Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 07.05.11

Conheçam o único do dia...

Espero que gostem ^^

 

Capítulo 19

Escolhas Difíceis

 

Ellie

 

Ok, não aguentava mais estar metida nesta ignorância.

Peguei numa mala pequena e enfiei lá o telemóvel e as chaves de casa, e peguei num boné que enfiei na cabeça em seguida.

- Vai sair querida? – Interpelou-me a minha mãe, quando eu ia a sair.

- Vou, mas não se preocupe, eu volto cedo – respondi.

- Eu vou sair com as meninas também – as “meninas” já vão nos quarenta anos, mas pronto – e vou chegar tarde. A Jules só volta depois do jantar, pediu-me a tarde para tratar de uns assuntos.

- Está bem – disse-lhe – Até logo então.

Caminhei até casa de Danny e quando lá cheguei eram quase quatro horas. Toquei à campainha e quem me abriu a porta foi Alice, como sempre. Disse que Danny tinha saído, tal como eu pensava. Perguntei-lhe se sabia onde, mas ela disse que não sabia, porém que tinha ido a pé pois tinha deixado as chaves da mota em casa, e tinha saído há pouco tempo, logo talvez eu ainda o conseguisse alcançar.

A seguir o meu namorado… uma parte de mim dizia-me para ter vergonha, a outra implorava-me para voltar atrás, com medo do que pudesse descobrir.

Depois de dez minutos praticamente a correr, ao fazer uma curva avistei-o e pus-me instantaneamente para trás. Se ele me visse ia-me matar, era certo.

Caminhei atrás dele até uma parte da cidade onde não costumava ir, e que sinceramente me metia alguns calafrios. Entrou para um bar de onde eu só vi sair pessoas com más caras. Engoli em seco. No que eu me vim meter…

Andei lentamente e abri a porta, procurando-o logo com os olhos, dando com ele ao lado de… Felícia. Fiquei com um nó na garganta e com lágrimas nos olhos. Então era verdade. Ele andava-me a mentir para estar com ela.

Fui até uma mesa por trás deles, que estavam ao balcão, e sentei-me a ver se ouvia do que falavam, mas nada. Um empregado perguntou-me o que desejava, e eu apenas pedi uma garrafa de água, coisa que pela expressão que fez, estranhou.

Não conseguia ouvir as palavras, tudo o que dava para distinguir eram os risos que ambos Danny e Felícia lançavam para o ar.

- Olá beleza – disse um rapaz com o cabelo rapado e umas quantas tatuagens nos braços desnudos, ao sentar-se na cadeira ao meu lado.

- Vai-te embora – disse-lhe, rudemente. Ele ia estragar isto tudo, estava-se mesmo a ver.

- Vá lá, não queres mesmo isso, pois não? – Perguntou, molhando os lábios e chegando-se mais para ao pé de mim – O que é que uma rapariga bonita como tu faz num sítio destes?

Engoli em seco. A resposta para aquela pergunta era simples: uma estupidez. Ou então: a apanhar um desgosto. Estava um bocado indecisa entre qual dessas escolher.

- Ouve, tens mesmo que te ir embora daqui, ok? Tipo agora – insisti. Ele chegou mais a cadeira até ficar completamente colado a mim e ficou a encarar-me enquanto sentia a sua mão começar a mexer-me na perna – Eu disse para te ires embora! – Gritei, levantando-me de repente, ao senti-lo subir a mão cada vez mais pela minha perna.

- Ei, calma miúda – disse, completamente relaxado, levantando-se devagar.

- Ellie? – Ouvi, por trás de mim. “Obrigadinha paspalho tatuado, se amanhã estiver morta espero que saibas que te vou assombrar para o resto da tua vida”.

Voltei-me lentamente para Danny enquanto pressionava os lábios um no outro, e vi que me olhava perplexo.

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou, fazendo uma postura mais séria em seguida – Estavas-me a seguir? – Engoli em seco. Se dissesse que sim, ele ia ficar chateado. Se dissesse que não, ele ia ficar chateado na mesma. Mal por mal mais vale dizer a verdade – Responde Ellie.

- Sim – murmurei, com a voz baixa –, estava…

- Estás a gozar, certo? – Vi pelos seus olhos que estava magoado, mas também eu estava. Ele tem-me mentido desde que aquela atrasada mental chegou à escola para se vir encontrar com ela. Não tem o direito de se sentir ameaçado. Eu tenho. Porque apesar de ter desconfiado dele, agora vejo claramente que tive razões para isso.

Abanei a cabeça, em sinal de negação, para responder à sua pergunta.

- Anda-te embora, eu levo-te a casa – disse, com uma voz chateada. Sabia que por muito que estivesse chateado, não me ia deixar num sítio destes sozinha – Falamos depois Felícia – o beijo na bochecha que lhe deu em seguida foi como uma facada que seguiu todas as anteriores.

Caminhámos em silêncio até à sua mota, e passou-me o capacete também calado. Durante todo o caminho não se ouviu barulho nenhum à excepção do necessário, ou seja, nenhum dele feito por nós.

Quando estacionou em frente ao portão da minha casa, apenas eu saí da mota e fiquei a encará-lo.

- Não queres entrar? – Perguntei, com a voz baixa devido à pressão que sentia na garganta.

Ele abanou a cabeça mas mesmo assim saiu da mota e acompanhou-me até à porta, onde parou antes de entrar.

- O que é que te deu? – Perguntou, pela primeira vez, com uma voz que me foi difícil de reconhecer – Pensava que confias em mim Ellie. Acho que estava errado.

- Estavas com ela – disse, a tentar fazer a voz sair normal – Todas as vezes que me disseste que não estavas, estavas.

- Foi por isso que me seguiste?! Eu disse-te milhões de vezes que não tinha nada com ela! – Ele estava furioso, conseguia ver isso.

- E ainda assim sentiste a necessidade de me esconder que saías com ela.

- Não foi só isso. Há mais qualquer coisa… - abanou a cabeça – Nós não andamos bem… e não é de agora. O que é que te vai na mente Eleanor?

Gelei. Eleanor… ele nunca me chamava assim. Eu era a Ellie, ou a Ell. Nunca Eleanor. Não para ele.

- Nada – menti.

- Estás a mentir! – Acusou – Não me seguiste só por isto, eu sei disso! O que raio é que tens tanto medo de perguntar?! – Mas apenas num segundo a sua expressão voltou a mudar, para algo que não consegui identificar – Os assaltos… suspeitas de mim por causa disso? – Permaneci calada, enquanto mordia o lábio, e ele levou isso como uma confirmação – Suspeitas mesmo. Porquê?!

- Não é como se nunca me tivesses mentido sobre esse assunto Danny – disse. Porque raios é que eu é que estava a ser julgada?! Porque é que ele é que tem que ser o injustiçado e eu a má da fita?! Ele é que me mentiu para ir ter com a outra! Ele é que me mentiu no passado quanto aos seus “hobbies”! Porque é que eu é que tenho que parecer mal na fotografia?! – Eu nunca acreditei completamente que fosses tu! Mas de novo, o ano passado também nada disso me tinha vindo à cabeça e acabei raptada Danny! O que é que esperavas? É a mesma técnica, são os mesmo lugares, as mesmas descrições… Eu não queria acreditar que eras tu, mas nunca me deste nada de concreto para que isso acontecesse. Todas as vezes que te perguntava onde estavas inventavas lugares.

- Como se tu nunca tivesses feito isso?! Com o teu amigo inglês?!

- O meu amigo?! Eu não te minto quando vou ter com ele! Não quando planeio ir. Claro que não te telefono a avisar quando o vejo dirigir-se a mim na rua, mas esperavas o quê?!

- Um bocadinho de confiança era bom.

- A confiança vai para ambos os sentidos Danny. E eu confiava… confio… mas tu podias-me ter dito.

- Sim, isso ia-te impedir de me seguires como se eu fosse fazer algum crime. Claro que pensavas que eu ia, peço desculpa decepcionar-te.

- Danny…

- Não, nem comeces. Ellie, estou farto. Não posso namorar com alguém que não confia em mim. E não é só isso. Não queria admitir mas… não estamos bem…

- Danny não… - murmurei, a esforçar-me para que as lágrimas não me começassem a escorrer desenfreadamente.

- Estamos acabados – pronunciou, com uma voz mais triste que chateada, virando-me as costas e começando a andar de volta para a mota.

- Danny por favor! – Implorei, já com as lágrimas a brotarem nos meus olhos – Por favor não te afastes de mim assim. Danny!

Mas nada. Ele não ouviu. Não se importou. E assim as lágrimas começaram a cair com cada vez mais força. Entrei dentro de casa e fechei a porta, deixando-me cair encostada a ela, para depois encolher as pernas junto ao peito e pousar nelas a cabeça, enquanto deixava que rios de lágrimas me escorressem pela face. “Estamos acabados”, dissera. Não podia ser. Não por causa disto. Talvez não o devesse ter seguido. Mas ele não me devia ter escondido coisas. Ambos errámos, por isso porque não podem as coisas ser como antigamente?

Mas sabia que não iam ser assim. Sentia-o dentro de mim. Estava tudo acabado, não havia volta a dar.

 

Danny

 

Não conseguia acreditar no que ela tinha feito. Não me cabia na cabeça que ela desconfiasse tanto de mim para se sentir na obrigação de me seguir para verificar que não fazia nada de mal.

Pensava que o assunto dos assaltos tinha ficado para trás de nós. Pensava que o facto de lhe ter explicado mil e duzentas vezes que é a ela que amo tinha dado para a fazer perceber mesmo isso. Mas estava enganado. Ela não confiava em mim.

“Estamos acabados”, foi a última coisa que lhe disse antes de virar costas e a ouvir implorar que não a deixasse. Ela magoou-me, a sua desconfiança foi como uma punhalada bem funda dentro de mim, que ardia como se estivesse constantemente a ser atiçada. Apesar de a amar como tudo, e de o facto de ter acabado tudo ter sido a escolha mais difícil que alguma vez fiz, não conseguia voltar a ficar com ela e fingir que estava tudo bem. Que não estava magoado. Porque estou.

Desviei a mota para um descampado pois as lágrimas nos meus olhos já não me deixavam ver a estrada, e quando tirei o capacete atirei-o para longe, com raiva.

Como é que deixámos as coisas chegarem a este ponto?!

Como é que vamos de uma conversa sobre filhos a estas desconfianças?!

Como é que pudemos submeter-nos a tanta felicidade para depois tudo acabar assim num piscar de olhos?!

Saí da mota e dei-lhe um pontapé enquanto sentia pequenas lágrimas a escorrerem-me pelas bochechas. Ellie… a minha Ellie… mas ela já não era minha. Estava tudo errado!

20 comentários

Comentar post

Pág. 1/2