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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 25.04.11

Capítulo 7

Os Amigos

 

Danny

 

- Eu odeio este tipo – murmurei, baixo, ao ver o quanto Ellie se ria com o paspalho do inglês. Mas nenhum deles ouviu. É pena, talvez o betinho se revoltasse e me desse mais um motivo para lhe rebentar aquela carinha bonita.

- O quê? – Perguntou Michael.

- Nada – resmunguei, dando mais uma dentada na minha sandes.

- Olá pessoal! – Exclamou Felícia, ao chegar. Puxou uma cadeira e sentou-se entre mim e Michael. Reparei que Ellie nem ligou à sua chegada, quando, antes do inglês, a teria deixado completamente furiosa. Olhei mais uma vez para o betinho. Aquela cara não enganava ninguém. Amigos o caraças, ele queria bem mais, mas lixou-se que com ela ninguém se mete – Tudo em cima?

- Não podia estar melhor – respondi, apertando o pacote do sumo com mais força.

- Tudo – disse Michael.

- Claro que sim, porque não? – Consegui detectar sarcasmo em Alyssa, uau, alguém está a sair da casca.

O inglês aproximou-se mais de Ellie e disse-lhe qualquer coisa ao ouvido que a fez soltar uma gargalhada enorme. Já me estava a passar.

- O que é que tem tanta graça? – Perguntei, já com a voz azeda.

- Não é nada amor – disse Ellie. Pois, nota-se que não é nada.

- Relaxa meu – aquela pronúncia inglesa até metia nojo.

- Controla-te pá – disse Felícia, baixo, apenas para eu ouvir – A gaja também tem direito a ter amigos, não?

- Daquele tipo não – respondi, ao que ela revirou os olhos – E ela não é uma “gaja”, é a minha, percebido?

- Ai como tu estás…

- Meu, ainda ontem fomos sair os três – Michael referia-se a ele, eu e Felícia – e a minha irmã não resmungou, e sabes que ela não gosta nada da Felícia. Desculpa lá minha.

- Sem stress, também não morro de amores por ela – disse Felícia.

- É diferente – resmunguei – Ellie, queres ir dar uma volta?

Ela olhou para mim e depois para o inglês e depois para mim de novo. Mau, mas demorava assim tanto tempo para se decidir entre mim, o namorado, ou um gajo que tinha conhecido a semana passada?!

- Claro – respondeu-me, sorrindo-me – Depois continuamos – disse para o inglês, passando-lhe com a mão no ombro ao levantar-se, e ele sorriu-lhe. Mãos nos ombros, que raio? Isto já está a passar das marcas.

Levantei-me também e fui ter com ela, dando-lhe um beijo e entrelaçando os nossos dedos.

- Vamos? – Perguntou-me.

- Claro – respondi, dando-lhe outro beijo rápido.

Pus-lhe um braço à volta da cintura e dirigimo-nos para o jardim em frente à esplanada onde estávamos. Olhei para trás e o inglês estava a observar-nos, se Ellie não estivesse aqui eu bem lhe dizia…

- Querias-me dizer alguma coisa amor? – Perguntou-me, puxando-me para um banquinho ao pé de uma fonte pequena que até tinha a água desligada.

- Nem por isso, porquê? – Sentei-me e deixei que se sentasse ao meu colo, e ela olhou-me com aqueles olhos de “já te percebi”.

- Daniel Stryke, estás ciumento outra vez? – Perguntou-me.

- Tu tens esse efeito sobre mim. E ver-te sempre a rir e junta com o inglês…

- O Jeffrey – ela odiava que eu o tratasse por “o inglês”.

- O inglês – reforcei, ao que ela revirou os olhos – faz-me, sei lá, ficar…

- Com ciúmes – ela revirou os olhos e dirigiu o seu olhar para a fonte – Ouve, já não percebeste que te amo a ti?

- Sim, mas…

- Espera. Eu amo-te, Danny, não tens nada que te sentir inseguro ou ciumento porque eu amo-te. Mas eu tenho o direito de ter amigos, ou não?

- Sim, eu deixo-te ter amigos, tu falas com o Trent, falas com montes de gajos, só que o inglês…

- Espera lá – ela levantou-se do meu colo e olhou-me chateada – Tu deixas-me?! Como se mandasses em mim ou assim?!

Engoli em seco, talvez não tivesse usado as palavras mais correctas… mas bolas, ela devia compreender o meu lado também, não?!

Levantei-me também e fiquei de frente a ela.

- Não foi isso que quis dizer – disse-lhe.

- Mas olha que pareceu.

- Tudo bem, então foi! E sabes que mais?! Não quero que fales mais com o inglês! – Explodi por completo. Porque é que ela tinha que ser assim tão teimosa? Porque é que não dava para me fazer a vontade apenas de uma vez por todas?!

 

Ellie

 

Eu não tinha acabado de ouvir o que ele disse, certo? Não… ele nunca me diria com quem posso, ou não, falar, certo?! Pois, o problema é que disse!

Detesto quando tem estes ataques de ciúmes, apesar de achar que nunca nenhum tinha sido tão grave quanto este. Respirei fundo para me acalmar. Ele não mandava em mim, eu não sou um objecto ou uma propriedade qualquer, sou uma pessoa! Uma pessoa com vontades e sentimentos e não um robô!

- Esquece – disse-lhe –, não vai acontecer.

- O quê?! – E no entanto ele parecia completamente atónico – Ellie, eu sou o teu namorado…

- Não o meu dono! – Gritei-lhe – És o meu namorado, não o meu dono, Danny! Eu tenho o direito de escolher os meus amigos, e não é lá porque tu tens uma crise estúpida de ciúmes que me vou afastar deles!

- Porque é que não percebes o meu lado?!

- Porque é que não percebes o meu?! – Voltei a respirar fundo e fitei-o. Eu não acredito que estávamos a discutir em pleno jardim por uma coisa tão estúpida quanto isto – Eu por acaso já te disse para te afastares da… - “Não Ellie, ‘cabeça de fogo’ não é o nome dela”, pensei, antes de falar – Felícia?! Não disse, pois não?! E achas que gosto que saias assim tão frequentemente com ela depois da maneira como a conheci?!

- Nós já falámos da Felícia, não há nada entre nós!

- Exacto! Da mesma maneira que não há nada entre mim e o Jeffrey, com a única diferença de que ao contrário de vocês, nós nem um passado temos!

Ele olhou-me chateado e vi que tinha o maxilar tenso, tal como as mãos fechadas em punho. Já não estava a gostar da conversa.

As pessoas que passavam olhavam para nós e via-se medo nos seus olhos. Claro, quando se vê um rapaz com o estilo do Danny, no parque com uma rapariga e furioso como aparenta – e está –, pensa-se logo numa coisa: ele vai bater-lhe. Mas eu conhecia-o, ele era incapaz de tal acto, e por isso eu não tinha medo dele. Apesar destas crises sei que só as faz porque me ama, e isso até é bom de certo modo, apesar de atravessar todos os limites de outro.

- Danny, eu nunca te disse para te afastares dela porque vocês são amigos – disse, já com a voz mais baixa e calma –, mas eu também sou amiga do Jeffrey e tu não tens o direito de me pedir isso.

Ele respirou pesadamente e abanou a cabeça.

- É pedir assim tanto? – Perguntou-me, também com a voz mais serena.

- É – respondi –, porque nós não escolhemos amigos.

- E se eu me afastar da Felícia, afastavas-te do inglês?

- Fazias isso? – Tê-lo afastado daquela rapariga era das coisas que mais desejava, mas não, eu não me ia afastar de um rapaz que me faz passar bons momentos em troca disso. Ele assentiu com a cabeça, mas pelo contrário, eu abanei a minha – Fica com a tua amiga, eu fico com o meu.

- Mas…

- Confia em mim Danny.

- Eu confio em ti…

- Não parece – e é verdade, para estar assim tão inseguro só pode significar que não confia em mim, e isso matava-me por dentro. Cruzei os braços e olhei para o chão.

- Ei… - ele aproximou-se e abraçou-me – em ti eu confio, é nele em quem não consigo confiar… ele é esquisito, e não apenas por se atirar a ti, é mais qualquer coisa que não sei explicar. Eu não gosto dele.

- E não tens gostar – murmurei, de encontra ao seu peito –, tens que respeitar – ele permaneceu calado – Danny?

- Sim?

- Promete-me que não vamos discutir mais sobre isto, por favor, estou farta…

- Está bem – ele respirou fundo e eu pude sentir o seu coração a bater juntamente ao corpo – Queres voltar para ao pé deles?

- Não… quero ir para casa. Levas-me?

- Claro.

Largou-me, deu-me um beijo suave nos lábios e depois levou-me a casa na sua mota. Detesto discutir com ele, deixa-me sempre de rastos. Mas ao menos desta vez tinha acabado depressa. Mas até quando?

 

E por hoje chega :D

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