Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 07.05.11

Era para postar apenas Sneak Peek, mas como ontem não postei quis-vos compensar...

Este capítulo e o próximo vão ser um bocado chatos :s

 

Capítulo 20

Infelicidade * Parte 1

 

Ellie

 

Uma semana. Uma semana tinha passado desde que tudo tinha acabado e eu tinha perdido um bocado de mim. A parte que me fazia feliz e querer acordar de manhã. A parte que me dava motivos para viver além dos obrigatórios. A parte que eu dava tudo para ter de volta.

- Eleanor – ouvi, num berro, o que me fez olhar para a Sra. Curtis.

- Desculpe, o quê? – Perguntei, ao recuperar do pulo que tinha dado na cadeira.

- Eu fiz-lhe uma pergunta – disse ela.

- Desculpe, não ouvi – murmurei.

- Parece que isso se anda a passar demasiado – resmungou, entre dentes – Alguém sabe a resposta?

Desliguei-me do resto da aula a partir daí, não estava com a mínima de vontade para estar a prestar atenção. Não tinha dormido quase nada, tal como em todas as noites da semana que se passou. Todos os dias conseguia ouvir o Michael fora do meu quarto, encostado à porta, indeciso sobre se devia, ou não, entrar, porém acabava por se decidir sempre em não entrar, até que o outro dia chegava e voltava ao mesmo dilema. Kath e Alyssa têm insistido comigo para que fale com ele, mas eu não consigo. Foi ele que decidiu acabar com tudo. Foi ele quem se afastou. Se já não quer nada comigo não me resta nada além de sofrer em silêncio.

Quando tocou apressei o passo até à casa de banho, que estava vazia, e pousei a mala no balcão ao lado dos lavatórios, passando a cara por água em seguida. Estar tão perto dele e nem sequer conseguir olhar para a sua face sem me fazer doer o peito é a pior sensação que senti em tempos infinitos. Saber que se olhasse e lhe mostrasse um pequeno sorriso, ele ia ignorar era  pior. Ter a certeza que não ia encontrar conforto nos seus olhos a olhar para mim, matava-me por dentro.

Mas não havia nada que pudesse ser feito.

Saí da casa de banho e dirigi-me ao bar, mas parei ao vê-lo sentado na mesa, com o resto do pessoal. Suspirei, eu não podia ir para lá. Se fosse ia começar a desfazer-me em lágrimas, e já tinha aguentado toda a manhã, não era agora, aqui, que ia recomeçar o pranto.

- Não vens? – Perguntou Rachel, fazendo-me olhar para trás.

- Não, podes ir, eu vou… dar uma volta – respondi.

- Só porque ele lá está, não quer dizer que tu tenhas que te afastar Ellie…

- Eu sei. Tenho que falar com um professor sobre uma matéria também, por isso, não faz mal. Vejo-te na aula. – Menti.

Caminhei até ao corredor onde ia ter a próxima e deixei-me ficar encostada à parede até perder a noção do tempo, e só “acordei” deste transe quando me senti ser abanada.

- Estás aí? – Perguntava Kath.

- Sim, claro – respondi – Disseste-me alguma coisa?

- Pedi para vires comigo falar com o professor Fitz.

Fui com ela, aliás, agora que falou nele lembrei-me que tenho que falar também com Jeff, pois temos um trabalho de pares para fazer. Não que estivesse com qualquer disposição, mas para meu grande desgosto, o mundo não parava. Mas ainda tínhamos um mês para o acabar, por isso achei melhor não me preocupar muito.

Quando Kath se despachou da conversa com o Sr. Fitz, voltámos para a sala, porém lá estava ele. Sentado no chão, com a cabeça encostada à parede e braços apoiados nos joelhos encostados ao peito. Também parecia triste. E isso ainda me fazia sentir pior.

- Então? – Perguntou Kath, quando viu que parei e que comecei a ficar com os olhos enlagrimados – Ellie, vá lá, porque é que vocês não falam? Isto é uma situação estúpida, conversem, resolvam as coisas.

Funguei e abanei a cabeça, enquanto limpava uma lágrima que me tinha fugido ao controlo.

- Não – pronunciei – Ele deixou bastante claro que não me queria perto dele. Não lhe vou dificultar essa tarefa.

O seu olhar juntou-se ao meu e não sei ao certo o que vi naqueles olhos, apenas que me fez querer chorar mais e mais, e só parar quando já não tivesse fôlego.

Em vez disso dei meia volta e comecei a correr pelos corredores até chegar à casa de banho.

Isto estava a ser um inferno.

Kath veio atrás de mim, como sempre fez, e depois de me acalmar lá fomos para a aula.

Quando as aulas do dia finalmente acabaram, dirigi-me ao meu cacifo para ir buscar uns livros para depois ir para casa.

Ao fazer uma curva para a saída, vi-a, e ela aproximou-se de mim. Não estava com a mínima paciência para Felícia agora, por isso virei-lhe as costas e comecei a andar para o lado contrário, mas ela agarrou-me o braço.

- Larga-me – mandei, voltando-me para ela.

- Ou o quê? – Desafiou, porém não me deu tempo para dizer nada – Sabes, eu nunca consegui perceber como é que uma rapariguita como tu conseguiu prender o Danny daquela maneira, e até agora nunca acreditei lá muito em vocês.

- Se isso é tudo, desculpa lá mas não estou com paciência – tentei contorná-la mas ela não deixou e voltou a pôr-se à minha frente – Felícia, eu estou a ter pior semana da minha vida, por isso sai-me da frente antes que me passe da cabeça!

- Tem lá calma Eleanor – disse ela – Mas o que é que se passou? O que é que fizeste para o deixares tão chateado, hum?

- Não é da tua conta! Pára de intrometeres, pára de quereres dominar tudo, simplesmente pára! Percebeste?! Pára!

- É da minha conta, sim!

- Sabes que mais, tens razão, é da tua conta. Ele mentiu-me para ir ter contigo, e eu segui-o, feliz? Ele descobriu e passou-se, mas sabes que mais? A culpa não é minha, eu não lhe menti!

- Então foi isso… ouve, se a culpa é minha eu peço desculpa, nunca me quis meter entre vocês apesar de não ter lá muita fé nesse romance. Ele disse-me que não te tinha dito, sim, mas que tinha sido só para evitar que te chateasses. Tu seguiste-o? Ele detesta ser controlado…

- O quê?! Ele detesta ser controlado?! E tu achas que eu gosto que o meu… que ele me minta?! – Aquela dor no peito invadiu-me de novo, ao aperceber-me que já não o podia tratar por “o meu namorado”. Ele já não era isso. Para outros, ele já não me era nada. – Eu segui-o porque sabia que algo se passava. Ele podia-me ter dito Felícia! O que é que achou que eu ia dizer? Que lhe ia pedir para não ir?! Já não me devia conhecer um bocadinho melhor?!

- Ouve…

- Não! Eu desconfiei dele, sim, mas tive razão. Agora desampara-me a loja Felícia.

- Espera!

- Importas-te?! Seja aquilo que for que me queres dizer, eu não quero ouvir. Sabes que mais? Nunca gostaste de mim e nunca nos quiseste ver juntos. Espero que estejas feliz, parabéns, ganhaste. Aproveita a vitória.

Saí de lá o mais rápido possível, e só descansei quando me fechei no meu quarto e deixei que as lágrimas me voltassem a lavar a cara, tal como no dia anterior, e no outro antes desse.

Estava deitada na cama, agarrada a uma almofada, quando ouvi baterem à porta e a abrirem.

- Posso? – Perguntou Michael. Parece que desta vez se tinha decidido a entrar. Sentou-se ao pé da cama, e eu limpei as lágrimas – Ellie… como é que estás? Queres falar? Queres…

- Não – interrompi.

- Não queres falar? Mas…

- Não Michael, eu não quero falar contigo – abanei a cabeça e ele limpou-me uma lágrima que entretanto escorrera – Não quero estar agora a falar dele para que mais logo o ouças a falar de mim. Se é que ele faz isso, ao menos.

- Claro que faz – murmurou – Ele também não está bem com esta história. Ellie, porque é que não…

- Posso ficar sozinha? – Pedi.

- Sabes que podes contar comigo para qualquer coisa, não sabes?

- Sei.

- Está bem – deu-me um beijo na testa e saiu, deixando-me novamente só.

23 comentários

Comentar post

Pág. 1/3