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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 29.04.11

Capítulo 12

Natal * Parte 2

 

Ellie

 

- Oi – disse-me Danny, cumprimentando-me com um beijo para depois entrar –, tudo bem?

- Estou um bocado nervosa – confessei –, mas não há-de ser nada.

- Não estejas, eu já cá jantei várias vezes Ell, só que nunca assim… mas vai correr tudo bem.

- Isso traduzido é “eu também me estou a passar com isto”, certo Danny? – Eu já o conhecia demasiado bem.

- Algo desse género. Vamos?

- Vamos. Podes ir pôr as coisas ao meu quarto.

Vi que ele tinha um saco pequeno, todo bonito, na mão, decorado com tons vivos e alegres, mas não perguntei nada.

Ele foi deixar o saco e o casaco ao meu quarto e depois descemos para nos juntarmos aos meus pais e a Michael na sala.

- Boa noite – disse Danny.

- Ah, olá Daniel – disse o meu pai, dando-lhe um aperto de mão. “Hum… está demasiado simpático”, pensei, “Oh Ellie, não sejas assim”, pensei a seguir. Sinceramente as minhas ideias estavam um bocado baralhadas de momento.

- Está tudo bem consigo? – Perguntou a minha mãe.

- Sim, Sra. Davies, está tudo.

- Oh, por favor, já frequenta esta casa há demasiado tempo para me tratar assim. Por favor, devido às circunstâncias – e deitou-me um olhar –, e visto que aparentemente ainda vamos fazer parte da mesma família, vamo-nos deixar de tantas formalidades – sim pois, diz a mulher que não trata ninguém por “tu”.

O jantar decorreu normalmente, e estavam todos animados. Michael e Danny falavam entre si, e eu às vezes ia-me metendo também, sempre com atenção à conversa que rolava entre os meus pais. Não conseguia perceber o que é que eles estavam a fazer, estavam-se a dar bem demais com o Danny, a facilitar demasiado. O meu cérebro só me arranjava uma explicação, a mais lógica que há: estão a tramar alguma coisa.

- Então Danny, que curso está a pensar tirar? – Perguntou o meu pai. Genial, escola, futuro, crescer… e é óbvio que foi logo fazer a única pergunta à qual tem a certeza absoluta que o meu namorado não sabe responder.

- Pois eu… eu ainda não sei – disse Danny, um bocado atrapalhado. Eu sabia que isto estava a correr demasiado bem.

- Mas está quase a terminar o décimo segundo ano, Danny – disse a minha mãe.

- Mãe, o primeiro período ainda agora acabou. Ele ainda tem tempo para pensar nisso – intrometi-me eu.

- Eleanor, não sabe que é má educação meter-se nas conversas das outras pessoas? – Repreendeu o meu pai. Ai que o jantar não acaba bem. Ai não acaba não.

- Sabe Danny, a Eleanor quer ser pediatra – disse a minha mãe.

- Sim, eu sei – respondeu-lhe Danny –, e ela é óptima com crianças, tenho a certeza que vai fazer um óptimo trabalho.

- Sim, bem, não é para me gabar, mas ter uma filha médica é motivo de orgulho – disse o meu pai. Ai que hipócrita! Quer dizer, primeiro faz fitas atrás de fitas porque eu prefiro tirar medicina em vez de advocacia, e agora diz estas coisas ao Danny?!

- Estou feliz por finalmente teres aceitado a minha decisão – disse-lhe.

- Claro querida, tudo para a fazer feliz. Esse foi também o motivo pelo qual convidámos o Daniel para cá vir hoje – disse ele, sorrindo-me – Só queremos que seja feliz.

- E por falar nisso – continuou a minha mãe –, já pensaram em como vai ser o vosso futuro? Sabem, se fossem estudar para uma Universidade perto um do outro, podiam partilhar casa. Assim tinham um gostinho de como é a vida de casados. E quem sabe, eu estive a ver um catálogo de noivas enquanto esperava na cabeleireira e sabe o que eu percebi Eleanor? – Ela nem me deu tempo para lhe perguntar – Que tenho saudades de organizar um casamento!

Engasguei-me com o sumo que tinha na boca, e Michael – que estava entre mim e Danny, sabe-se lá porquê –, começou a bater-me nas costas.

- Isto está a ficar estranho – sussurrou-me o meu irmão, durante esse momento.

Bem, se para ele estava, então para Danny nem quero imaginar. Mas eu já tinha percebido o esquema dos meus pais. Eles queriam facilitar, mas ao mesmo tempo queriam expor certas coisas e impor as obrigações e responsabilidades de uma relação. Queriam meter-nos medo, basicamente.

Mas eu não lhes ia dar essa vitória.

- Sabes que mais? – Perguntei, para a minha mãe – Na verdade já tínhamos falado disto, até. Não a coisa da Universidade, porque o Danny ainda está indeciso mas… ok, amor – voltei-me para Danny e pisquei-lhe o olho de maneira a fazê-lo alinhar na coisa –, peço desculpa mas eu já não aguento mais. – Voltei a virar-me para os meus pais – Mãe, pai… nós combinámos que depois de acabarmos o décimo segundo ano íamos casar! – Eles ficaram chocados, mas mesmo assim forçaram um sorriso, o que me fez querer ir mais longe ainda – Mas essa não é a notícia.

- Não? – Notei receio na voz da minha mãe, perfeito.

- Não. Michael, eu quis dizer-te isto mais cedo, mas tinha medo. De tudo, porque os pais não aceitavam muito bem o meu namoro e, bem, tu percebes.

- Do que é que estás a falar Ellie? – Perguntou Michael.

- Nós vamos ter um bebé! – Guinchei.

- Ellie! – Disse-me Danny, como se me estivesse a repreender – Pensava que tínhamos concordado em não contar ainda.

- Eu sei amor, mas é que estamos no Natal, e isto é uma época de boas novas e que melhor prenda que não um bebé? Eu estou de um mês. Não é fantástico?!

- Eleanor Gabriella Davies… - disse o meu pai, já com aquele aspecto de durão – se tu pensas que…

- Podes parar aí mesmo – disse eu, já com a minha voz normal – Da próxima vez que convidarem o meu namorado para vir cá jantar apenas com o intuito de nos meterem medo e de nos fazerem acobardar por causa do namoro, acreditem que eu não vou apenas fazer-vos sentir assustados e chateados como acabaram de ficar. O que é que vocês são, crianças? Então cresçam, vá lá, por amor de Deus.

- Então não estás grávida? – Perguntou Michael, ao fim de cinco segundos de silêncio. Este gajo – ups, disse “gajo” – realmente às vezes é mesmo burrinho coitadinho.

- Não mano, desculpa a desilusão – disse Danny, dando-lhe uma palmadinha no ombro.

- Muito bem – disse o meu pai – Eu admito que tivemos uma posição pouco… elegante – Elegante? Elegante? Ai matem-me já –, e que talvez tivéssemos merecido ouvir algo desse género, mas Eleanor, essas coisas são demasiado graves para a menina brincar.

- Então parem de brincar com o que eu sinto – respondi, de uma maneira rápida – É simples. Fácil, até. A escolha é vossa.

Depois disto a noite passou depressa, os meus pais estiveram calados a maior parte, e quando a meia-noite finalmente chegou, chegou também a hora dos presentes. De Michael recebi um lenço para o pescoço, e dos meus pais dinheiro, como sempre. Depois chegou a vez de Danny, e para isso subimos para o meu quarto.

 

Danny

 

Fomos para o quarto dela e sobre a secretária tinha um embrulho todo muito bem cuidado, em que agarrou.

- Toma – disse-me, dando-mo –, abre primeiro a tua.

- Ok…

Comecei a desembrulhar a prenda e até fiquei sem reacção por poucos segundos, enquanto ela olhava expectante para mim.

- Gostaste? – Perguntou. Se gostei?! Na minha mão agarrava agora em dois bilhetes para o concerto do ano. Metállica!

Num impulso agarrei nela e dei uma volta completa, voltando a pousá-la no chão, dando-lhe um beijo em seguida.

- Eu adorei! – Disse-lhe, ainda sem acreditar – Mas como é que conseguiste? Isto está esgotado há três meses Ellie!

- Bem… - começou a corar e eu sorri, ela ainda corava ao pé de mim, mesmo depois de todo este tempo – vamos apenas dizer que já os tenho há um tempito… acho que era quase como que uma garantia de que íamos durar tempo suficiente para tos entregar…

Melhor que ter recebido os bilhetes, era saber que ela acreditava que o tínhamos era para durar. Isso sim tinha sido a prenda verdadeira.

- Isto significa que vais comigo ao concerto? – Agora a sua expressão mudou. Ela odiava este tipo de música, eu sabia-o bem.

- Amor, eu amo-te, mas nem morta me metia a ouvir esses berros, ainda por cima ao vivo – disse-me – Leva o Michael, ele vai amar. E a minha prenda?

- A tua prenda… - dirigi-me à cama e agarrei no saco. Comparado com o que ela me tinha dado, o que eu lhe comprei não é absolutamente nada de nada. – Sabes se calhar eu devia dar-te outra coisa, acho que…

- Não comeces – disse ela – Eu dei os bilhetes porque quis. Além disso, tenho quase a certeza que vou adorar.

- Quase? – Isso é simplesmente perfeito. Tudo bem que ela liga a prendas com valor sentimental mas… estava a ficar nervoso.

- Ter vindo de ti ajuda bastante.

- Hum… - passei-lhe o saco para as mãos e esperei que o abrisse, para ver a sua reacção. Tinha medo que não gostasse. E se detestasse aquilo, e se…

- Danny, amei! – Gritou, dando-me um abraço – Como é que te lembraste disto?!

- A sério?

- Sim!

- Bem, eu lembro-me de muitas coisas de quando ainda não namorávamos. Já gostava de ti muito antes disso.

Nas suas mãos agarrava agora um colar comprido, com três berloques. O primeiro tinha a primeira letra do seu nome, “E”. No segundo estava uma placa que dizia “Always strong” (sempre forte). E finalmente no terceiro tinha a peça mais importante. Um morango.

Sim, um morango.

Ainda antes de namorarmos, e quando ainda nos dávamos um bocado mal, Ellie e eu fomos com Michael até um café na praia, e depois ele recebeu uma chamada e teve que se ir embora, mas tinha que voltar para nos vir buscar porque eu não tinha trazido a mota. Ellie tinha insistido em ir para a beira-mar, e como as nossas barrigas já estavam a dar horas, fui ao café e comprei alguns morangos, que o homem lá pôs em duas taças juntamente com açúcar. Quando voltei para junto dela, discutimos até que aceitasse comer a porcaria dos morangos – sim, porque nós discutíamos por tudo e por nada –, e quando finalmente aceitou comer um, o que comeu em primeiro lugar estava azedo. Depois claro que amuou comigo, a dizer que eu tinha feito de propósito e isso. E depois eu dei-lhe um dos meus, e ela fez uma careta ao comê-lo para me enganar e dizer que estava azedo, mas eu topei-a logo. Quando acabámos de os comer já não discutimos, aliás, foi uma das primeiras conversas civilizadas que tivemos, e no fim, brinquei ao dizer “um dia hei-de te oferecer um colar com um morango”.

- Amo-te – disse-me, dando-me um beijo.

- Eu também – disse-lhe, entre beijos.

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