cima de mim – faças… Logan!

Limpei a espuma da cara e olhei para ele.

- Estás tão glamourosa neste momento – disse, a rir-se.

- Oh meu deus, eu odeio-te! – Gritei-lhe, pegando também em espuma e mandando-lhe – Vais-te arrepender tanto!

Ele ria-se e mandava-me mais espuma e assim sucessivamente.

- Da próxima deixo-te a morrer à sede – disse-lhe, quando finalmente conseguia conter as gargalhadas.

- Vá lá, admite, este foi o ponto alto do teu dia – disse-me, a ainda a sorrir.

- Hum… nunca vais saber – disse, sorrindo, e antes de virar costas pisquei-lhe o olho e ele retribuiu.

As minhas suspeitas, tal e qual, quando estávamos só os dois, ele era óptimo.

Passei por Collin que olhava por mim atónico e entrei na escola para ir para a casa de banho. Oh meu deus, como eu estava… os meus calções de ganga estavam completamente encharcados, tal como o meu cabelo que certamente também se encontrava cheio de espuma… da blusa o melhor é nem falar.

Caminhei pelos corredores e ia fazer uma curva quando embati em John, que se desviou logo.

- Então miúda, de onde é que vens, a 3ª Guerra Mundial do Sabão? – Perguntou, verificando se o tinha molhado em qualquer lado.

- Muito engraçadinho – disse-lhe, desviando-me para parar.

Fui até à casa de banho e vi-me ao espelho. “Ai o meu cabelo! Eu vou matar aquele Logan!”, pensei. Mas ele tinha razão… tinha sido o ponto alto do meu dia.

Tirei a maior quantidade de espuma do cabelo que consegui – o que a meu ver foi toda mesmo –, e da roupa, e depois pus-me um bocado por baixo dos secadores de mãos para ver se enxugava um pouco. Era escusado, só se ficasse aqui meia hora e eu não tinha paciência para isso.

Se no ano passado me dissessem que ia andar pela escola desta maneira, tinha chamado logo ‘maluco’ à pessoa.

Fiz um carrapito um bocado mal feito com um elástico que tinha dentro do bolso dos calções e saí da casa de banho. Dirigi-me então de novo à porta para sair e ir para ao pé do sítio onde lavávamos os carros.

- Daphne! – “Oh não, alerta falsa. Bip, bip, bip”, avisou-me o meu cérebro.

Voltei-me para trás e vi Amelia a caminhar na minha direcção.

- O que foi? – Perguntei, quando chegou ao pé de mim.

- Eu sei que pensas que és a melhor, mas quero-te dar um aviso, Daphne – ela praticamente que cuspiu o meu nome – Vi o que aconteceu ainda agora, e só te digo isto: Mantém-te afastada do Logan. Ele é meu.

- É teu? O que é ele então? Um objecto? Alguma coisa sem vontade própria, Amy?

- Não me venhas com piadinhas. Foi um aviso.

Ela ia-se embora mas eu impedi-a, agarrando-lhe no pulso.

- Ou o quê? – Desafiei.

- Ignora o aviso e vais descobrir. Tens o Kevin, brinca com ele à vontade, ele faz tudo o que quiseres, é o teu boneco! Mas deixa o Logan em paz. – O Kevin? Ele não é o meu boneco, é meu amigo! Talvez ela não saiba como é por nunca ter tido amigos verdadeiros, mas isso já não é problema meu… ela teve-me a mim e desperdiçou-me, agora não me podia preocupar menos com essa história. – Ele está totalmente apaixonado por ti, por isso não se vai importar! Está mais fisgado que um peixe acabado de ser pescado.

Apaixonado por mim? Choque. Calma. Respira. Não… o Kevin não… A Amy mente, não o consegue evitar, é mentira, de certeza. Ok, respira.

“Concentra-te Daph, não deixes que ela te distraia agora”, pensei.

- Amy! – Mais uma vez a impedi de ir embora – Gostas disto? De fingires ser tão forte, e intimidar as pessoas, faz-te sentir bem? Porque lamento imenso porque nesse caso vou acabar com a tua felicidade: eu não tenho medo de ti. Yap, eu disse isso mesmo. E eu vou continuar a falar com o Logan como sempre falei, e tu não tens nada a ver com isso.

Num movimento rápido impedi que a sua mão viesse direita à minha cara e fiquei a agarrá-la pelo pulso, enquanto ela se debatia para que a soltasse.

- E se mais alguma vez me tentares bater, Amy, vais acordar careca. Escreve as minhas palavras.

Soltei-lhe a mão, “mandando-a” para longe da minha cara, e ela bateu com o pé e foi-se embora furiosa. Incrível, parecia uma miúda qualquer de cinco anos a quem foi negada a compra de uma Barbie no Centro Comercial pelos pais.

Assim que deixei de a ver encostei-me à parede e deixei-me escorregar por ela abaixo. O Kevin? Apaixonado por mim? Não… impossível. Ia ter que falar com ele sobre isto, talvez amanhã… talvez quando arranjar coragem…

26 comentários

Comentar post

Pág. 1/3