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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 24.04.11

Capítulo 5

Os Pais

 

Ellie

 

Avistei Rachel a andar no corredor e apressei o passo até chegar a ela, queria falar com ela sobre o que se passou com Felícia anteontem, mas ainda não tínhamos tido oportunidade. Eu sei que ela ficou magoada com o meu irmão, ela gosta verdadeiramente dele, ele é que é cego demais para ver. Eu já sabia que isto ia dar mal, o meu irmão pode ser cinco estrelas para montes de coisas, mas no que diz respeito às raparigas e a sentimentos só sabe é fazer asneira. E ainda por cima com Rachel, que é uma das pessoas com quem eu me preocupo mais.

- Oi – disse-lhe, ao chegar ao lado dela.

- Bom dia – e como sempre, deu-me o seu maior sorriso. Eu não sei como é que consegue apenas sorrir e camuflar-se de emoções desta maneira. Às vezes bem desejava conseguir.

- Estás bem? – Perguntei, ao que ela apenas assentiu com a cabeça – A sério Rachel? Sou eu, não tens que te fingir de forte, eu sei que estás magoada com o meu irmão.

- As palavras também servem para ti excepto que o Danny não é meu irmão – disse ela, calmamente –, e claro, que a desviou e chateou-se, ao contrário do Michael.

- Oh querida… - dei-lhe um abraço – o meu irmão não sabe o que tem. Ele é um idiota do pior.

- Pois é… - murmurou, ao meu ouvido, desviando-se de seguida – Mas quando começámos a andar não éramos exclusivos, por isso acho que dá para aguentar bem.

- Mas tu ama-lo… como é que aguentas isso? – Retomámos o nosso caminho para as salas, que ficavam no mesmo corredor – Se fosse o Danny eu… eu nem sei.

- Pois…

Deu o toque e fomos cada uma para a sua aula. Passei-a quase toda a mandar Danny calar-se, até que ele amuou, encostou-se à cadeira e não fez mais nada o resto do tempo. Ai que temos aqui uma criança de cinco anos…

Finalmente tocou, confesso que até eu já me estava a sentir entediada com a professora, e saímos.

- Fogo, tu não me ligas nenhuma – disse ele, com aqueles olhos de cachorrinho abandonado.

- Oh amor, eu tenho que prestar atenção…

- Pois sim, mas eu tenho saudades tuas… - e dito isto virou-se para mim e deu-me um beijo – Há montes de tempo que não estamos os dois sozinhos a namorar…

- Daniel Stryke, ainda esta semana passei a tarde toda na tua casa, eu lembro-me bem, só ontem é que consegui voltar a dormir bem por causa daquele filme.

- Oh Eleanor Davies, não sejas má, sim? Queres ir para lá outra vez esta tarde? – E lançou-me um daqueles sorrisos todos encantadores aos quais me era completamente impossível negar alguma coisa, fosse o que fosse.

- Sem filmes de terror?

- Prometo.

- Combinado.

A meio da manhã ainda tive que levar com Felícia na mesa do bar, ela praticamente que se juntou – à força – ao grupo, e eu e Rachel só tínhamos vontade de a estrangular.

Ia sozinha para a sala quando ouvi chamarem-me e vi Michael a dirigir-se a mim.

- Então maninha, tudo em cima? – Perguntou, a rir-se.

Eu dei-lhe uma chapada no ombro, não com muita força, mas definitivamente nada leve, e o seu sorriso desapareceu.

- Tu és mesmo estúpido, sabias?! – Perguntei-lhe – Enquanto estás para aí a babar-te para a menina “ai eu tenho um cabelo vermelho”, a tua namorada está a sofrer seu idiota!

- O quê? Eu não me estou a babar Ellie, e a Rachel está bem, acabámos mesmo agora de falar.

- A sério? A sério Michael? Oh meu Deus, às vezes nem acredito que és meu irmão! Achas mesmo que ela está bem?! E se um tipo qualquer entrasse por aqui e lhe desse um beijo, e ela além de corresponder ainda o abraçasse em seguida, como é que ficavas?! Hum?

- Nada feliz… mas ela está na boa.

- Tu consegues ser tão tapadinho quando queres… ela não está bem, vai por mim. Se gostas mesmo dela acho que devias falar com ela, porque confia em mim, ela não vai esperar para sempre. Ninguém espera.

E depois fomos para as aulas.

Quando todas as minhas aulas acabaram, fui com Alyssa para o portão porque ela também já não tinha mais, para ir com Danny.

- Não gosto nada dela – queixou-se Alyssa, referindo-se a Felícia –, tem cá uma mania.

- Eu também não gosto nada dela – desabafei –, desde o primeiro momento que a vi. Mas o que é que havemos de fazer?

- Porque é que não dizes ao Danny para se afastar dela?

- Porque… porque não é justo, eu também tenho amigos e ele não me diz para me afastar deles apenas porque são rapazes.

- Estão todos comprometidos Ellie.

- Não é o que interessa aqui. Desde que se mantenham com limites, eu não me importo, e a cena que aconteceu no bar, bem… ele afastou-a, certo? Isso tem que lhe dar ao menos o benefício da dúvida.

- Eu mantinha os olhos abertos se fosse a ti.

- Acredita, eu estou a mantê-los.

Danny já estava ao pé da sua mota, encostado a ela. Despedi-me de Alyssa e fui ter com ele, montámo-nos na mota e ele conduziu-nos até sua casa.

Abriu a porta e entrámos. Mal fizemos a curva para as escadas, duas figuras que eu apenas conhecia por fotografias vieram saídas da sala.

- Daniel! – Exclamou a mulher, a sua mãe.

- Mãe? – Perguntou ele, a olhar para mim, confuso – Pai? O que é que estão aqui a fazer?

- Ora essa, a casa é nossa, não é verdade? – Perguntou o pai dele, dando-lhe um abraço.

Não sei porquê, mas eles pareciam… cínicos? Não, não posso dizer isso dos meus “sogros”…

- E a menina é? – Perguntou a mãe dele, para mim.

- Oh, eu sou a Ellie – respondi-lhe. Ela fez uma cara que indicava que o nome não lhe dizia nada – A Eleanor… eu sou a namorada do seu filho…

- O Daniel tem uma namorada? – Ok, isto está a correr mal. Ela virou-se para o Danny em seguida – Nunca nos falou dela, querido.

E eu estava a ver pela cara dele que não estava a gostar nada da conversa.

- Talvez eu devesse ir… - disse-lhe – nós combinamos qualquer coisa para depois…

- Não – disse-me –, tu ficas. Mãe, a única razão pela qual nunca vos falei da Ellie foi porque da última vez que vos vi foi há mais de seis meses! Lembram-se? Quando vieram e depois se foram embora logo depois de constatarem que não estava morto?! E as únicas coisas que falamos ao telefone são sobre vocês! E isso é de dois em dois meses! Quando é que se vão embora desta vez?

- Daniel, filho… - começou o pai dele.

- Quando pai? – Interrompeu Danny.

- Daqui a três dias – respondeu-lhe.

- Vês? Exactamente o que eu estava a dizer. Vamos Ell – agarrou-me na mão e puxou-me pelas escadas acima. “Ell”… ele tinha consegui arranjar um diminutivo para o meu diminutivo, incrível.

- Prazer em conhecê-los – disse eu, baixo. Se bem que não sei se foi lá muito indicado…

 

Danny

 

Fomos para o meu quarto e após ela entrar eu bati com a porta, estava completamente furioso! Eles não podem entrar assim na minha vida para saírem logo a seguir! Não podem tratar a rapariga que amo como alguém inferior só porque nunca me deram a possibilidade de lhes falar dela.

- Sabes que mais?! Quando nós tivermos filhos nunca vamos ser assim para eles! – Só depois de olhar para a sua expressão desprevenida é que reparei nas palavras que me tinham acabado de sair da boca, sem qualquer aviso prévio – Desculpa, não sei de onde é que isto saiu. Saiu-me totalmente sem controlo. – E assim só por pensar nessa possibilidade sorri.

- Não faz mal – ela encolheu os ombros, mas notei que ficou meio pensativa.

- Tu não queres ter filhos? – Perguntei, um bocado a medo, não queria que ela levasse a conversa para sítios que não devia de ir. Ela sentou-se na cama e eu sentei-me ao lado.

- Claro… daqui a uns anos, muitos anos Danny.

Ri-me.

- Quantos filhos?

- Um chega.

- Um? Que tal três? Uma mini tu, um mini eu, e outro para desempatar a casa. – Agora quem se riu foi ela.

- Três? Deves estar a delirar. Sabes como é que os bebés nascem Danny? É do meu corpo que eles vão sair, não do teu. Um chega.

- Tudo bem… - abracei-a e dei-lhe um beijo no ombro – Uma mini tu chega para me fazer feliz.

- Os teus pais deixam-te mesmo em baixo, não deixam? – Notei que perguntou aquilo com um bocado de medo, e respirei fundo.

- Deixam – respondi –, mas já estou habituado, daqui a três dias eles vão embora e volta tudo a como era antes. Promete-me uma coisa.

- O quê?

- Que quando tivermos a mini tu não a vamos deixar para irmos viajar.

- Tudo bem, desde que seja um mini tu, e não mini eu.

- Isso nem se discute, eu quero uma cópia tua.

- Mas eu não te chego, é?

- Bem jogado.

 

Ellie

 

Danny deixou-me à porta de casa e depois de nos despedirmos com um beijo entrei em casa e cumprimentei a minha mãe, seguindo em seguida para o meu quarto. Entrei, fechei a porta e deitei-me na cama ainda com uma cara de parva. Eu estava muito longe de me imaginar a falar de filhos com Danny, esta era uma daquelas conversas que imaginava daqui a cinco anos no mínimo. Mas tenho que admitir que me mete a pensar. Mas ele que nem sonhe em ter mais que um, esse vai chegar perfeitamente.

Mas também, se ainda nem sequer começámos a “treinar” para os fazer, não nos vamos preocupar com isso.

Agora os pais dele… eu juro que não sei o que pensar deles…

Bateram à porta e eu sentei-me para ver quem era, Michael tinha acabado de entrar e dirigiu-se à cama para se sentar ao meu lado.

- Então, eu falei com a Rachel… - começou.

- E?

- E tu tinhas razão… mas falámos, e falámos, e eu prometi que aquelas cenas não se iam repetir… pedi desculpa e pronto, estamos bem.

- No fim Michael, tu és um sortudo que nem te digo… - disse-lhe eu, a revirar os olhos – Saiu-te a rapariga mais compreensiva e calma do mundo.

- É, eu sei…

- Michael… tu queres ser pai?

- Não sei… porquê? – Notei pela sua cara que não tinha achado piada nenhuma à pergunta, e que estava mais confuso que sei lá o quê.

- Por nada, era só uma curiosidade, é que tu e o Danny são parecidos e…

- Eleanor Davies! Tu estás… - Ele estava em completo choque, e eu já tinha percebido porquê por isso nem o deixei acabar.

- O quê?! Não! Credo, não Michael!

- Então que raio de conversa é essa? Fogo, não me faças tio tão novo.

- Relaxa mano, não é nada.

 

E pronto, o único do dia.

Espero que tenham gostado ^^

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