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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 03.05.11

Capítulo 16

Saída

 

Ellie

 

Pus o brinco que me faltava e olhei-me ao espelho. Era sexta-feira, uma semana tinha passado desde que fora passar o fim-de-semana a casa de Danny, e hoje íamos, juntamente com o grupo, sair à noite.

Agarrei numa mala pequena e lá dentro pus o telemóvel e as chaves de casa, juntamente com a carteira e coisas que nem sequer faziam falta.

Deixei tudo pronto e desci para jantar.

- Então mana, também vens? – Perguntou Michael, entre garfadas de carne guisada.

- Vou – respondi –, por isso despacha-te.

- Vão onde, pode-se saber? – Intrometeu-se o meu pai.

- Sair – respondi.

- A um bar aqui perto, não se preocupem, eu trago-a sã e salva a casa. – Informou Michael.

- À uma é o máximo – avisou a minha mãe.

- Nós sabemos – garanti.

Quando acabámos de comer fui buscar as coisas ao quarto e dirigi-me com o meu irmão para o tal bar, a pé, pois era perto.

Tinha um mau aspecto visto por fora, mas quando entrei não desgostei do que vi. O ambiente não era nada pesado, como na maioria dos bares a que Michael já me tinha levado, e a pintura estava feita em cores alegres, sempre com as luzes a piscar e tão depressa aqui, como ali.

Vi o nosso grupo, porém Kath não estava com eles. Não devia ter conseguido convencer os pais a vir. Os pais dela ainda conseguiam ser piores que os meus, em certas coisas, coisa que até os conhecer, nunca achei ser possível.

Aproximei-me de Danny, que estava no bar sozinho a pedir uma bebida, e assim que se virou para mim e sorriu, o cheiro a cerveja foi bem notável.

- Quantas é que já bebeste? – Perguntei-lhe. Eu detestava que ele se embebedasse desta maneira, mas para ele não significava nada. Até um dia em que as coisas dessem para o torto e depois se arrependesse – E onde é que te magoaste Danny, estás bem? – Vi que tinha o lábio um pouco inchado, e com uma ferida ao canto.

- Poucas, e sim – respondeu-me, dando-me um beijo rápido. Credo, a julgar pelo bafo, poucas não foram de certeza.

- Quem é que te fez isso? – Perguntei, a apontar para o lábio.

 

Danny

 

- Um gajo há bocado. – Não sabia para quê tanto questionário, afinal, um gajo não pode estar a divertir-se um bocado e beber uns copos? E por amor de deus, foi um murro de um atrasado mental, não foi um tiro certeiro nos miolos. Claro que não lhe podia dizer que o tipo me tinha esmurrado por ter defendido Felícia de manhã… ela passava-se se soubesse que eu tinha estado com a Felícia. – Ele mandou umas bocas e eu não gostei. Mas não te preocupes Ell, eu estou bem.

- Pois sim – ela não estava totalmente convencida, e para piorar, pensava que eu estava bêbedo.

- Ei, pede aí uma vodka para mim – disse Felícia, aparecendo por trás de Ellie – E tu Eleanor, não bebes nada?

- A Ellie não bebe – disse Michael, que chegou com ela.

- Pois, e quando o faz tem o hábito de desatar a beijar gajos – completei eu, rindo-me em seguida, mas arrependendo-me no momento a seguir ao ter feito. Ela não tinha ficado feliz com o comentário, e olhava-me com uma cara séria. Mas também, não sabe levar uma brincadeira?

- Foi uma vez – disse-me Ellie –, e o gajo foste tu, por isso acho que não te devias queixar.

Saiu de ao pé de nós e foi-se sentar num puff ao pé de Rachel, Alyssa e Trent.

Fiquei a rir e na conversa com Michael e Felícia e num instante lá se foram mais umas quantas cervejas. Fui ter com Ellie e pedi-lhe para irmos dançar, mas ela não quis, por isso levei a Felícia.

 

Ellie

 

- Não fiques assim – disse-me Alyssa.

- Como o quê? – Perguntei, com uma voz chateada – Estou a encarar demasiado?

- Hum… estás – disse Rach.

- Azar o deles – disse, amargamente. Então quer dizer, primeiro faz um filme autêntico quando descobriu que o Jeff tinha ido jantar à minha casa e diz que eu lhe devia ter contado, e chateia-se por uma coisa de nada dessas. Depois pede desculpa e insiste comigo para eu vir sair com eles pois queria passar tempo comigo. E agora está só agarrado às cervejas e à estúpida da Felícia. – Vou-me embora.

Levantei-me e fui deixar o meu copo de Coca-Cola ao bar – sim, aparentemente para nos divertirmos não precisamos de álcool. “Tu não te estás a divertir”, discutiu o meu cérebro. E tinha toda a razão.

Pousei o copo e quando me voltei para me ir embora esbarrei em Danny.

- É mais uma se faz favor – disse ele, para o empregado, apontando para a cerveja. O homem assentiu que sim e passou-lhe mais uma para as mãos – Então Ell, não queres mesmo vir dançar, por favor?

A maneira como falava… como já quase não se aguentava nas pernas… ele estava bêbedo. Demasiado bêbedo.

- Não achas que já chega de beberes? – Perguntei-lhe, chateada.

- Oh amor, não sejas chatinha – disse-me, tentando dar-me um beijo.

- Pára! – Disse, desviando-me dele – Acorda para a vida Danny, estou farta destas bebedeiras. Vou-me embora. Falamos amanhã. De preferência sóbrio.

Voltei-me costas e saí do bar, começando a caminhar para casa. A noite tinha sido um desperdício autêntico.

Assim que cheguei enfiei-me na cama, queria esquecer as imagens do meu namorado, perdido de bêbedo, a dançar com aquela… aquela… “acalma-te Ellie”.

Dei voltas e voltas entre os cobertores e os lençóis até conseguir adormecer. Só me vinham à cabeça pensamentos de como nós somos diferentes um do outro. Tudo bem que quando começámos esta relação já o sabíamos… mas acho que há vezes em que acho tudo demasiado difícil. Eu amo-o, essa é a única certeza que algumas vezes me resta. Mas o resto… o resto está simplesmente contra todo esse amor.

Quando acordei olhei para o relógio. Perfeito, sete horas. Nem ao sábado consigo dormir mais.

Recostei-me na cabeceira da cama e liguei a televisão, que por coincidência estava no canal de notícias. Ia mudar, mas algo me captou a atenção.

- Depois de uns meses calmos, os assaltos à cidade regressaram – estagnei por completo. Apenas três nomes me saltaram na mente: Boogy, Kevin e Shane. Estariam de volta? – Ao que parece, dois indivíduos encapuçados entraram nesta ourivesaria e roubaram todo o ouro e o dinheiro que estava dentro do cofre. Isto aconteceu na manhã de ontem, por volta das dez horas, segundo o empregado que se encontrava na ourivesaria, quando o assalto deu lugar, e que até conseguiu agredir um, acertando-lhe na zona do lábio.

Parei de tomar atenção ao sentir o meu telemóvel vibrar junto à minha perna. Danny.

- “Peço tantas desculpas” – disse ele, mal atendi – “Eu fui um idiota Ellie, desculpa”.

- Então lembras-te de ontem à noite… que tal vai a ressaca? – Perguntei, com um tom irónico na voz.

- “Ell, por favor, eu não queria ter bebido tanto… nem te queria ter deixado à seca. É só que…”

- É só que gostas de festejar. – Muito.

- “ E isso é uma coisa má?”

- Não… - é apenas uma das muitas diferenças que temos… De repente algo, que sinceramente não gostei nada de nada, passou-me pela cabeça – Danny… o que é que fizeste ontem de manhã?

Silêncio.

- “Estive em casa, porquê?” – Perguntou.

Engoli em seco.

- Nada. Ouve, eu tenho que ir. Falamos depois, está bem?

- “Estás zangada?”.

- Não – menti, desligando, não sem antes reparar que não tínhamos dito o nosso habitual “amo-te”, ou mandado beijos.

O homem agrediu o assaltante… e Danny tinha uma ferida no mesmo sítio… não, não podia ser. Não era ele. Não podia.

 

Amanhã é muito provável que não consiga fazer capítulo.

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