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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 18.04.11

Capítulo 21

Dor

 

- Sou uma pessoa terrível? – Perguntei, quando senti que a voz me ia conseguir sair, enquanto mais lágrimas me escorriam pela face e ela me fazia festas na cabeça.

Estamos assim há horas, desde que cheguei à casa dela que não paro de chorar. A Dianne trouxe-nos o jantar ao quarto, ficou bastante preocupada comigo quando me viu abraçada à Jenny, no hall, a chorar que nem uma madalena, e só descansou quando eu disse que ninguém tinha morrido e que não se passava nada de mais.

Desde então que estou fechada no quarto de Jenny, com ela, na sua cama. Ela está encostada à cabeceira, e eu tenho a cabeça pousada no seu colo. Sinceramente nem dei pelo tempo passar, mas sei que além de a hora do jantar já ter passado, já anoiteceu e bem.

Não parei de chorar desde que cheguei, ainda tentei, ninguém pode dizer que não tentei, mas foi em vão. Mas para quê tentar evitar as lágrimas de caírem se elas devem mesmo cair? Se têm motivos para tal?

Tinha acabado de destruir tudo, tinha o direito a chorar, mesmo que não pudesse fazer nada mais.

- O quê? Não… tu só… não! – Ela falava muito calmamente, aliás, esta tinha sido a primeira vez em todo este tempo em que tinha aberto a boca. Qualquer uma de nós, de facto. Tudo do que temos feito é, eu choro, e ela faz-me festas, sem fazer perguntas, como se soubesse que é mesmo isso que eu preciso.

- Oh meu Deus… sou mesmo – levantei a cabeça do seu colo e ficámos as duas sentadas na cama, em silêncio, durante pouco tempo. – Mas não queria ser, juro. Eu só… ele tem razão, eu sou egoísta… eu usei-o. Não me tinha apercebido antes mas, usei mesmo. Nunca gostei dele como ele gostava de mim, eu só… pensei que se tivesse alguém, ia esquecer o teu irmão, por isso nem me importei com os sentimentos do Kevin. Fiz tudo a pensar em mim. E agora o meu melhor amigo nem quer olhar para a minha cara e está tudo mal e...

- E resultou? – Perguntou, baixinho – Esquecer o meu irmão, resultou?

- Não… não resultou. – Mais lágrimas desabrocharam nos meus olhos e voltaram a escorrer pela minha face. Jenny apenas se inclinou para a frente e me abraçou.

- Tu não és uma pessoa horrível – sussurrou-me, ao ouvido – Só te perdeste pelo caminho. – Desviou-se de mim e limpou-me as lágrimas com os dedos – Agora já me consegues explicar o que se passou Daph?

Assenti com a cabeça e entre lágrimas e constantes pausas para respirar por causa delas, lá lhe contei a história toda, sem falhar uma única coisa. Falei-lhe de como detestava ir para aquela aldeia na Véspera de Ano Novo e de que desde que o conheci já queria ir; falei da promessa do beijo; falei das férias de Verão em que lá fui de propósito para estar com ele e eles já não estavam lá; da minha reacção ao vê-lo; da sua mudança repentina de comportamentos; de Kevin; de como tinha começado a minha relação com ele; de como me sentia…

- Ele vai perdoar-te – disse ela, sorrindo-me – O teu melhor amigo ama-te, ele estava de cabeça quente Daph.

- Não sei… - abanei a cabeça e limpei as lágrimas, agora, finalmente, após reviver tantas memórias, acho que já não tinha mais nenhumas para deitar – Eu não queria ser esta rapariga, sabes? Não sei o que me aconteceu para ser assim…

- Tu não és uma má pessoa.

- Não? Eu gozo com outras pessoas, eu represento todos os dias em redor dos meus “amigos” só para me manter no topo, digo tudo menos aquilo que penso, e minto. Magoei o meu melhor amigo porque menti. E tu? Jenny olha para ti… eu mudei-te.

Ela sorriu-me e desta vez foi ela a abanar a cabeça.

- Tu mudaste as minhas roupas, não quem eu sou – disse, sorrindo.

- Não foi assim que começou com o Logan? Roupas? E olha como ele se saiu…

- Ele não ama a Amy, sabes disso, certo?

- Mas não me ama a mim.

- Ele acabou com ela… - virei a cabeça para ela. Não sabia disto – Ele disse que nunca tinham namorado verdadeiramente, mas mesmo assim achou melhor acabar com ela, não fosse ela pensar que tinham alguma coisa.

- Ele contou-te isso? – Não o conseguia imaginar a partilhar estas coisas com a irmã, especialmente estando ele como está agora.

- Não, eu ouvi-os a falar no corredor hoje. Não foi de propósito, vamos só dizer que a Amy não fala propriamente baixo. Estou contente por o ter feito, ela não era boa para ele.

- Pois…

- Tu és – voltei a olhar para ela e ela mostrou-me um sorriso bondoso – É verdade, quando ele está contigo ele é apenas ele mesmo. Ele estava a regressar a isso, depois do Baile de Regresso ao Lar… mas depois começaste a namorar com o Kevin e…

- E tornou-se estúpido.

- Sentiu-se traído. Tu tinhas-lhe dito especificamente que não tinhas nada com o Kevin, e depois do nada ele vê-o a dar-te um beijo. Sentiu-se enganado, como é que tu te sentirias?

- Como é que me sentiria? Jenny eu vi essa cena vezes e vezes, com ele e a Amy, como é que achas que me senti?

- Eu acho que vocês são os dois demasiados parvos para fazerem o que querem. Vocês contentam-se, não vão mais além para irem buscar a felicidade que merecem.

Suspirei.

- A minha vida está um caos… o que é que eu faço?

- O que é que queres fazer? – Ela desencostou-se e pôs-se à minha frente, de pernas cruzadas à chinês – Não penses, diz apenas. O que é que queres fazer, o que queres que aconteça?

- Quero…  quero falar com o Kevin, com calma, quero fazer as pazes com ele, apesar de não acreditar muito que isso vá acontecer.

- E depois?

- Depois quero falar com o teu irmão, quero resolver as coisas também.

- Estás disposta a ir mais além Daph? Fazer o que for preciso para seres feliz?

Engoli em seco. A minha vida está uma desgraça, o meu melhor amigo não me quer ver à frente mas mesmo assim vou tentar falar com ele; o rapaz que amo à frente não me quer ver mas eu mesmo assim quero esclarecer certas coisas e dizer-lhe como me sinto; os meus pais não passam o mínimo tempo em casa mas isso também ia tentar fazer com que mudasse; Amy e Collin passariam a ser alvos a evitar, quanto mais longe melhor.

Estar disposta a ir mais além… ser feliz… sim, eu quero ser feliz, quero que o meu peito pare de doer como dói neste momento, e se ir mais além é o que é preciso para que isso aconteça, então eu iria mais além.

- Sim – respondi.

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