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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 07.10.10

E como eu agora ando encorajadora de conversas íntimas e envergonhadoras, aqui vai mais uma (que sinceramente não sei para que serve)

Espero que gostem

 

Capítulo 7

Surpresa

 

Quando cheguei à escola vi Gary sentado sozinho, numa das mesas de pedra, com os pés apoiados no banco. Fui ter com ele, não via nem Gwen, nem Derek, nem Verónica. Gwen eu percebo, é humana, e mais que isso: é vaidosa. Mas Verónica e Derek? Isso não. Como é que vampiros chegam atrasados?

Sentei-me ao lado dele e pousei também os pés no banco. Ele suspirou.

- Que foi? – Perguntei.

- A Gwen disse que ia chegar tarde.

Não consegui evitar dar uma risada, mas ele olhou-me com um ar carrancudo.

- A Gwen chega sempre em cima da hora Gary – disse-lhe eu – Não é nada novo.

- Pois, tens razão. Então e que novidades é que contas? Agora que parei para pensar, não temos falado muito.

- Não há nada de novo.

- A Charlotte tem-te chateado?

- Não – mentira…

- Olha que ela não é para brincadeiras. Pode parecer santinha, mas disso não tem nada.

- Sim, eu já percebi essa parte. Mas não te preocupes, está tudo bem. Então e tu?

- Bem… há uma coisa em que eu tenho andado a pensar… mas nunca perguntei ao Derek porque não sei bem qual seria a reacção dele e… é embaraçoso.

Oh Deus, não gosto nada quando ele se mete com estas conversas assim…

- Ok… então pergunta-me a mim – eu vou-me arrepender tanto disto…

- Ok, mas não precisas de responder se não quiseres.

- Quando tu e o Derek… tiveram… a vossa primeira vez, ele perdeu o controlo?

Oh Deus! Eu sabia que me ia arrepender de lhe ter dito que me podia perguntar. Que vergonha, não acredito que estou a falar com o Gary sobre isto. Matem-me já.

Senti as bochechas a corar antes de responder.

- Não – respondi –, não perdeu.

- E… - pela expressão que ele fazia, se pudesse corar, já devia estar da cor de um tomate – como foi?

- Co… como foi? – Credo, esta conversa até me faz gaguejar – Foi… bom?

- Isso foi uma pergunta?

- Não, quer dizer sim. Quer dizer… foi bom… porque é que queres saber?

- Porque… a Gwen anda-me a provocar e a provocar e a insistir…

- Espera. Esta é a tua primeira vez?

- Não! É a primeira vez desde que fui transformado.

- Hum… por isso tens medo de magoá-la.

- Exacto. Quer dizer… e se eu me entusiasmo demasiado e me descontrolo? Ela não percebe os riscos…

- Bem… a Gwen pensa que está a viver um conto de fadas, no entender dela, tu nunca lhe farias mal.

- Então no teu eu faria?

- Não Gary… no meu… eu estaria atenta aos perigos, só isso. Eu não acho que a vás magoar, mas tu tens que ter a certeza disso.

- Vais contar ao Derek que eu perguntei isto?

- Se não contares, eu não conto.

- Combinado – e demos um aperto de mão.

Aleluia, ainda bem que acabou. Senti um alívio enorme quando vi Lisa, uma colega nossa, dirigir-se a nós.

- Desculpem, vocês viram o Kyle? – Perguntou.

- Não – respondeu Gary.

- Bolas! Eu estava à procura dele porque a prima dele acabou com o namorado, que estava a traí-la com a namorada do Kyle, que descobriu que o Kyle a traiu e… - bem, que grande confusão.

- Está bem Lisa – disse eu – Podes continuar a procurar.

Lisa é aquela rapariga fofoqueira, que parece as velhotas da minha rua que não têm mais nada que fazer. Ela ama falar da vida dos outros, e descobre sempre tudo. Se queremos saber alguma coisa de alguém, é à Lisa que perguntamos. Ela dava uma boa espiã…

- Ela nunca se cala, pois não? – Perguntou Gary, retoricamente. Eu respondi-lhe com um sorriso.

Vi Verónica chegar, e dirigir-se a nós. Que raio, mas onde é que anda Derek?

Verónica cumprimentou-me com um abraço e deu um pequeno empurrãozinho a Gary, que lhe respondeu com um sorriso.

- Por acaso não sabes onde o teu irmão anda, pois não? – Perguntei.

- Ele ficou em casa a tratar de umas coisas, mas já deve estar mesmo a chegar.

Quando tocou fui para Biologia e Derek ainda não tinha chegado. Já estávamos todos sentados quando o professor começou a escrever no quadro, e então ouviu-se bater à porta.

- Posso professor? – Perguntou Derek, ao abrir a porta.

O professor autorizou e ele foi-se sentar no seu lugar, a três meses da minha.

Arranquei uma folha do caderno e comecei a escrever.

«O que é que se passou? Aconteceu alguma coisa com a Charlotte?»

Virei-me para trás e pedi para passarem o papel, e voltei-me para a frente. Passados poucos segundos o papel já estava de volta a mim. Desdobrei-o silenciosamente, e vi o que Derek tinha escrito debaixo do que eu escrevi.

«Não foi nada de mal, digo-te lá fora. Porquê? Ela fez-te alguma coisa?»

Peguei na caneta de novo e escrevi por baixo do que ele tinha escrito.

«Não, não me fez nada. Falamos lá fora. Adoro-te»

A conversa ficou por aqui, mas não consegui parar de pensar em qual terá sido o motivo que o demorou tanto. Assim que tocou, levantei-me e aproximei-me da mesa dele.

- Tem calma – disse-me – Não te posso dizer aqui.

Inclinou-se e deu-me um beijo enquanto arrumava as coisas na mala, mas o professor fez um barulhinho com a garganta, e quando olhámos para ele, estava a olhar para nós e a abanar a cabeça. Senti-me a ficar vermelha que nem um tomate.

Assim que saímos da sala Derek agarrou-me e puxou-me para ele.

- Desculpa ter-me demorado – disse-me, beijando-me em seguida.

Agarrou-me na mão e começou a dirigir-me para a saída. Atravessámos o corredor, saímos e começámos a dirigir-nos para o bosque.

- Porque é que vamos para o bosque? – Perguntei.

- Digo-te quando estivermos longe o suficiente.

Andámos e andámos, até que chegámos ao pé do lago maravilha, e Derek parou e virou-se para mim. Entrelaçou as suas mãos nas minhas e beijou-me. Ele quer qualquer coisa. Noventa e nove por cento das vezes que ele faz isto, é porque a seguir me vai pedir qualquer coisa.

- Preciso que faças uma coisa – pediu, assim que parou de me beijar. Só não adivinho a lotaria.

- O quê?

- Hoje é o aniversário do Gary, e nós estamos a fazer-lhe uma festa para depois das aulas.

- É? Mas eu estive com ele de manhã, e ele não me disse nada…

- Pois, normalmente não celebramos porque somos só os três, mas desta vez é diferente.

- Como?

- Desta vez há pessoas a saberem que ele vai fazer 137 anos.

- Vocês não contam os anos humanos?

Ele sorriu.

- Não. Começamos a contar a partir da transformação.

- Ok, o que é que queres que eu faça?

- Que o mantenhas ocupado à tarde, e que o tragas para a nossa casa só à noite.

- Porque é que a Gwen não faz isso?

- Porque a Gwen quer ajudar nos preparativos. Os teus irmãos também vão para lá, vou buscar a Abby quando sair da escola. Que me dizes?

- Ok, eu empato-o. Mas ele é perspicaz, vai saber logo que se passa alguma coisa.

- É aí que conto com o teu talento de mentir, para o manteres na ignorância.

- O meu talento para mentir? Credo, estamos tramados.

Ele deu uma gargalhada e voltou a beijar-me. A verdade é que eu sou das piores mentirosas que há no mundo. A sério, se fizessem as Top 5 piores mentirosas, eu estava lá.

Derek e eu aproveitámos para namorarmos um bocadinho, até que ele ouviu a campainha da escola tocar – vá-se lá saber como – e tivemos que ir. Ele levou-me às cavalitas, para chegarmos mais rápido. Ainda me lembro da primeira vez que ele me transportou assim, ia-me dando uma coisa má quando ele subiu à árvore, e depois saltou de lá. Pensava mesmo que ia morrer. Mas não. Ele aterrou como se tivesse saltado de um banco ou uma mesa baixinha.

Quando chegámos ao princípio do bosque, pôs-me no chão e caminhámos normalmente, a uma velocidade rápida, mas humana.

Pensei em implorar a Derek para não me deixar ir para Espanhol, mas não tinha alternativa. Se lhe dissesse o que se tinha passado com Charlotte, e o quanto ela me irritava, ele ia ficar preocupado e enervado, e super-protector. Tenho que pensar positivo, ela já nos veio chatear, por isso se calhar já se foi embora.

Derek deu-me um beijo antes de entrar na sua sala e eu caminhei mais uns passos para entrar na minha. O professor tinha acabado de entrar. Assim que pousei com o olhar na mesa, vi-a lá, toda sorridente. Era sorte a mais.

Sentei-me ao lado dela e fiquei calada. Tirei as coisas da mala e preguei os olhos ao professor. Desde que ela não metesse conversa, estava tudo bem.

- Então, tudo bem? – Sussurrou-me. Pois sim, era mesmo ela que ia ficar calada.

Não lhe respondi e comecei a passar o que o professor estava a escrever no quadro, enquanto sentia o olhar dela, pregado à minha cara.

- Eu falei contigo – insistiu.

Olhei para ela.

- Estou a tentar ouvir o professor, posso?

- Não. Eu falo contigo, e tu respondes.

Revirei os olhos e voltei a olhar para a frente.

- O teu namoradinho gostou da surpresa que lhe fizeste? É que aquelas coisas pirosas…

- Charlotte cala-te, por favor.

- Uau, isso foi rude. Eu perdoo-te. Como estão os teus irmãos?

- Porque é que te interessa?

- Porque não vou matar enquanto estiverem doentes. Não dá gozo. Dá sempre jeito saber da saúde das vítimas.

Voltei a olhar para ela.

- Tu metes-me nojo – disse-lhe – E mantém-te afastada dos meus irmãos!

- Ou o quê?

- Ou… vais-te arrepender.

Nos lábios dela apareceu um sorriso de gozo.

- Estás-me a ameaçar? Tenho que dizer, não foi uma ideia muito boa.

- É pena.

- Mas vou admitir, tu és corajosa… ou muito estúpida.

Fingi não ouvir este comentário e ela passou o resto da aula calada. Quem me dera poder trocar de lugar, mas estavam todos cheios, e além disso não ia mandar ninguém para ao lado da Miss Dentinhos Afiados.

Depois do almoço, eu e Gary tivemos uma aula juntos, e depois acabou-se por hoje. Derek, Gary, eu e Gwen saímos todos juntos.

- Bem, eu tenho que ir – disse Derek – Vemo-nos logo? – Não me deu tempo para responder, deu-me um beijo suave nos lábios e começou a afastar-se.

- E eu também tenho que ir – disse Gwen.

- Ok, eu vou contigo – prontificou-se Gary.

- Não! – Ok, Gwen ainda é pior que eu a disfarçar – Quer dizer… tenho planos com a minha mãe… tarde de mãe e filha.

- Hum… ok. Vou ter saudades tuas.

Depois das despedidas mais longas de sempre, fiquei sozinha com Gary, no fim das escadas.

- Eu acho que sendo assim vou para casa – disse ele, encolhendo os ombros.

- Não – disse-lhe eu. Ele olhou para mim – Eu preciso da tua ajuda. Eu ia… - a onde é que eu ia? Um sítio… um sítio… oh Deus – ao centro comercial comprar um casaco, e o Derek ia comigo.

- E precisas da minha ajuda para comprar um casaco?

- Pois… - péssima desculpa! Por trás de Gary vi Charlotte passar e fazer-me um daqueles sorrisos detestáveis. Que se lixe… - é por causa da Charlotte. O Derek não quer que eu ande sozinha e…

- E não podes ir noutro dia?

- Vá lá Gary! Eu preciso mesmo da blusa.

- É um casaco.

- E uma blusa – por favor, dêem-me já um tiro…

- Ok… vamos lá.

Fomos no meu carro para o centro comercial, e pus-me a experimentar casacos até não poder mais. Passámos duas horas dentro das lojas, e cada vez que saíamos de uma e eu não comprava nada, Gary revirava os olhos.

Acabámos por nos sentar num banco, ao ar livre.

- Já podemos ir para casa? – Ok, a voz dele parecia implorar.

- Gary… eu preciso mesmo de um casaco.

- Vem aí o Inverno a caminho, e só experimentaste casacos de Verão.

Raios! Eu também não tenho culpa dos casacos que têm nas lojas!

- Ok, vamos embora.

Levantámo-nos do banco e começámos a andar até à saída. Vi as casas de banho do lado esquerdo, e tive uma ideia. Parei de repente e ele ficou a olhar para mim.

- Estou maldisposta – disse-lhe, a tentar fazer uma cara enjoada.

Corri até à casa de banho das mulheres e fechei-me num cubículo. Tirei o telemóvel do bolso e mandei uma mensagem a Derek a perguntar se ainda faltava muito. Ele respondeu-me poucos segundos depois, a dizer que nós só podíamos voltar às nove da noite. Olhei para o relógio do telemóvel, seis da tarde.

- Isto vai ser divertido – murmurei, sarcástica.

Puxei o autoclismo para ele ouvir, e lavei as mãos para ele também ouvir. Quando saí da casa de banho tive que pensar noutra coisa para o empatar.

- Queres ir ver um filme? – Perguntei – Saiu uma comédia a semana passada.

- Chloe, eu quero ir para casa.

- Por favor… eu quero mesmo ver.

- Vês noutro dia, com o Derek.

Fiz uma cara triste, com uma mistura de amuada.

- Tu agora não me ligas nenhuma – acusei – É só Gwen para aqui, e Gwen para ali. Que tipo de melhor amigo és tu?

Ouvi-o inspirar. Ainda me faz confusão, porque é que os vampiros fazem isto?

- Está bem – cedeu.

Sorri, triunfante. Isto assim resulta sempre.

Fomos ao cinema, e a sessão começou às seis e meia. O filme foi uma seca total, mas tive que me rir para Gary pensar que estava a gostar. Credo, odeio empatar tempo.

Quando saímos do cinema eram oito e dez e ele já se estava a dirigir para a saída.

- Gary espera! – Ok, isto saiu-me como um grito desesperado, e isso não é bom.

- O que é que foi agora? – Virou-se para mim e mandou os braços ao ar, deixando-os cair de novo de encontra às pernas.

- Eu… eu estou com fome.

- Não podes comer em casa?

- A sério? Tu, melhor que ninguém, devias saber que quando se tem fome tem que se comer.

Ele suspirou. Desgraçado, deve estar a apanhar uma seca. Enfim…

- Vamos lá.

Comemos no McDonald’s, ou melhor, eu comi. Empatei o máximo de tempo, e comi dois hambúrgueres, mas não consegui nem comer mais nenhum, nem demorar mais tempo a comê-los. Isto é uma pequena amostra de tortura…

Pagámos a dirigimo-nos à saída, mas muito lentamente. Faltavam quinze minutos para as nove, quando o meu telemóvel começou a vibrar. Vi que era Derek e atendi.

- “Chloe, aconteceu uma coisa. Podes vir aqui a casa? Rápido?” – Perguntou ele, assim que atendi.

- Sim, vou já.

Desliguei o telemóvel e apressámo-nos a chegar ao carro. Conduzi até à casa dos Thompson, e ouvia Gary a reclamar por eu conduzir devagar. Eu não conduzo devagar, conduzo a uma velocidade segura.

Saímos do carro e atravessámos o jardim, e quando chegámos à porta, Gary empurrou-a.

- Surpresa! – Gritaram todos juntos, enquanto Gwen saltou para a nossa frente.

- Vocês fizeram isto? Não acredito – disse Gary, a observar a casa toda enfeitada com fitas, placares e luzinhas a piscar.

- Parabéns – disse-lhe eu, a sorrir.

Ele deu uma gargalhada.

- Obrigado – disse-me – Por tudo.

Divertimo-nos imenso, mas quando chegou à parte do bolo, só os meus irmãos e Gwen é que comeram. Já não aguentava comer mais nada, senão aí é que vomitava mesmo.



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