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Together as One - The Second Part

por Andrusca ღ, em 08.05.11

Capítulo 21

Infelicidade * Parte 2

 

Danny

 

Já se passaram doze dias, e no entanto, sinto-me como se estivesse a viver o momento a seguir a tudo ter acabado. A dor não me deixava. A vontade de desistir de tudo não ia embora. A impressão de que não tenho nada por que me esforçar, nem nada que me faça querer viver, permanecia bem enterrada dentro de mim.

Independentemente do que fizesse, ou do que pensasse, ela estava comigo a toda a hora. Não me abandonava. Mas isso não era exactamente verdade, porque não estava realmente aqui.

- Vá lá pá, anima-te – disse Michael, dando mais um gole na sua cerveja.

- Sim – murmurei, dando um na minha. É fácil para ele dizer.

- Já sabes o que eu penso, mais não posso fazer.

- Então cala-te.

- Ei, tem lá calma – levantou-se da cadeira da minha secretária e sentou-se aos pés da cama, mas eu continuei com os olhos pregados à revista de desporto a que, sendo sincero, não estava a prestar atenção nenhuma –, a culpa desta porcaria toda não é minha.

- Sim, eu sei, achas que é minha.

- Eu nunca disse isso mano.

- Não precisaste.

Ele tirou-me a revista das mãos e mandou-a para o chão.

- Vais continuar com essa atitude? A sério? Mas o que é que se passa contigo e com a Ellie?! – Ellie… só de ouvir o seu nome fazia-me sentir um aperto no coração. Sei que doze dias, a comparar com uma eternidade, não é nada, mas é mais do que aquilo que eu pensava conseguir aguentar sem lhe tocar… sem a beijar… e no entanto, cá estou eu, vivo, porém sem vontade.

- Nada – disse-lhe, bruscamente – Vamos falar de outra cena qualquer.

- Como sempre.

- O que é que isso quer dizer?!

- Que cada vez que falamos dela tu mudas de assunto! Como é que esperas resolver as cenas se nem dizer o nome dela dizes?!

- Está acabado, Michael! – Berrei, levantando-me da cama e mandando uma pilha de CD’s, que tinha em cima da secretária, para o chão – Está acabado mano, não há nada para resolver.

- Mas tu ainda a amas. E ela também ainda não te esqueceu. Por amor de Deus, eu ouço-a a chorar todos os malditos dias! Se vocês não acertam as coisas é porque são ambos casmurros. – Ela chora todos os dias? Engoli em seco, saber que ela estava a sofrer por minha culpa não amenizava em nada a dor que sentia.

- Ela não confia em mim, o que é que queres que faça? Hum?

- Tu não lhe mentiste?

- Não – ele mandou-me aquele olhar que faz quando sabe que estamos a mentir, e eu assoprei e revirei os olhos – Eu omiti, ok? E foi apenas para que ela não se chateasse.

- Olha no que isso deu.

- Oh por amor de deus, isto não foi só culpa minha. Não é como se ela me dissesse cada vez que estava com um amigo.

- Um amigo? Diz lá o nome dele.

- Pronto, o inglês – só de pensar naquele gajo apetecia-me partir a casa toda.

- Como eu disse, vocês são casmurros, só têm a vocês próprios para se culparem.

- Nunca te culpei a ti, que me lembre – resmunguei, baixinho.

Michael ainda ficou por cá o resto da tarde, e quando se foi embora desci para jantar. Alice, sempre pontual, já tinha a comida na mesa.

Tal como nos outros dias, assim que acabei de comer, fui-me fechar no quarto. Não tinha cabeça para fazer nada, nada que não tivesse a ver com ela.

Isto estava-me a custar mais do que devia. Lembro-me de que quando a conheci apenas a via como um motivo de chacota, uma rapariga com quem me metia pica gozar e vê-la chateada. Mas depois o beijo aconteceu… e tudo o veio depois dele é apenas história.

Suspirei.

O que eu não dava para voltar àqueles tempos do princípio do namoro, em que tudo eram rosas. A maneira como ela ria quando eu dizia uma piada, como corava cada vez que nos aproximávamos mais… pensar que nunca mais vou ter nada disso é o pior. Mas está acabado. Não há volta atrás.

Liguei a televisão e assim que vi o que estava a dar desliguei-a, mandando o comando para o chão. Assaltos. Como é que ela pôde desconfiar de mim sobre os assaltos?!

“É simples”, disse-me o meu cérebro. Suspirei, está bem que não lhe tinha dado nenhum álibi e que já lhe tinha mentido sobre isso no passado. E tudo bem que essa mentira quase que nos tenha custado a vida. Mas isso foi antes, e agora é agora. E agora eu não estou envolvido em treta nenhum dessas. Só queria que ela não tivesse desconfiado.

“Mas também não lhe devias ter mentido sobre a Felícia”, interpelou-me de novo a consciência. É verdade, sim, mas se eu lhe tivesse tido então ela ia-se, muito provavelmente, chatear na mesma.

Eu nunca tinha conhecido miúda tão teimosa, ciumenta e sabichona como ela. E talvez por isso nunca me tinha apaixonado verdadeiramente antes de a conhecer. Acho que é isso que a faz única.

 

Em principio posto outro hoje ^^