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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 19.04.11

Ao contrário do que vocês estão à espera, não, a Daph ainda não vai falar com o Logan agora.

Este capítulo vou dedicar à Joana porque, 1, não quero que vá parar ao hospital, e 2, ela faz comentários quase do tamanho dos capítulos :o

Obrigada querida ^^

Espero que gostem ^^

 

Capítulo 23

Emendes * Parte 2

 

Por algumas horas estive apenas a caminhar, a pôr as ideias em ordem, apenas a pensar em tudo e em nada. Até que a fome me atacou e olhei para o ecrã do telemóvel para ver as horas: três e cinquenta da tarde. Não tinha ideia que já era tão tarde, muito menos que tinha estado todo este tempo a andar e sem comer. Vi também que tinha uma mensagem de Jenny, e decidi abri-la para ver o que dizia.

A minha mãe deu-me o recado, mas mesmo assim, estás bem?”

Sorri. Jenny seria uma amiga para manter, independentemente do que acontecesse.

Estou bem, obrigada. Só preciso de arejar as ideias. Depois do jantar vou passar pela tua casa, ok? Tenho que falar com o teu irmão”.

Poucos segundos depois recebi a resposta.

Claro, vem à vontade”.

Sorri e voltei a pôr o telemóvel no bolso das calças.

Apressei o passo até um café onde toda a gente do Liceu costuma ir, e quando entrei a fila estava bem grande. Pensei em passar directamente para o início, pegar o meu pedido e vir-me embora. Mas não podia. Não se me quero remediar e ser alguém de jeito. Suspirei e pus-me no fim da fila, enquanto vários pares de olhos me seguiam ao fazê-lo. Sabia o que estavam a pensar. “Aquela é a Daphne?”, “Porque é que está no fim da fila?”, “Será que está doente?”. E detestava isso. Detesto que lá porque estou a fazer uma coisa que todos fazem e não me estou a armar em superior, todos estranhem. É que até o empregado que estava atrás do balcão olhou para mim de lado. Quer dizer, se passasse à frente não prestava e tinha a mania, como não passo tenho todos a encararem-me. Perfeito.

Quando a minha vez (finalmente) chegou, fiz o meu pedido, paguei, e saí de lá com a minha sandes mista e a Coca-Cola.

Fui-me sentar a comer num dos bancos do jardim que se encontrava em frente ao café, e quando acabei, ao levantar-me e virar-me para trás para me ir embora, esbarrei numa rapariga deixando cair o papel da sandes e a embalagem da Coca-Cola. Olhei para ela, Kelly Fitzburg…

- Peço tantas desculpas – disse ela, completamente em pânico. Mas eu mal ouvi, estava demasiado ocupada a olhar nos seus olhos. Eram azuis, nunca tinha reparado nisso antes, e isso é meio triste. Ao olhar para ela foi como se tivesse visto Jenny, e ao olhar para os seus olhos foi o mesmo que ver o reflexo de Amy e não o meu. Porque era isso que eu tinha sido para ela… uma Amelia McCanagall.

- Não… não faz mal Kelly – disse-lhe – Eu é que peço desculpa – Ela franziu o sobrolho, tinha sido apanhada desprevenida – Eu tenho sido uma estúpida para ti, e isso é dizer pouco. Desculpa a maneira como te tratei, não merecias.

Ela apenas assentiu com a cabeça e dirigiu-me um sorriso tímido, antes de retomar o seu passo. E eu fiz o mesmo.

Caminhei até casa, e quando lá cheguei já eram quase seis e meia da tarde, não tinha percebido o quanto aquele café ficava distante, visto que ia sempre de carro.

Quando cheguei deixei-me cair por poucos momentos no sofá e depois subi para ir tomar um banho. Enchi a banheira de água e espuma e pus-me lá dentro enquanto deixava que ela me pusesse o corpo a repousar. Sem notar acabei por adormecer, e quando acordei a água estava completamente gelada. Passei com a água quente pelo corpo e fui vestir o roupão e enrolar o cabelo numa toalha pequena. Pus o meu jantar a aquecer ao mesmo tempo que escolhia a roupa para vestir e depois fui comê-lo. Sozinha, como já estava tão bem habituada. O meu pai ainda teve a decência de me deixar uma mensagem no frigorífico a dizer que ia chegar tarde… como se fosse alguma excepção e não a básica rotina do dia-a-dia.

Fui enxugar o cabelo e maquilhei-me levemente para disfarçar as minhas olheiras, e depois vesti umas calças de ganga justas com umas correntes no cinto e uma blusa roxa, também justinha. Calcei uns All-Star pretos, não estava com paciência para me equilibrar em cima de saltos altos.

Peguei no telemóvel e nas chaves de casa e enfiei ambos no bolso das calças, agarrei nas chaves do carro e saí, conduzindo em direcção à casa de Logan.

Tinha que falar com ele, na pior das hipóteses ele só ia ser hipócrita e gozar comigo, certo? “Claro, não tens nada com que te preocupar”, disse-me o meu subconsciente. Graças a deus que posso sempre contar com ele para me acalmar… puro sarcasmo.

Estacionei mas não vi o carro dele, olhei para o relógio do rádio, eram quase dez horas, será que cheguei demasiado tarde?

 Bati à porta e quem a abriu foi Dianne, que me deu dois beijos na cara e me disse que já estava com melhor aspecto. Banhos fazem milagres… e aparentemente maquilhagem também. Mas a verdade é que já tinha dois pesos a menos: Kevin e Kelly.

Primeiro fui ao quarto de Jenny e dei-lhe um abraço enorme, e agradeci o que fez por mim.

- O teu irmão está no quarto dele? – Perguntei-lhe.

- Não sei… mas podes ir ver – respondeu – Estou aqui desde que jantei…

- Ok, eu vou lá ver.

Saí do quarto dela e fiquei de frente à porta do quarto dele. O meu coração quase que me saía do peito de tão forte bater, e o oxigénio tornava-se difícil de inspirar. Estava nervosa e a minha barriga embrulhava-se toda cada vez mais a cada segundo que passava.

Finalmente ganhei coragem e bati à porta, esperei, mas nada.

- Logan? – Perguntei, ao entrar. Porém o quarto encontrava-se vazio.

Era bonito, e estava razoavelmente bem arrumado para um rapaz. A cama de casal, ao centro, tinha uma colcha azul e o cortinado era preto. Havia várias revistas espalhadas na secretária, ao lado do computador portátil, e a cadeira estava ligeiramente afastada dela.

Na única mesa-de-cabeceira, algo me chamou a atenção. A única coisa que me impediu de sair do quarto e ainda me aventurar mais a entrar nele. Cheguei-me ao pé dela e agarrei na pequena moldura que lá estava, na diagonal, à frente do candeeiro. Sentei-me na cama e passei com os dedos sobre a fotografia que lá estava, enquanto esboçava um sorriso de pura felicidade. Era eu. Ele tinha uma fotografia nossa na sua mesa-de-cabeceira, mesmo a modo de poder olhar para ela enquanto adormecia, a mesma fotografia que eu também tinha, porém dentro da gaveta. Apertei a fotografia contra mim e viajei até esse dia. Tinha sido tudo tão perfeito… ele sorria, eu sorria… tirámos dezenas de fotografias, mas esta foi aquela que mais atenção nos despertou. Ele a dar-me o beijo na bochecha e eu a fazer aquela cara de parva que só dava vontade de rir… ao lembrar-me de tudo senti como se conseguisse ouvir todas as risadas que demos.

E aí finalmente percebi, que ele não é feliz. As risadas são diferentes… quando está com eles não ri da mesma maneira que ri comigo… finalmente percebi o porquê de o estar a julgar tanto. Era porque ele estava a ser exactamente como eu, a fazer exactamente os mesmos erros, a magoar pessoas, a fingir ser alguém que não é… e foi aí que percebi que o entendia. Que ele não tinha mudado. Apenas tinha fingido mudar para ser aceite. Tal como eu faço todos os dias.

Respirei fundo e voltei a pôr a moldura no lugar, levantei-me e fui até ao quarto da Jenny. Ele olhava para mim antes de adormecer… ele amava-me, tal como eu o amo a ele.

- Ele não está – disse-lhe, ao entrar.

- Se calhar foi ao The Latest Place… queres ir?

- Queres vir comigo?

- Na verdade já estava a pensar ir para lá… quero-me divertir… não quero que a Amy me impeça disso.

Abracei-a e sorri-lhe assim que a larguei.

- Vamos.

Despedimo-nos dos seus pais e fomos para o meu carro.

- Jenny, já alguém tinha ido ao quarto do Logan? – É que para ele ter lá aquela fotografia, parece-me extremamente improvável…

- Não, tu és a única colega nossa da escola que já foi à nossa casa.

Chegámos ao The Latest Place e entrámos, vimos Collin, Amy e o resto do pessoal, todos mesmo ele. Amy veio ter connosco juntamente com Kristen e Lucy, e sorriu-me.

- Já ouvi sobre o que aconteceu – disse-me, com aquela voz tão cínica que apenas ela sabe fazer – Sabes, talvez se não tivesses sido tão egoísta isso não tivesse acontecido.

Egoísta?! Mas quem é que esta rameira pensa que é para me chamar egoísta?!

Ia-lhe responder, ia-lhe responder bem, mas alguém se adiantou a mim.

- Oh, cala a boca Amelia – Disse Jenny. Tal como nos filmes, a música parou e toda a gente ficou em choque ao ouvi-la dizer tal coisa, até eu, pois até à data ela nunca tinha dito nada para se defender – Quem é que tu pensas que és?! Lá porque tens a porcaria de um carro fixe e mamas grandes, que por acaso são falsas, e um nariz retocado, não quer dizer que possas fazer tudo o que te dá nessa cabeça sem ponta de inteligência!

- O quê?! – Ao olhar para Amy, podia jurar que tinha visto um vulcão. E bolas, tinha acabado de entrar em erupção. – Tu… sabes com quem é que estás a falar?!

- Claro! Estou a falar com a rameira que deixa que todos lhe cheguem porque não aguenta não ser o centro das atenções! – Gritou-lhe Jenny. “Oh meu Deus…”, era tudo em que conseguia pensar – Faz um favor a toda a gente e vai-te lixar Amelia, ninguém se importa contigo, não és nada além de silicone e pouca auto-estima!

- Ah! – Amelia gritou, bateu com o pé e depois saiu do bar, completamente furibunda. Eu não tive reacção nenhuma sem ser rir-me à gargalhada, pouco me importando que os restantes espectadores estivessem completamente chocados.

- Jenny! – Exclamei, quando me consegui conter – O que é que te aconteceu? Tu foste fantástica! Ela não se vai meter com ninguém tão depressa!

- Acho que já estava farta dela – Jenny encolheu os ombros e eu pela última vez abracei-a. Afinal Jenny não era coitadinha nenhuma e pelo que vi conseguia-se defender melhor que bem.

- O teu irmão não está aqui, eu vou à procura dele – disse-lhe.

- Onde? – Perguntou.

- A todo o lado.

- Tudo bem, eu fico, quero dançar – ri-me mais uma vez e saí também do bar. Tinha que o encontrar.

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