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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 17.04.11

E este é o último do dia...

 

Capítulo 20

A Ruptura

 

Caminhámos ambos em silêncio até ao meu carro, e ele pediu para irmos até ao parque, por isso fomos de carro até à minha casa e a partir daí seguimos a pé.

Conseguia ver pela sua expressão que não estava bem, e eu estava a ficar mais assustada a cada minuto que passava. De certeza que disse alguma coisa em voz alta, de certeza que ele ouviu. E de certeza que o magoei. Suspirei. Isso era o que eu menos queria no meio de tudo isto, magoá-lo.

Olhei de novo para ele. Queria que falasse, dissesse alguma coisa. Qualquer coisa. Este silêncio vindo da sua parte estava-me a matar. Talvez estivesse a escolher as palavras certas para me dizer a horrível pessoa que eu era; talvez estivesse apenas à espera que eu iniciasse a conversa. Mas seja qual for, eu já não aguentava mais.

- Kevin fala comigo, por favor – pedi.

Ele parou e eu parei com ele, estávamos os dois em cima do passeio, de uma rua por onde pouca gente passava a não ser de carro.

- Sonhaste com ele – não era uma pergunta. Engoli em seco, não consegui identificar que sentimento predominava na sua voz e não o queria agravar mais ao dar a resposta errada – Disseste que o amavas. É verdade?

- Eu estava a sonhar Kevin – murmurei.

- Não foi só o sonho… já tinha notado antes… sou tão estúpido.

- Não… não és. Eu não… eu…

- Tu ama-lo mesmo. Notei logo da primeira vez que estive com vocês os dois juntos… mesmo com essa raiva que mostravas por ele, sabia que no fundo o amavas. E eu amava-te a ti. – Levou as mãos à cabeça e encostou-se à parede.

- Kevin… eu peço desculpa – disse, já sem voz.

Não acredito que isto está a acontecer. Logo agora. Agora sim já conseguia ver dor nos seus olhos. Kevin… o meu melhor amigo… tinha acontecido o que eu mais temia. Nem era ele descobrir e não me perdoar. Era eu magoá-lo. Ele era, é, uma das poucas pessoas com quem me preocupo verdadeiramente. Ele merece essa preocupação. E agora acabei de lhe despedaçar a felicidade toda aos pedacinhos.

- Pedes desculpa…? – Deu um sorriso cínico. Isso não era dele – Pedes desculpa Daphne?!

As lágrimas iam-me começar a cair, mas eu não queria. Não ainda. Quando estivesse sozinha tudo bem, mas não ainda. Eu não merecia chorar. Merecia ouvir tudo e mais alguma coisa que ele me pudesse dizer, mas não merecia chorar. Eu é que criei esta situação toda.

- Mas eu gosto de ti Kev, juro – disse-lhe.

- Gostas de mim? Então porque é que me fizeste isto Daph? Porquê? Parecia assim tão miserável? Tão desesperado? Ou foi tudo por ti?! Porque lhe querias fazer ciúmes para que ele visse o que estava a perder e vir a correr para ti?!

- Não Kevin, não foi nada disso! Eu não lhe queria fazer ciúmes, não queria! Eu só… pensava que se conseguisse ser feliz contigo podia… o podia esquecer… - engoli em seco. A minha voz já me saía demasiado baixo. Ia desmoronar a qualquer momento.

- Sabes que mais? Eu estou farto, ouviste?! Farto! – Gritou-me. Estava completamente fora de si. – Tu és egoísta, usas as pessoas para o teu próprio proveito, não te preocupas com ninguém além de ti própria!

Uma lágrima escorreu-me pela bochecha, foi impossível contê-la. Ele pensava que o tinha usado. Kevin achava que apenas tinha namorado com ele por mim, e não por me preocupar com ele. Mas era mentira. Eu preocupava-me sim. Pensava que o estava a fazer feliz, eu queria fazê-lo feliz. E desejava poder ser feliz com ele, mais que tudo.

- Tu não queres dizer isso – disse, a tentar que a minha voz não saísse com um som estranho devido ao choro – Estás só a dizer isso porque estás chateado. Isso não é verdade.

- Tu nem sequer tens amigos verdadeiros Daph. Ninguém fica por perto tempo suficiente para te aturar. As amigas que tens, são aquelas que falam mal de ti nos corredores. As pessoas que olham para ti, apenas o fazem porque te expões demasiado. Parabéns, sempre quiseste ser popular e conhecida, conseguiste. E espero que estejas muito feliz, porque acabaste de estragar tudo entre nós por um tipo que mal conheces.

- Kevin não…

- Pára de falar comigo. Pela primeira vez na vida, faz o que alguém, além de ti, quer.

E assim ele foi-se embora, a caminhar cada vez mais depressa, com as mãos nos bolsos, deixando-me com a cara lavada em lágrimas e encostada à parede gélida de uma casa.

Ele tinha razão… tudo o que eu tinha era um grande balde de nada. Eu não tenho amigos verdadeiros, nunca deixei que ninguém me conhecesse verdadeiramente sem ser ele e Logan. E agora perdi-o a ele. E não tenho o Logan. Por isso estou completamente sozinha. Isso é o que ganho por ser popular. Nada. Porque posso saber os nomes das pessoas, elas podem saber o meu, mas no fim da história não existem amizades verdadeiras e duradoiras. No fim sou apenas uma cara bonita com quem ninguém se importa o suficiente para ficar junto dela.

Mais lágrimas me iam escorrendo pela face enquanto ia deambulando pelas ruas, em direcção ao único sítio para o qual podia ir. Ao único sítio onde, com um pouco de sorte, poderia conseguir algum apoio, nem que fosse apenas uma palmadinha nas costas e um “vais ver que tudo vai passar, Daphne”.

Observei aquela casa, e por momentos tive medo de tocar à campainha, mas fi-lo na mesma.

Quem me abriu a porta era precisamente a pessoa que precisava de ver, e sem dizer nada, apenas com as lágrimas a escorrerem-me pelo rosto, abracei-me a ela.

- O que é que se passou Daph? – Perguntou.

 

Com quem acham que ela foi ter? :o

É verdade, aproveito para dizer que faltam 4 capítulos para a história acabar

(em principio) :x

 

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