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Love Between Changes

por Andrusca ღ, em 19.04.11

E chegámos ao último...

Este capítulo vou dedicar à Mag, e sweet, espero sinceramente que consigas perceber porquê ;)

 

Capítulo 24

Um Lugar Especial

 

Depois de quase meia hora a percorrer as ruas com o meu carro, finalmente o avistei. Tinha uma camisa às riscas vestida, e caminhava com as mãos dentro dos bolsos das calças de ganga.

- Logan! – Chamei, ao que ele olhou, quando estacionei o carro ao pé dele.

- O que foi? – Perguntou.

- Podes entrar por um bocado? – Vá lá, não compliques, vá lá…

- Para quê? – Ele não me ia facilitar a vida.

- Tenho que falar contigo, por favor – não sei se foi a súplica na minha voz, mas ele acabou por atender ao meu pedido e entrou no carro, para o lugar do passageiro – Podes-me emprestar o teu telemóvel? O meu ficou sem bateria.

- Claro… - passou-me o telemóvel para a mão e eu pu-lo dentro do meu bolso – O que é que estás a fazer, não o vais usar?

- Nop. Temos que ir a um sítio.

Arranquei com o carro e comecei a conduzir. Ia ser uma viagem algo demorada, mas não me importava, tinha que ir para lá.

- O que é que se está a passar? Para onde é que vamos? Eu ia para o The Latest Place. Raios Daphne, fala!

- Vês quando lá chegarmos.

Se quando lá chegarmos, e depois de eu dizer tudo o que tenho a dizer, ele mesmo assim me recusar, então saberei que está tudo perdido e não há a mínima hipótese… mas se não…

A viagem foi feita em pleno silêncio, podia até jurar que ele tinha amuado por quase duas horas, mas talvez assim fosse melhor do que estar só com perguntas.

Entrei na aldeia e vi pela sua expressão que reconheceu o local. Como é que não haveria de reconhecer? Foi a sua casa durante toda a sua vida.

Conduzi até ao começo do descampado e saí do carro. Caminhei pela terra por um pouco e vislumbrei a cidade, vista que este espaço nos oferecia. Não era Véspera de Ano Novo, mas este era o nosso lugar.

Ele ainda ficou no carro um pouco mais, mas depois ouvi a porta bater e passos na minha direcção. Respirei fundo, ia ser agora.

- O que é que estamos aqui a fazer? – Perguntou.

Voltei-me para ele e mordi o lábio. O meu coração já palpitava com mais força de novo, e tive medo que as palavras me ficassem entaladas na garganta, mas não podia deixar que este nervosismo levasse a melhor de mim.

- Este é o único lugar da aldeia em que há uma boa rede para o telemóvel…

- Eu sei, eu vivia aqui. Porque é que me trouxeste para cá? – Interrompeu-me, impaciente.

- Porque… na última Passagem de Ano sentei-me aqui mesmo, no chão, a pensar que talvez, no último minuto, tu fosses aparecer. Mas estava errada; não vieste. Por três anos passámos aquela hora juntos, e desta vez, a vez em que deveríamos estar mais juntos pois nem a distância nos separava, foi o ano que quebrámos isso. – Estava a divagar para sítios onde não queria ir neste momento, por isso obriguei-me a manter-me concentrada e a dizer exactamente o que pretendia – Enganaste-me por muito tempo Logan. Eu pensei que eras aquele rapaz, sabes? O atrasado mental arrogante com a mania que é bom. Pensei isso porque era tudo o que mostravas. Mas estava enganada, não estava? Tu não és esse tipo, não verdadeiramente. Estavas apenas a fingir, tal como eu. Tu és o tipo que eu conheci, não és? Porque se não fores, então porque raios tens uma fotografia comigo na tua mesa-de-cabeceira Logan? O que eu não sei é o porquê. Porque é que te deixaste influenciar de tal modo a achares que tinhas que mudar para aquele tipo de rapaz desprezível?

Ele engoliu e seco e pôs as mãos nos bolsos das calças, deu vários passos para a frente e um pontapé numa pedra pequena. Tal como eu, parecia estar a pôr as ideias em ordem.

- Eu passei o ano inteiro a pensar em ti – senti-me a corar quando o ouvi dizer isto – O ano inteiro. As poucas vezes em que mandávamos mensagens por causa da rede aqui, e dos horários escolares diferentes… nunca era o suficiente – eram raras as vezes que falávamos –, e tive saudades tuas. Senti falta do teu sorriso, da tua voz… até da maneira como resmungavas baixinho para ti mesma – sorri, timidamente, e ele virou-se de novo de frente para mim – E depois, no fim do ano escolar, o meu pai falou-nos da proposta que tinha tido. E então soube que aquela Passagem de Ano tinha sido a última vez que te ia ver. Mudámo-nos. A cidade era demasiado diferente àquilo a que estava habituado… e depois conheci-os. Primeiro foram o Collin e a Amy. Do Collin não gostei, mas a Amy… ela lembrava-me de ti.

- Arg – deixei escapar, um som de completo nojo. Ele riu-se e continuou.

- Não, é verdade, ela lembrava-me mesmo de ti. E depois comecei a lembrar-me de conversas que tínhamos tido e da alegria com que falavas quando o assunto era a escola, e o teu grupo de amigos populares… fazias aquilo soar tão…

- Cor-de-rosa?

- Sim… maravilhoso. E ao olhar para eles percebi que podia ter isso. E à medida que conhecia mais gente, e me deixava ser mais conhecido, senti como se me aproximasse de ti, porque estava a viver a vida que tu vivias. Depressa percebi que estava errado sobre a Amy, ela não é nada como tu, nem de perto, mas já era tarde para voltar atrás. E em todo este tempo nunca sequer pensei que tu podias morar lá. Nem uma única vez. Eles nunca falaram de nenhuma Daphne, e eu não perguntei… porque para que é que ia perguntar? Se eles eram teus amigos certamente falariam de ti, pela lógica.

- Não é cor-de-rosa – interrompi – Aquele mundo não é maravilhoso.

- Sim, eu sei. É cheio de…

- Mentiras. – Completei.

- E conspirações.

- E mais mentiras – ambos sorrimos.

- Só soube que eras de lá quando te vi naquele dia na escola, exactamente depois da Amy me ter…

- Beijado, pois, eu lembro-me. – Com muita mágoa minha, mas eu lembro-me.

- E nesse momento soube que era tarde demais. Vi qualquer coisa nos teus olhos… estavas decepcionada, triste… por minha causa. Daph, porque é que me trouxeste para cá?

- Porque estava cansada de lutar por um rapaz que não sabia se ainda existia. – Mas acredito que agora fiz a escolha certa – Por isso vou-te dar duas escolhas – mandei-lhe o telemóvel para as mãos – Telefona ao Collin, diz-lhe que estás a caminho, eu levo-te ao bar e continuas conhecido e popular como eras, mas vais esquecer tudo aquilo que passámos juntos, tudo mesmo; ou, não telefones, e fica aqui comigo, pára de ser o tipo que ambos sabemos que não és… Se telefonares ao Collin, não és o rapaz por quem me apaixonei, e eu juro que desisto, nunca mais te dirijo a palavra, prometo. Mas se não telefonares… - engoli em seco – então vou levar isso como um sinal de que ainda há esperança.

Ele sorriu-me e pude jurar que, apesar da escuridão da noite que já ia avançada, vi os seus olhos brilharem. O telemóvel escorregou-lhe das mãos e ele nada fez para o impedir de cair no chão de terra, e deu três passadas largas na minha direcção. Senti como se tivesse tudo voltado, ele sorria; eu sorria.

Pôs as suas mãos na minha face e eu apenas por ter a sua pele em contacto com a minha me arrepiei. Sentia correntes eléctricas passarem-me pelo corpo à medida que juntava a sua testa à minha e me olhava nos olhos, dando-me permissão para me afundar no verde denso que eram os seus. Ele passou a sua mão suavemente pela minha face e desviou-me uma madeixa de cabelo para trás da orelha, fazendo-me uma festa em seguida.

- Acredito que te devo um beijo – proferiu, baixinho, enquanto começava lentamente a juntar os seus lábios aos meus. Nem dois segundos demorou até sentir os seus lábios pressionarem nos meus, mas senti como se tivesse demorado séculos. Qualquer décima de segundo sem estar junto a ele era demasiado longa. Comecei a sentir a sua respiração junto à minha e o meu coração disparou a seiscentos. O quanto eu tinha esperado por este momento. Quando os nossos lábios finalmente se tocaram, senti tudo o que ele sentia, e deixei que me sentisse também. As suas mãos desceram para a minha cintura enquanto os meus braços lhe assentavam nos ombros e o puxava cada vez mais para mim. Não queria que este momento acabasse, era o momento perfeito, o beijo perfeito.

Comecei a precisar de respirar, mas não liguei, ele parecia importar mais que o próprio oxigénio, porém chegámos a uma altura em que fomos mesmo forçados a parar e a respirar. Ele manteve as mãos na minha cintura, e eu mais uma vez deixei-me encantar por aqueles olhos cor de esmeralda.

- Atrasaste-te com este beijo – brinquei.

- Mais vale tarde que nunca – disse-me, sorrindo em seguida – Daph… também te amo.

E dito isto juntou de novo os seus lábios aos meus, fazendo-me quase levantar voo de tanta felicidade.

 

 

O tempo tinha passado, e hoje é Véspera de Ano Novo, e cá estávamos nós, no nosso descampado, à espera que a meia-noite chegasse.

Este ano várias coisas aconteceram. Desilusões chegaram, assim como certas felicidades. Finalmente percebi que não tenho que me contentar com a felicidade que me dão, mas sim tentar ir sempre buscá-la mais além. E consegui isso com ele.

Ao longo do 11º ano várias coisas mudaram naquela escola. A partir do momento em que eu e Logan ficámos juntos, Amy e Collin começaram a cair da pirâmide da popularidade. Aprendi que não é porque se usa roupas com estilo ou andamos de nariz empinado que somos populares; basta-nos ser como somos. Amy anda agora sempre a rastejar por alguma ponta de atenção, mas com todas as maldades que foi acumulando ao longo dos anos, encontra-se completamente sozinha. O mesmo funciona para o Collin.

Não sei como aconteceu, mas desde que Jenny deu aquele raspanete a Amy, no The Latest Place, que toda a gente gosta dela. Arrisco até a dizer que é a rapariga mais popular da escola, e é giro vê-la lidar com isso, e quando as pessoas vêm ter com ela ou a encaram. Ela lida melhor com a popularidade que qualquer um de nós lidou… ou melhor, não liga, faz com que aquilo lhe passe completamente ao lado. E é por isso que continua a ser a nossa Jenny. Na verdade ela até começou a namorar com um nerd que eu nem sequer conhecia, mas que se revelou ser bastante simpático. O Logan embirra um pouco com ele, mas é só por ser o namorado da irmã “bebé” dele, afinal, ele e ela sempre foram juntos e ele não a quer ver sofrer… mas ele gosta dele, já me confidenciou.

E a Kelly Fitzburg? Aquela rapariga com quem eu e o meu grupo andávamos sempre a gozar? Bem, somos grandes amigas agora. Ela é porreira, e nota-se ao longe que não tem qualquer tipo de falsidade dentro dela, e isso é mais que perfeito.

Duke, John, Kristen e Lucy afastaram-se de Amy e Collin na esperança que lhes pudesse trazer alguma popularidade, e tentaram juntar-se a mim, Logan e Jenny, mas ninguém lhes deu hipóteses. Estou farta de hipocrisias.

Agora falo com o Kevin quase todos os dias; somos melhores amigos de novo, para meu grande alívio e felicidade. Ele diz que as aulas estão a correr bem, e que se apaixonou por alguém que retribui o sentimento. Chama-se Mag, e segundo ele é uma rapariga extraordinária. Espero que trate bem dele.

Depois de uma grande conversa com os meus pais, finalmente lhes disse que estava farta de nunca os ter por perto e de não sentir que se preocupam, e isso resultou, pois agora passam menos tempo nos respectivos empregos e mais em casa. A relação de ambos até melhorou, para meu grande agrado.

Quando a mim e Logan, estamos tão bem quanto alguma vez se pode estar, namoramos há quase um ano e estamos mais felizes que alguma vez fomos. Ele já voltou a ser quem era, o rapaz por quem me apaixonei, apenas manteve o estilo na maneira de vestir, coisa que eu adoro.

- Dez… nove… oito… sete… - começou ele – seis… cinco… quarto… três… dois…

- Um – completei – Feliz Ano Novo.

- Feliz Ano Novo.

Rodeou-me com os braços e beijou-me, mesmo no tempo em que as luzes do fogo-de-artifício começaram a iluminar o céu escuro da noite.

- Amo-te – proferi.

- Também te amo.

 

Fim

 

Então, que acharam da história?

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