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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 08.05.11

Para quem ainda não leu, há um antes deste.

Espero que gostem ^^

 

Capítulo 22

Perigo Imprevisível

 

Ellie

 

- Então e tu maninha, o que é que vais fazer à tarde? – Perguntou Michael. Estávamos todos sentados nas mesas ao pé do bar, todos menos Danny.

- Tenho que ir falar com o Jeff, temos um trabalho para fazer e o prazo está a acabar – respondi, a tentar ser simpática. Não me apetecia nada, mas ele ontem não tinha vindo e não me atendia o telemóvel, e distraída como eu ando não me posso dar ao luxo de não entregar trabalhos. Na secretaria já me tinham dado a sua morada, depois do almoço ia lá ter com ele.

Senti passarem-me ao lado e ao olhar senti de novo aquela dor. Danny olhou-me de soslaio e sentou-se numa cadeira afastada da minha, ao pé de Trent.

Agora que já tinha passado quase um mês, já nos sentávamos na mesma mesa, mas não deixava de ser constrangedor, doloroso, triste, “ok, é melhor parares Ellie”, avisou-me o meu cérebro. E ele tinha razão, era mesmo melhor parar.

Dizem que tudo passa com o tempo, mas eu estou a começar a não acreditar nisso. São tudo tretas. Não estou melhor do que quando Danny acabou comigo. Apenas aprendi a mentir melhor e a esconder isso das outras pessoas.

 

Danny

 

Ela ia ter com ele. Que raiva! “Não te podes queixar, foste tu que a deixaste”, arrematou o meu cérebro. A parte mais triste é que ele tinha razão, ela já não me era nada. Pelo menos na teoria.

Depois das aulas almocei com Michael num café nos arredores, e depois pedi-lhe para vir comigo de novo à escola.

Aquele inglês escondia qualquer coisa. Eu sabia que sim. Ninguém falta assim tanto tempo, como foram as outras duas semanas, nem fica sem dar notícias. Passa-se qualquer coisa de errado, e se não consigo evitar que Ellie fique perto dele, ao menos quero perceber quem ele é realmente.

- Meu, isto não é nada fixe – disse Michael, enquanto espreitava à ponta do corredor, para ver se alguém vinha a caminho.

- Cala-te pá, ninguém vai descobrir – insisti.

- Tu estás a ser estúpido, só estás assim por causa da minha irmã e ambos sabemos.

- Não é só por causa dela, já te expliquei, o gajo é mesmo esquisito.

- Pensava que não íamos roubar mais Danny.

- Oh pá, não é roubar, damos uma espreitadela e deixamos tudo como antes. Cá está, achei.

Comecei a abrir a porta do cacifo do inglês sempre com Michael a dizer mal do que estávamos a fazer. Sinceramente não sei no que é que isto vai dar, ou do que estou à espera, mas eu preciso de fazer alguma coisa, e achei que isto podia ser um bom início. O inglês é estranho, é um facto. “E tens ciúmes”, surgiu dentro de mim. Tudo bem, tenho ciúmes. Mas há mais que isso, sei que há.

Quando finalmente abri a porta do cacifo, fiquei atónico a olhar para algumas das coisas que lá estavam. À primeira vista parecia tudo normal, um cacifo desarrumado de um aluno do secundário, onde havia cadernos, livros, uma caneta preta sem tampa… mas depois, encostado a uma ponta, estava um dos colares que ontem tinham aparecido na televisão a dizer que tinham sido roubados, juntamente com uma pulseira e um relógio.

- Mano… - chamei, para ele olhar, ainda sem eu próprio acreditar completamente.

- Isto não é bom… - murmurou.

E de repente bateu-me. Ellie. Ela estava com ele. Estava completa desprotegida, sem saber de nada desta história, e com ele.

- Raios! – Gritei, batendo com a porta do cacifo com força para depois desatar a correr.

- Onde é que vais pá? – Gritou-me Michael.

- A tua irmã está com ele! – Gritei-lhe de volta, sem parar de correr.

- O quê?! Vou contigo!

Corremos até à secretaria, onde nos deram a morada dele, e depois fomos na minha mota.

Michael estava-lhe a telefonar, mas ela não atendia. Não a podia perder desta maneira, o gajo era perigoso, e se lhe fizesse alguma coisa?

Não conseguia acreditar nisto, isto não podia estar a acontecer.

Tão santinho e tão betinho e depois andava nos gamanços. E pior, Ellie acreditava mesmo nele. Se lhe acontecer alguma coisa eu mato este gajo, juro que sim!

 

Ellie

 

Depois do almoço agarrei numa mala onde pus os livros para o trabalho, e depois comecei a caminhar em direcção à morada que tinha arranjado na secretaria. A meio do caminho fiquei sem bateria no telemóvel, simplesmente perfeito…

Não tínhamos combinado nada, mas na rua ele não me ia pôr, e nós tínhamos mesmo que fazer o trabalho. Mais que não fosse para eu me distrair um pouco de Danny.

Quando cheguei verifiquei três vezes para ver se era esta a morada certa. A casa era lindíssima, tinha dois andares e dava uma aparência de ser super rica no interior.

Bati à porta mas não obtive resposta, e ao reparar que estava destrancada, abri-a. Mas quem é que deixa as portas destrancadas com os assaltos de hoje em dia?

Fiquei em choque a olhar para o interior desta mansão. Estava vazia. Quase completamente.

Tinha um sofá na entrada, que era gigante, coberto com plástico e com ar de que não era usado, e poucos móveis cheios de pó por cima dos plásticos que também os cobriam.

Algo estava errado, ele não podia viver aqui.

Ouvi um barulho vindo da sala do meu lado esquerdo e por isso decidi ir dar uma espreitadela.

Quando o vi comecei a ficar sem ar. Jeffrey estava de cócoras, a encafuar alguns dos itens roubados para dentro de uma saca grande, castanha clara.

Dei um passo para trás em silêncio, queria sair daqui, isto não podia estar a acontecer. Dei outro a seguir, sempre com os olhos presos na pessoa que agora sabia ser a responsável pelos assaltos, e outro depois. Mas fui de encontra a um móvel, fazendo um pequeno ruído.

- Tu… - disse, virando-se para trás por causa do barulho.

Os meus olhos nem conseguiam acreditar no que viam. As imagens estavam cá, tudo, mas neste momento, no meu cérebro, nada fazia sentido. Jeffrey agarrava alguns dos pertences que foram roubados e tinham sido mostrados na televisão. Voltou-se para mim quando ouviu o barulho, e a sua cara era assombrosa. Engoli em seco, senti medo. Muito medo. Ele estava completamente mudado, não era aquele rapaz querido e bem-educado que eu conhecia. Parecia mais um lunático.

- Ellie, Ellie, Ellie… - disse-me, levantando-se. Ao fazer esse gesto fez-me ver que empunhava uma pistola, coisa que me fez recuar vários passos atrapalhados – O que é que estás aqui a fazer? Não devias ter vindo… é uma pena…

- Jeffrey… - murmurei, com a voz tremida – Jeff, por favor, não faças nada, não…

- Cala-te! – Encolhi-me com o seu grito e senti as lágrimas brotarem nos meus olhos. Estava assustada. Muito assustada. – É uma pena Eleanor… eu até gostava de ti… mas agora sabes demasiado.

Engoli em seco mais uma vez. Que quereria aquilo dizer?

Cedo demais recebi a resposta a esta pergunta, ao vê-lo empunhar a arma e disparar. O barulho foi ensurdecer, e numa questão de segundos senti-me a embater contra o chão, logo a seguir ao ver o rosto de um anjo entrar pela porta. O rosto dele.

- Ellie! – Tinha gritado, antes de desatar a correr para mim.

“Danny… o meu amor…”, pensei.  

O chão estava gelado, e a pouco a pouco os sons foram-se desvanecendo. Não sabia onde Jeffrey me tinha acertado, a verdade é que todo o corpo me doía e tinha uma sensação de desconforto muito pior. Vi que o sangue saía, mas estava demasiado confusa para conseguir perceber de onde. Demasiado fraca para sequer procurar. Sentia que ia estalar a qualquer momento, mas não tinha forças nem para me remexer. Ouvi vozes que calculei que fossem eles, enquanto que o meu amor se ajoelhou junto a mim e me agarrou. E depois passos, a desvanecerem-se cada vez mais. Fechei os olhos, estavam pesados, demasiados pesados, mas a sua voz fez-me encontrar forças para os voltar a abrir.

- Ellie, por favor, abre os olhos – pedira-me – Por favor, fica comigo.

Abri os olhos e estes foram parar directamente aos seus. Queria pedir-lhe desculpa por ter duvidado dele, dizer-lhe que me arrependia da parva que tinha sido e implorar o seu perdão. Mas ao abrir a boca nada saiu, não tinha forças. O meu tempo estava-se a esgotar, eu sentia-o.

- Shh, não tentes falar – disse ele, enquanto vi uma lágrima escorrer-lhe pelo rosto – Tu vais ficar bem… tu vais ficar bem… - e então senti uma dor mais aguda e o ar, apesar de antes já estar difícil de entrar, parou completamente de ir de encontro aos meus pulmões. A minha visão começou a ficar cada vez mais turva até nem conseguir distinguir os traços do seu rosto – Ellie, Ellie não, Ellie por favor! – Ouvi, já bastante baixo. As minhas forças tinham-se gasto, o meu tempo esgotado. Cedi ao peso que as pálpebras faziam e fechei os olhos, entrando num mundo de escuridão e tristeza, porém, sem qualquer dor física. “Desculpa”, foi o último pensamento que me correu pela mente. E era-lhe dirigido a ele.

 

Pede-se a todos os fantasminhas que comentem (a)

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