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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 27.04.11

Capítulo 10

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Depois do piquenique tardio, Danny deixou-me em casa e seguiu para a sua. Já estava toda a gente a dormir, por isso fui arrumar as coisas à cozinha e depois subi para ir para o quarto. Vi que a luz do quarto do meu irmão estava acesa, e por isso espreitei lá para dentro. Ele estava deitado a dormir, todo torto e destapado. Devia estar gelado. Eu sei que eu estava, fui parva em não ter levado casaco, afinal, é fim de Novembro, não Agosto.

Fui até ele e tirei-lhe a revista de desporto que estava a ler, tapando-o com o lençol e o cobertor em seguida. Ele mexeu-se, mas não falou nem abriu os olhos. Ia ficar assim até de manhã.

Desliguei-lhe a luz do candeeiro da mesa-de-cabeceira e fechei a porta ao sair.

Fui tirar a maquilhagem e tomar um duche rápido, enfiei-me no meu pijama quentinho e em seguida na cama.

 

Uma Semana Depois…

 

Finalmente o último dia de escola tinha chegado. Aleluia. E depois… duas semanas de descanso para aproveitar com Danny. Danny… eu já não andava a gostar nada da história dele com a Felícia, aquela só me veio chatear a vida e bem. Cada vez que ela entra num sítio, os olhos dos rapazes brilham, incluindo os de Danny. Chamem-lhe ciúmes, chamem o que quiserem, mas os olhos do meu namorado só podem brilhar ao olhar para mim. E foi por isso que tomei esta decisão. Se bem que neste momento, ao olhar para o espelho, sinto-me algo ridícula. Respirei fundo, não havia de ser nada, se aquela Felícia e as outras raparigas conseguiam andar nestas roupas e saltos, então caraças, eu também conseguia.

Observei-me mais uma vez para ver se estava tudo em ordem. Os calções pretos estavam bem curtos e tinham alguns rasgões; a blusa rosa também os tinha, e mostrava um ombro; e as botas curtas pretas com o formato em bico estavam brilhantes e acabadas de calçar. Tinha umas madeixas falsas no cabelo, de um tom rosa, que foram presas com ganchinhos, e os olhos sublinhados com o lápis preto. Só espero que o Danny goste…

Desci as escadas e os meus pais olharam para mim com desagrado, e Michael até deixou cair a tosta que estava a comer, mas ninguém se pronunciou.

O caminho no carro também foi bastante quieto, Michael apenas me perguntou se havia alguma razão para esta mudança, ou se estava com algum problema, e a ambas as coisas eu respondi negativamente.

Estacionou o carro e em seguida fomos ter com todos às mesas ao pé do bar. Danny estava de costas, por isso só quem me viu foi Trent, Rachel e Kath, que pareciam ter visto um fantasma. Bem, é bom que se habituem.

- Oi – disse, a todos, ao chegar ao pé deles. Danny voltou-se para mim e por momentos ficou sério, mas depois tapou uma gargalhada com a mão. Voltei a olhar para a minha roupa, mas não vi nada que o fizesse rir… eu estava bem. Dentro dos possíveis.

- Amor tu… - ele levantou-se, ainda a fazer força para não se rir, e aproximou-se mais de mim – O Halloween é em Outubro, já passou Ell…

- Parvo – disse-lhe, amuando. Então quer dizer, eu com este trabalho todo para ficar bem para ele e ele ainda me larga uma boca destas. Consegue ser mesmo estúpido quando quer. E insensível. E parvo. E…

- Oh amor, não fiques assim, estava a brincar – o meu raciocínio para lhe chamar nomes interiormente tinha sido cortado pelas suas palavras – Mas o que é que te deu hoje para vires assim?

 

Danny

 

Ela estava diferente. Não era a minha Ellie. A Ellie que eu gostava, amava. Parecia um disfarce de Halloween ou uma partida mal pregada. O estilo não combinava com a sua maneira de ser. E as madeixas rosas… isso sim foi o que me fez querer rir.

- Oh Danny, eu fiz isto por ti! – Discutiu ela. Por mim? Mas desde quando é que eu lhe tinha dito que não gostava das roupas que usava? Certamente eram melhores que estas… que punham os rapazes todos com os olhos em cima dela…

- Podemos falar ali ao fundo? – Não a deixei responder e puxei-a gentilmente, para a deixar seguir os meus passos. Já tinha percebido a razão disto tudo – Isto é por causa da Felícia, Ell?

- O quê? Não… - ela é terrível a disfarçar as coisas – Está bem, um bocado. Mas não gostas? Admite lá…

Tenho que admitir que até é sexy, sem dúvida, mas não é ela. Não estou a dizer que ela não é sexy. Estou a dizer que esta não é a sua maneira de o ser. É diferente. Falso. Irreal.

- Quem é que está com ciúmes agora? – Yap, ela mesmo – Ellie, eu amo-te, ok? Não quero que mudes um fio de cabelo por mim.

- Não é só por ti, eu…

- Tu não gostas dessa roupa, admite lá.

Ouvimos um assobio e um gajo qualquer piscou-lhe o olho. Se não me agarrasse no braço e ignorasse tão bem, tinha-lhe ido à cara.

- Está bem, admito – disse, por fim, abraçando – Mas pensava que te ia surpreender.

- E acredita, surpreendeste… - ambos nos rimos e ela deu-me um beijo, para nos encaminharmos para a mesa em seguida.

- Elá, estás toda gira hoje – disse o parvalhão do inglês, ao chegar, ao mesmo tempo que nós, à mesa. Este tipo enervava-me, e ter dito aquilo foi o limite. “Estás toda gira hoje”, ele ia ver.

Num reflexo impulsionei o meu pulso à sua cara e mandei-o ao chão com um murro. Fracotas.

- Danny! – Exclamou Ellie, com os olhos arregalados. Admito, não pensei na sua reacção, grande erro de cálculo, mas agora já era tarde.

- Está gira está, mas é para te manteres longe! – Disse, ao que veio lá das terras da Rainha, enquanto ele ainda estava no chão.

- Danny pára – repreendeu Ellie, indo ajudá-lo a levantar-se – Ele não disse nada de errado, estava a brincar!

- Então o gato também lhe mordeu a língua?! – Desafiei, a olhar para ele. Só queria que me tentasse dar um murro… era o pretexto que precisava para o desfazer todo pedacinho por pedacinho.

- Pára! – Gritou Ellie – Raios, porque é que tens que ser assim?!

Agarrou na mala que tinha deixado em cima da mesa e começou a andar furiosa para fora do bar. “Já fizeste porcaria oh estúpido”, disse-me o meu cérebro.

 

Ellie

 

Andei depressa para fora do bar para o espaço ao ar livre dentro da escola e sentei-me lá num muro. O Danny tinha ido longe demais. Ele não era assim. Eu não o conhecia assim. A parte obscura dos assaltos, conhecia. A parte de ciumento incontrolável é que é demais. Suspirei. Não conseguia acreditar no que tinha acabado de assistir. Coitado do Jeff…

- Ellie – ouvi a sua voz mas mantive-me quieta e nem me ia virar, ele que contornasse o muro. E foi exactamente o que fez, pondo-se à minha frente –, desculpa Ell… descontrolei-me, nem pensei… desculpa.

- Não é a mim que tens que pedir desculpa – disse-lhe, friamente. Consegui ver no seu olhar que o tinha magoado, mas era verdade, não era a mim que tinha que implorar perdão.

- Eu sei – disse-me –, e já lhe pedi também.

- A sério? – Perguntei, surpreendida. – Não estás só a dizer isto para te safares Danny?

- Tu conheces-me – pois, não sei não – não sou nenhum mentiroso. Foi o momento mais humilhante da minha vida, considerando que o murro atraiu tipo toda a gente… mas eu por ti faço tudo Ellie, podes perguntar ao ing… Jeffrey, é verdade, eu juro. Por favor…

- Está bem. Está bem Danny, mas por amor de Deus, que seja a última…

- Vez. Sim, já sei. Estou perdoado?

Revirei os olhos e ele pôs as suas mãos na minha cara, obrigando-me a olhar para ele.

- Por favor diz que sim – pediu, fazendo já aquele sorriso maroto e brincalhão que também me fez rir.

- Está bem parvo – disse-lhe –, estás desculpado.

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