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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 20.04.11

Capítulo 1

Seis Meses

 

Ellie


O despertador tocou e eu apressei-me a desligá-lo e a voltar a embrulhar-me nos cobertores. Mais um dia tinha chegado. Bocejei. Ontem tinha-me deitado às tantas da noite, por estar a falar com Danny, e hoje só me apetecia era ficar na cama em vez de ir para as aulas. “Curso de Medicina”, ecoou-me na cabeça. Isso mesmo, eu vou ser uma pediatra, e para isso tenho que me esforçar, não me posso desleixar, não que alguma vez tenha acontecido. Mais um bocejo. Levantei-me da cama e, a rastejar, fui para a casa de banho onde tomei um duche de água fria para ver se acordava bem. Quando regressei ao quarto, com o corpo enrolado numa toalha curta e o cabelo noutra, vi que tinha uma mensagem de Danny no meu telemóvel e automaticamente sorri. “Felizes seis meses. Sou o rapaz mais feliz do mundo graças a ti. Amo-te”, dizia ela. Os meus lábios ainda alargaram mais o sorriso e em seguida decidi telefonar-lhe. Ele atendeu logo ao segundo toque, e eu sentei-me na cama.

- Bom dia amor – disse-lhe.

- “Bom dia princesa.” – Em seguida fez um esgar, e eu percebi porquê, porque também eu notei que ele não me costumava chamar nada disto – “Fica muito lamechas?”

- Um bocado… mas eu gosto de ti assim.

- “Hum… recebeste a minha mensagem?”

- Claro, por que outra razão é que haveria de estar a telefonar? Lembraste-te…

- “Claro que me lembrei. Como é que havia de me esquecer do melhor dia da minha vida?”.

- Bem, tu és cá um exagerado… olha amor, tenho que me ir despachar senão atraso-me e tu já sabes como é o humor do Michael pela manhã quando as coisas não correm bem.

- “Está bem. Encontramo-nos à entrada?”

- Claro. Até já, beijos.

- “Até já, amo-te.”

- E eu amo-te a ti.

Desliguei a chamada e fui-me vestir. Optei por umas calças de ganga, uma blusa de alças e umas sandálias. Depois sequei o meu cabelo escuro e prendi-o numa longa trança. Olhei-me ao espelho e pensei que se pusesse o lápis preto nos olhos eles iam ficar mais realçados… eram verdes, e ia ficar mais bonita… mas depois ia ter que ouvir a minha mãe a reclamar por isso achei melhor não.

É verdade, hoje eu e Danny fazemos seis meses de namoro e as coisas eram impossíveis estarem melhores. Cada vez mais sinto que é com ele que devo estar, que pertencemos um ao outro. Estes foram os seis meses mais perfeitos da minha vida.

Desci as escadas e dirigi-me à sala de jantar, onde os meus pais já estavam sentados a tomar o pequeno-almoço, e juntei-me a eles.

- Bom dia mãe, bom dia pai – cumprimentei.

- Só se for para você – e pronto, o meu pai não consegue saudar uma pessoa normalmente de manhã… bem, nem a qualquer outra hora do dia, não quando essa pessoa sou eu, e não desde que lhe disse que nem por sombras vou ficar na sua firma de advocacia – Já se deixou de palermices Eleanor? Está pronta para pedir desculpa e pedir para fazer parte da minha firma?

- Não pai – respondi, pondo manteiga na minha tosta –, lamento.

- Bem, a escolha é sua.

Pois sim, diz-me que a escolha é minha e depois fala-me desta maneira. É que é inacreditável, faz hoje seis meses que lhe disse que queria ser pediatra, e ele anda de birra desde então, até enjoa, parece que tem cinco anos.

- Não vamos começar com isto, pois não? – Perguntou a minha mãe, enfadada – Não podemos ter uma manhã calma como todas as outras pessoas?

- Até poderíamos se a sua filha não fizesse questão de andar com marginais e a espatifar-me o carro, nem tivesse essas ideias idiotas sobre querer ser médica pediatra.

Mordi-me tanto para não lhe responder. Os tempos em que apenas amuou e deixou de me falar parecem-me o Céu agora. Isto é bem mais insuportável, detesto tê-lo assim a falar da minha vida. E ainda por cima a chamar marginal ao meu namorado. Sim, porque apesar de ter dito no plural eu sei muito bem que lhe é dirigido a ele. E o meu pai não é ninguém para julgar o rapaz que amo. Ninguém. E o carro? Por amor de Deus, isso foi há seis meses!

Ia-lhe dizer qualquer coisa, que certamente iria originar uma discussão, mas Michael entrou pela sala de jantar, tinha o cabelo todo desgrenhado e sorriu-me, pegou numa tosta e pôs-lhe compota, e meteu-a inteira dentro da boca.

- Bom dia a todos. Vamos? – Perguntou-me – Daqui a nada chegamos tarde.

- Pois, é melhor é – disse o meu pai. Desta sim, ele ia-me ouvir.

- Esquece Ellie – sussurrou-me Michael ao ouvido, puxando-me levemente pelo braço para me levantar.

Saímos e entrámos no carro dele, e ele começou a conduzir em direcção à escola.

- Amanhã conduzo eu, pode ser? – Pedi, esperançosa.

- O quê?! – Ele largou uma gargalhada bem sonora – Estás a sonhar, só pode. Ellie, sabes que eu te adoro, mas lembras-te do que fizeste ao Mercedes do pai? Eu adoro o meu carro, desculpa lá.

- Nunca me vais parar de julgar por isso – resmunguei. Bolas, eu estava sobre stress, não tenho culpa, eu não sou má condutora.

Quando chegámos avistei-os à entrada. Alyssa estava a falar com Trent, estavam de mãos dadas, tinham feito anteontem seis meses também de namoro; Kath – que estava a adorar cada segundo nesta escola e fora do Colégio de Freiras – falava com Rachel enquanto esta esperava pelo meu irmão; mas não vi Danny, estranho. Se calhar ainda não tinha chegado.

Aproximámo-nos deles e o meu irmão agarrou-se logo a Rachel, enquanto Kath veio ter comigo. Falámos por um pouco, mas depois tocou e eles foram entrando eu fiquei à espera do Danny. É verdade, este ano, décimo segundo, ele está na minha turma em quase todas as aulas.

Senti abraçarem-me por trás e o seu perfume inundou-me instantaneamente. Deu-me um beijo no pescoço que me arrepiou da cabeça aos pés.

- Cuidado, não dês tanto nas vistas, o meu namorado pode ver-nos – brinquei.

- Ahah, muito engraçadinha menina Davies – disse-me, sem humor.

Voltei-me para ele e rodeei o seu pescoço com os meus braços.

- Não estava a tentar ser, juro – disse-lhe – Mas ele é um bocado ciumento…

Danny riu-se e abanou a cabeça, fazendo com o que o sol lhe batesse na argola que tinha na orelha e me encadeasse por breves segundos.

- Aposto que ele só gosta que os outros saibam que têm que se meter na linha – disse-me, sorrindo.

- Hum… é justo. – E em seguida sorri-lhe e dei-lhe um beijo ao leve – Felizes seis meses.

Senti o seu sorriso junto ao meu beijo, quando juntou de novo os nossos lábios.

- Já te tinha dito que te amava, hoje? – Perguntou.

- Acredito que sim… mas podes dizer de novo. – Ele deu-me mais um beijo.

- Amo-te.

Nisto deu o segundo toque.

- Também te amo… mas temos que ir.

Ele suspirou, íamos ter Química, e tal como ele, eu não tinha a mínima vontade de ir. Mas tinha que ir, íamos ter exame este ano, não me podia desleixar.

- Pois… ‘bora lá para o tédio… - entrelaçou os seus dedos nos meus e começámos a percorrer o corredor já para o vazio.

 

Então, que acharam do primeiro capítulo? :p

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