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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 25.04.11

Capítulo 6

O Inglês

 

Ellie

 

O meu amor tem andado doente há quase uma semana, ou seja, as aulas têm sido uma seca total. Todos os dias tenho ido lá um bocado para a casa dele quando me despacho da escola, mas ele é um doente terrível! Diz que não quer tomar os medicamentos nem comer a sopa que a Alice lhe faz porque, primeiro, as drogas não lhe melhoram a saúde, e segundo, aquela sopa é má. Ontem já não tinha febre quase nenhuma, e pelo que me disse hoje pelo telemóvel, está melhor. Disse que talvez amanhã já podia vir. Finalmente.

- Bem turma, este é o vosso novo colega, Jeffrey – disse o professor – Ele é novo por estas bandas, por isso tratem-no bem. Podes-te sentar ao lado da Eleanor.

- Mas professor, este é o lugar do Danny… - disse eu, levantando a mão.

- Eu sei, descansa, é só por hoje. Afinal, quem melhor para introduzir o Jeffrey à escola se não a minha melhor aluna? – E riu-se. Desde que Danny se pudesse sentar aqui quando voltasse, tudo bem.

Jeffrey começou-se a dirigir para mim e sorriu-me, sorriso esse que lhe retribui. Observei-o pela primeira vez. Era alto, mais alto que Danny, mas não parecia ter um corpo tão atlético, pelo menos era o que dava a entender ao ver-se o pullover que se encontrava por cima de uma camisa. Tinha umas calças de camurça, e ao contrário dos outros adolescentes, não usava ténis mas sim sapatos. Os seus olhos castanho-avelã estavam escondidos atrás de uns óculos, e o seu cabelo era loiro encaracolado, porém curto.

- Ora bom dia – disse-me. Tinha uma pronúncia inglesa a que eu não estava acostumada a ouvir, e não sei porquê, dava-me a entender que era bastante bem educado.  

- Bom dia – respondi.

- Eleanor, permita-me dizer-lhe que é uma rapariga muitíssimo bonita.

Ai se o Danny estivesse aqui Jeffrey já devia estar estendido no chão com um olho negro. Sim, Danny era assim. Não o facto de andar à porrada com todos os rapazes que me dizem uma coisa simpática, mas no facto de ser bastante ciumento. De certeza que já lhe tinha mandado uma boca qualquer.

- Jeffrey, obrigada, e trata-me por tu. Mas acho que deves saber que também estou muitíssimo comprometida.

Ele engasgou-se e dirigiu-me um sorriso atrapalhado.

- Claro que estás – disse-me – As raparigas bonitas estão sempre.

Olhem-me este…

- Então, de onde vieste?

- Meninos – ralhou o professor –, Eleanor, eu sei que ele é novidade, mas não podem discutir essas coisas fora da sala de aula?

- Desculpe – dissemos os dois ao mesmo tempo.

Quando saímos da aula fui-lhe mostrar a escola e apresentei-o ao meu grupo de amigos, visto que ele não conhecia mais ninguém.

Surpreendentemente, ele fazia-me lembrar eu. A “eu” acabada de sair do colégio, quando vim para cá. Mas não completamente, só um bocadinho de nada.

Descobri que ele veio de Londres para cá por causa do pai, que aceitou um emprego, e por isso teve de sair do colégio em que lá andava e veio para esta escola pública, mas que também preferiu assim pois não gostava do colégio. Ele parece-me porreiro, apesar daquele aspecto “ai não me toques”.

Quando a escola acabou pedi ao meu irmão para me deixar na casa de Danny.

 

Danny

 

Levantei-me às onze horas, e mesmo assim ainda ficava na cama mais tempo. Assim que desci as escadas vi Alice de mãos na cintura, parada no fim delas.

- O menino não devia estar a descansar? – Perguntou, no mesmo tom que usava quando eu fazia alguma asneira.

- Eu estou bem Alice – afirmei. Fogo, isto de estar doente, e ter Alice em casa, é complicado.

- Pois sim, vá mas é para o seu quartinho que eu já lhe levo o pequeno-almoço.

- Sim minha comandante.

Voltei a subir as escadas e a entrar no quarto e deixei-me cair em cima da cama. Isto de estar preso nestas quatro paredes há quase setes dias é um tédio… eu sei que não gosto de me levantar cedo nem de ir para a escola, mas fogo, devia existir um meio-termo.

Alice levou-me torradas com sumo à cama, juntamente com um comprimido que me obrigou a engolir. Eu não acho que seja com drogas que vou melhorar, detesto tomar medicamentos, mas ela e Ellie não me percebem. Enfim, duas contra um, que se há-de fazer?

Depois tomei um duche e vesti umas calças do fato de treino com uma t-shirt, e vi televisão até à hora do almoço, quando tive que comer mais daquela sopa odiosa. Que treta.

Quando o som da campainha finalmente soou senti-me aliviado, finalmente ela estava de volta. É incrível como apenas por estar algumas horas afastado dela, já sinto a sua falta.

Pouco depois bateram à porta do meu quarto e eu fui abrir, apenas por ser recebido pelo seu melhor sorriso.

- Bom dia princesa – disse-lhe.

- Bom dia? Daqui a nada é hora de jantar – disse ela, dando-me um beijo na bochecha – E princesa? Estás a piorar amor?

- Ahah, que engraçadinha. – Puxei-a pelas mãos até à cama onde nos sentámos encostados à cabeceira e ela se encostou a mim e pousou a cabeça no meu ombro. – Então, hoje há novidades?

- Há. Então e o meu doentinho está melhor?

- Estou. Conta-me tudo, estou a morrer de tédio.

- Bem… temos um novo colega, chama-se Jeffrey e hoje sentou-se ao meu lado em Química porque tu não estavas…

- Pára tudo! No meu lugar? – No meu lugar?! Ao lado dela?! Mas quem é que aquele gajo julga que é?!

- Sim, mas não te preocupes, foi só por hoje porque ele não conhecia ninguém.

- Hum… - já não gosto do gajo.

- Veio de Inglaterra e por isso não conhece nada disto, por isso… e não te passes amor, apresentei-o ao grupo.

- O quê?! Mas tu nem o conheces Ellie. – Ai que isto já não me estava a cheirar nada bem. Então ela conhece o gajo num minuto e depois já não se largam? Mau…

 

Ellie

 

- Não sejas assim Danny – e ainda nem ele sabia de Jeffrey me ter chamado bonita, senão até se passava – Ele é porreiro.

- É porreiro?! Pois, já percebi tudo, eu falto uma semana e tu…

- Podes parar já por aí – detesto tanto quando ele começa com estes ataques de ciúmes – Eu amo-te a ti, ok? Só quis ser simpática.

- Pois sim, está bem. – E fez aquela cara de amuado.

- Amor… - desviei-me dele e pus-me ao seu colo, com uma perna de cada lado, e agarrei-lhe na cara para que olhasse para mim – não precisas de ter ciúmes, combinado? Eu não quero nada com ele, só contigo, percebes?

- Está bem, mas oh Ellie…

- Não – pus-lhe o dedo na boca para que não começasse a disparatar e dei-lhe um beijo – Só a ti, ok?

Ele suspirou.

- Raio do inglês… mas está bem, eu confio em ti… mas…

- Não – e mais uma vez calei-o com um beijo.

 

Provavelmente posto mais um, mas não prometo nada...

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